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Estado de Minas CONSUMO

Black Friday tem prorrogação em Belo Horizonte

Após dia de forte movimento, com descontos satisfatórios para alguns e decepcionantes para outros, parte das lojas de BH estende ofertas até terça


27/11/2021 04:00 - atualizado 27/11/2021 07:44

movimento
O movimento foi intenso no comércio de BH ontem, com consumidores em busca de abatimentos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Quem perdeu as promoções da Black Friday de ontem na capital mineira ainda tem tempo para buscar descontos. Agora, a hora é de garimpar as lojas que aderiram às recomendações da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte e vão esticar a temporada de ofertas até a próxima terça-feira. A orientação tem alvo direto: 30 de novembro é a data-limite para o pagamento do 13º salário, conforme as leis do trabalho, e os recursos para dar um ânimo extra ao consumidor para aproveitar os abatimentos nos preços.  A expectativa da CDL é a Black Friday esticada injete ao menos R$ 2,11 bilhões na economia da capital mineira.

Penha
Depois de muita pesquisa e pechincha, Penha Soares comprou TV de 43 polegadas do sonho


Neste ano, o pagamento das duas parcelas do 13º ao trabalhador – a segunda deve ser depositada até 20 de dezembro – deve injetar na economia do Brasil um total de R$ 232,6 bilhões, estima o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor equivale e a cerca de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), beneficiando cerca de 83 milhões de pessoas, ainda segundo o Dieese. Tradicionalmente, parte dos recursos vai para pagamento de dívidas e outra para o consumo de fim de ano, esperança do comércio para recuperar perdas acumuladas durante a pandemia de COVID-19, iniciada em 2020.
 
Forno
Gildásio Rodrigues levou um forno elétrico, mas diz ter economizado menos do que esperava
Ontem, a sexta-feira mais popular do calendário capitalista foi comemorada em Belo Horizonte por comerciantes e consumidores, ávidos por descontos estimados em até 80% nos produtos. Muitas lojas aproveitaram o dia para abrir mais cedo.
 
João
O gari João Pedro encheu as sacolas com produtos para consumo próprio, além presentes de Natal
Às 7h30, a babá Cristiane Ferreira já havia comprado uma geladeira. O produto foi adquirido com 40% de desconto numa loja do Centro da capital mineira. "Eu planejava essa compra já há algum tempo e tinha um modelo em mente. Mas quando cheguei aqui, achei um outro modelo, com preço mais vantajoso, e fechei o negócio", conta a moça. A loja abriu às 6h, com movimento ainda tímido. "Nossa estratégia foi abrir antes da concorrência para atender a clientela que, a essa hora, está indo para o trabalho", contou o gerente Daniel Canguçu. A tática parece ter funcionado. A maior parte das lojas do entorno começou o expediente a partir de 8h. A recepcionista Telma Soares parou no local para comprar uma batedeira. "Comprei à vista. O desconto compensou. Faço muitos bolos e, agora, estou equipada", comenta a cliente.
 
Ana
Ana Vitória adquiriu fraldas, mas percebeu vaivém de preços na semana e um "falso desconto" ontem (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
"Quem não chora não mama", brinca a cuidadora de idosos Penha Soares, que aproveitou a Black Friday, para comprar uma TV de 43 polegadas. A frase da consumidora refletia o clima do comércio do Centro de Belo Horizonte, onde os negócios eram fechados após muita pesquisa e, principalmente, pechincha. O arsenal de artifícios para cativar a clientela incluiu sorteios, pagamentos facilitados e atendimento caprichado.
Mas o consumidor foi mesmo atrás dos descontos. O gari João Pedro Almeida encheu as sacolas nas lojas de departamento e de cosméticos em um shopping. Ele conta que pretende aproveitar temporada de liquidações para montar um pequeno estoque de fraldas e produtos de higiene e beleza. "Também comprei um tênis, que eu estava precisando bastante, adiantei a compra de presentes de Natal e ainda estou levando alguns enfeites natalinos", enumerou o rapaz, que chegou ao shopping por volta de 7h30.
 
Ele classificou os descontos oferecidos no local como "razoáveis". "As lojas ficam oferecendo para nós um monte de 'firulas', como joguinhos para ganhar brinde, sorteio disso, sorteio daquilo. E os vendedores estão cheios de lábia. Isso tudo é muito agradável, mas o cliente quer mesmo é desconto bom! O comércio podia economizar no 'blá, blá, blá' e baixar mais os preços para a gente!", brincou o gari.
 
