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Estado de Minas EXPORTAÇÃO

Crescem exportações de café, mas momento é de cautela

Embarques para exterior aumentaram, mas exportadores observam desenrolar de crises de pandemia e conflitos na Europa


31/03/2022 15:02 - atualizado 31/03/2022 15:42

Sacas de café
Mercado de café ainda com cautela diante da pandemia e dos conflitos na Europa (foto: Federação dos Cafeicultores da Região do Cerrado Mineiro/Divulgação )

Carro-chefe das exportações de Minas, os embarques de café aumentaram quase 77% em receita e 4% em volume no primeiro bimestre deste ano. Além disso, a estimativa de produção do Brasil para 2022/23 é de alta de 8% ante a temporada atual, para 61,1 milhões de sacas, volume que representa, no entanto, um recuo de 12% ante o recorde de 2020, de acordo com a consultoria Safras & Mercado.
 

As exportações brasileiras de café totalizaram 3,441 milhões de sacas de 60kg de café em fevereiro de 2022, o que implica queda de 13,6% na comparação com as 3,983 milhões aferidas no mesmo mês do ano passado. Apesar do recuo na comparação anual, o volume apresenta avanço de 1,6% frente a janeiro, sinalizando uma leve melhora no cenário logístico do comércio marítimo global. As informações constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
 
De acordo com o presidente da entidade, Nicolas Rueda, pelo fato de o Brasil estar na entressafra de um ciclo menor na produção cafeeira, o resultado do mês passado é positivo, não ficando distante do desempenho de fevereiro de 2021, que foi bastante significativo.
 
"Houve melhora no cenário logístico, o que contribuiu para a performance do mês passado. Apesar disso, estamos longe da normalidade, com bastante instabilidade, alternando semanas boas com outras ruins, pois a disponibilidade de contêineres e espaços nos navios continuam insuficientes para escoar o que estava represado no porto e embarcar as cargas que estão chegando para exportação, exigindo que os departamentos logísticos dos exportadores antecipem a confirmação de seus bookings para a consolidação de seus volumes", comenta.
 
"Como o café é uma commodity precificada em bolsa, houve aumento de receita devido à situação de valorização de bolsa internacional. O arábica, nas instituições em Nova York e Londres, nos dois primeiros meses de 2022, chegou a  55%. A questão cambial ficou inalterada. Porém, houve uma disfunção de todo o fluxo do café e de mercadorias em todo o mundo, primeiramente devido à pandemia, que ao final do ano passado começou a normalizar. Novos problemas surgiram com a guerra na Europa", avalia Claudio Castello Branco Ribeiro Filho, trader de café verde da  Expoccafe, Cooperativa de Cafeicutores do Cerrado, com impacto nas rotas de navegação e restrições econômicas à Russia.
 
De acordo com o trader, houve um aumento de volume de contratos não embarcados por problemas de logística. Mas o especialista diz que o momento é de cautela, devido às incertezas geradas pela crise entre Rússia e Ucrânia e os impactos da pandemia. "A hora é de fazer somente o básico, sem inventar muito, esperando dias melhores. Mas não de paralisar e sim continuar produzindo e negociando contratos", observa Claudio Castello Branco.
 
Entretanto, segundo o empresário, suprimindo os dois países em guerra, a comercialização continua normal, com vendas do produto para a América do Sul, do Norte, Europa e Ásia. O advento da guerra prejudicou o fluxo, se agravando no final de fevereiro, quando alguns navios já se encontravam a caminho da Rússia e da Ucrância, sendo que alguns sequer conseguiram atracar no destino. Com a evolução do conflito, alguns navios retornaram com a carga aos portos de origem. 
 
Os cafés da região do Cerrado mineiro com destino aos mercados da Rússia e Ucrânia , segundo Castello Branco, vendidos principalmente a torrefadores e comerciantes, enfrentaram outras situações. A carga foi desviada para países próximos, uma vez que não poderiam atracar nos dois países. As restrições à Russia impediam que grandes companhias de navegação que chegassem ao país pudessem operar em outros países, mais expressivamente no Ocidente.  A falta de contêineres também impactou na comercialização.
 
As sinalizações de um acordo entre os países envolvidos são vistas com otimismo, "mas é difícil prever o futuro, com relação a mercado e logística. Estamos em stand by, porque é uma situação que não se resolve rapidamente. Após o acordo entre as duas partes, vêm as discussões sobre a evolução das restrições adotadas pelos demais países". 
 
Claudio avalia que  não há uma "corrida em busca de novos mercados" e há uma retomada da discussão de contratos de comercialização. As condições vegetativas estão saudáveis e, se não houver mais surpresas, como secas e geadas, a expectativa é que para ano que vem as coisas voltem a normalizar. "Este será um ano difícil, com problemas de safra, mercado, logística a serem superados. A cadeia não parou, a desvalorização do dólar e o aumento de juros no Brasil fez os preços caírem, desanimando um pouco o setor produtivo para vender o café. Muitos estão aguadando safra nova".
 
Ana Carolina Gomes, analista de Agronegócios do Sistema Faemg, classifica de "singela" a melhora de 4% em relação a 2020, com problemas logísticos, falta de contêineres e incertezas mercadológicas que afetaram a produção diante da pandemia.
 
"O que vemos para este ano é a pandemia passando e o recomeço do fluxo logístico, tendendo a melhorar com a safra que será colhida. Temos que pensar a exportação de café e sua importáncia para Minas Gerais, é o carro-chefe." Conforme a analista, o café exportado atualmente é da safra passada: "Estamos na entressafra". 
 
No tocante à guerra, o impacto é pequeno, já que os dois países em conflito não estão entre os principais compradores - Alemanha, Estados Unidos, Bélgica, Japão e Itália. "O que mais afeta a questão da guerra são os fertilizantes, potássio principalmente, adquirido nos dois países,  mas não são únicos. Importamos do Canadá e da China, e temos outras fontes a absorver."
 
A exportação de café do Brasil deverá crescer 3% na temporada 2022/23 (julho/junho), para 39,25 milhões de sacas de 60kg, após uma queda acentuada na temporada atual (2021/22), à medida que a safra de arábica brasileira estará em seu ano de alta produtividade, prevê a consultoria Safras & Mercado.
 
Em 2021/22, a exportação deverá cair 18% na comparação com o recorde do ciclo anterior, segundo números da consultoria, após a safra do Brasil ter sido atingida por seca e geadas, com impacto também na colheita que deve começar nos próximos meses.
 
"Vemos que o crescimento da oferta do Brasil é limitado, não permite grande sobra na oferta mundial, tanto que a exportação cresce 3%... o que limita a correção nos preços", disse o analista Gil Barabach.
 
Barabach aponta que o mercado global de café vem passando por correção de preços após máximas em mais de 10 anos em Nova York em fevereiro, movimento este que foi acentuado pela guerra na Ucrânia, com fundos migrando investimentos para o segmento de grãos.
 
No início de fevereiro, o café arábica negociado em Nova York teve o maior patamar desde 2011, cotado a cerca de 2,60 dólares por libra-peso, enquanto vem sendo negociado nesta semana a cerca de 2,27 dólares. "Sem novidades fundamentais, o mercado assume novo traçado, atingiu um pico e vive um momento de correção", declarou.
 
Exportações de café - até 30 de março de 2022
3.555.903

Embarque em janeiro
2.932.670

Embarque em fevereiro       
3.440.963 


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