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Estado de Minas

MP recomenda suspensão da eleição para escolha do nome de filhote de gorila em BH

O órgão foi procurado por uma ONG da capital mineira, que julgou como racistas os nomes indicados para a escolha do público. Procuradoria Geral do Município analisa o caso


postado em 15/12/2014 16:59 / atualizado em 15/12/2014 19:58

Votação para a escolha do nome do segundo gorila nascido em Zoológico da América do Sul termina nesta terça-feira(foto: Maria Elvira Loyola/Fundação Zoo-Botânica de BH)
Votação para a escolha do nome do segundo gorila nascido em Zoológico da América do Sul termina nesta terça-feira (foto: Maria Elvira Loyola/Fundação Zoo-Botânica de BH)

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) enviou uma recomendação para a Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte suspender a eleição para a escolha do nome do segundo gorila nascido em cativeiro na América do Sul. O órgão foi procurado por uma ONG da capital mineira, que julgou como racistas os nomes indicados para a escolha do público. O documento foi entregue na última sexta-feira e somente divulgado nesta segunda. A Procuradoria-Geral do Município afirmou que ainda analisa o caso.

Na primeira votação para a escolha do nome do primeiro gorila nascido no zoológico, a FZB optou por homenagear a origem tupi-guarani. Neste segundo pleito, os nomes foram inspirados na cultura africana, para lembrar o continente de origem da espécie. As opções são Ayo, que significa “felicidade”; Bakari, “o que terá sucesso”; e Jahari, cujo significado é “jovem forte e poderoso”.

A escolha de nomes africanos desapontou o Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod), que provocou o MPMG para barrar a eleição. Para a ONG, a proposta pode trazer danos ao vincular o macaco, um dos ícones históricos do racismo, à cultura negra. “O macaco é mundialmente conhecido como um símbolo de racismo. Brasileiros jogadores de futebol já sofreram racismo quando a torcida imitou os sons de um macaco ou jogou banana no campo. Isso é um ato que atinge a pessoa diretamente e fere muito um povo. É exatamente o que a Fundação Zoo-Botânica está fazendo ao dar nomes africanos aos gorilas”, comenta Samuel Ayòbámi Akínrúlí, presidente do Insod.

De acordo com Samuel, os nomes escolhidos pela Fundação Zoobotânica são usados como sobrenomes na África, e isso pode favorecer o racismo e o bulliyng, em caso de crianças. “Eu mesmo sou vítima disso. Meu sobrenome começa com Ayo, que significa alegria. Hoje, vários brasileiros negros estão buscando sua origem na África. Ao vincular sua origem, as famílias dão nomes africanos aos filhos. Pelo que conhecemos, há pessoas com esses nomes africanos aqui”, diz o presidente.

Ao receber a denúncia da ONG, o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos (CAO-DH) e a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Belo Horizonte expediram a recomendação à Fundação Zoobotânica. No documento, pediram o imediato cancelamento da votação ou a substituição dos nomes por outros que não contenham origem africana.

Na recomendação, as promotoras de Justiça Nívia Mônica da Silva e Cláudia Amaral Xavier afirmam que “muito embora bem intencionada, a votação pode atuar em sentido contrário ao pretendido: ao invés de prestar uma homenagem ao continente africano, contribuirá, por certo, para a perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”.

A divulgação do resultado da escolha do nome do gorila sairia nesta terça-feira. Porém, ainda não foi confirmado se o cronograma será mantido. A Prefeitura de Belo Horizonte informou que a Procuradoria-Geral do Município ainda analisa o caso.

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