Pesquisa divulgada pela Câmara dos Diretores Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) apontava que o consumidor chegaria à Black Friday com expectativa de descontos médios em torno de 41%. Segundo a entidade, os produtos mais cobiçados são eletroeletrônicos, roupas e cosméticos. Mas algumas pessoas aproveitaram para comprar produtos de uso no dia a dia, como a dona de casa Ana Vitória Santos, de 23 anos, que adquiriu pacotes de fraldas e lenços para uso de um filho com necessidades especiais, embora não tenha encontrado o desconto desejado. "Há três dias passei na loja e encontrei a um preço, no dia seguinte eles aumentaram e hoje voltaram ao preço de três dias atrás, como se fosse promoção."
 
A queixa da recepcionista Fernanda Costa é parecida. Com o bebê de 2 meses no colo, ela relata que comprou fraldas na liquidação. "Rodei umas três lojas, mas cadê o descontão? No fim, achei os produtos que eu queria com um preço um pouco melhor que de costume, mas nada muito vantajoso não", afirma a jovem.
 
A 'pechincha' é justamente a estratégia que o gerente Tiago Batista, de uma loja de tênis, sua a camisa para driblar. Não que o estabelecimento não tenha preparado descontos. As etiquetas dos produtos apontam abatimentos de até 50%. "O problema é que o consumidor, com toda razão, às vezes chora mais um descontinho. Mas às vezes fica difícil mexer no valor dos calçados, que já estão com o melhor preço que podemos oferecer. Para não perder o freguês, caprichamos no atendimento e oferecemos outras vantagens, como pagamento facilitado. Fizemos até um treinamento para a Black Friday", diz o funcionário.

SHOPPINGS A sexta-feira foi de altas expectativas nos shoppings, que prosseguem até o fim do ano. No Shopping Cidade, por exemplo, o cálculo do gerente Marketing, Bruno Salib, era de que 50 mil pessoas circulariam por suas lojas até as 23h, horário de fechamento. A equipe do centro de compras para o fim do ano está sendo reforçada. De acordo com Saliba, até o Natal, o shopping terá 3.400 trabalhadores, aumento de 15% em relação ao quadro normal. "Muitas das vagas já estão abertas e a pessoa pode se informar sobre o processo seletivo no próprio site do shopping", orienta Bruno.
 
Já o Boulevard Shopping BH, resolveu estender a campanha até amanhã, com o lançamento do Week Tudoooo. Os horários de funcionamento serão ampliados. Hoje as lojas estarão abertas a partir das 9h e o encerramento será às 23h. Amanhã, domingo, o horário de funcionamento é facultativo, das 10h às 21h. “Esse é um momento muito aguardado, tanto pelos lojistas quanto pelos clientes. É a hora certa de comprar aquele item tão desejado com um preço mais interessante. Estamos todos com boas expectativas para o período”, disse Nadinne Matos, gerente de Marketing do Boulevard Shopping.
 
A técnica de enfermagem Eliana Osório, de 50, e sua filha Juliana Osório, de 16, disseram que saíram de Contagem "sem pensar em comprar um produto específico”. Mas dispostas a comprar se encontrassem boas ofertas. “Se aparecer algo com preço bom a gente aproveita não é?", disse a mãe. Suely Fernandes, de 50, cozinheira, saiu de Sabará, na Região Metropolitana, em busca de melhores preços. "Comprei alguns produtos, porque já estava aqui mesmo, mas não vi coisas muito atraentes como anunciaram", ressalvou.
 
Quem também veio à capital para fazer compras foi Penha Soares, que mora em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. "O desconto foi bom, mas confesso que esperava mais", reclamou. Antes de adquirir a desejada TV Smart de Led e resolução 4k, ela conta que percorreu ao menos quatro estabelecimentos. O último cobriu as ofertas que ela já havia pesquisado previamente na internet.
 
O supervisor Gildásio Rodrigues está satisfeito com sua aquisição. Ou melhor, conformado. Ele comprou um forno elétrico por R$ 400 – R$ 200 a menos que o valor praticado fora da Black Friday. "Não foi aquele desconto de 70% que o pessoal anunciou por aí e eu tive que 'chorar' pra chegar nos R$ 400, mas deu para economizar. Estou satisfeito" comenta.
No endereço mais tradicional de uma loja de departamentos, no Centro, o estabelecimento criou um espaço específico para a retirada de mercadorias. O motoboy Marcos Paulo de Souza, de 20, disse que o serviço de entrega por aplicativo quase que dobrou no dia de ontem. "Já é a terceira vez que venho receber mercadoria para entrega aqui nesta loja."

CAUTELA Mas houve também comerciante que preferiu a cautela neste ano. O gerente do restaurante Pop Kid, que funciona desde 1980 no quarteirão fechado da Rua Rio de Janeiro,  naPraça Sete, resolveu não aderir à campanha desta vez. "No último colocamos o chopp com 50% de desconto, mas neste ano ainda estamos em fase de recuperação. Mesmo com o movimento já atingindo 70% do que era antes da pandemia, em 2021 decidimos não fazer a promoção", explicou.


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