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Estado de Minas ALTA NA CESTA BÁSICA

Valor da cesta básica em BH já ultrapassa metade de um salário mínimo

Nos últimos 12 meses, cesta básica já acumula alta de 16,02% na capital e agora custa R$ 604,22; 'vilões' em outubro foram tomate, batata e pão de sal


05/11/2021 12:39 - atualizado 05/11/2021 13:35

Cestas básicas em supermercado
Valor da cesta básica já ultrapassa metade do salário mínimo (foto: Auremar de Castro/EM/D.A Press)
Quem mora em Belo Horizonte pode ter sentido no bolso no último mês o aumento do custo de vida na cidade. Dados apresentados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis (Ipead) de Minas Gerais apontam que a cesta básica teve uma alta de 2,69% em outubro, chegando a R$ 604,22, equivalente a quase 55% do salário mínimo atual. Esse é o maior valor atingido pela cesta básica em BH. 

O custo médio da cesta básica representa os gastos de um trabalhador adulto com a alimentação, baseada em 13 produtos. Em outubro, os principais alimentos responsáveis por essa alta foram o tomate (aumento de 40,72%), batata inglesa (12,23%) e o pão francês (1,71%).

De acordo com o gerente de pesquisa do Instituto, Eduardo Antunes, a variação dos valores pode até ser considerada 'comum', pois em um mês alguns valores tendem a baixar e outros a elevar.

"Os itens alimentícios vêm sofrendo uma alternância significativa no valor há um tempo. Isso também reflete na cesta básica, que é composta só de item alimentício, tem muito hortifruti, que é bastante suscetível a variações grandes. O principal vilão desse mês foi o tomate. Basicamente o que gerou essa grande variação de preço para cesta básica desse mês", explica.

Antunes destaca que a variação no valor dos produtos alimentícios sofre influência de diversas fatores, além da produção e distribuição, e que o período de incerteza, os ajustes econômicos, e a normalização das produções, que vem sendo realizada gradualmente, afetam diretamente essa mudança de valores. 

Variação do valor da cesta básica no último ano
Variação do valor da cesta básica no último ano em Belo Horizonte (foto: Dados/Fundação IPEAD/UFMG)
"É a primeira vez que a gente mediu esse valor numa cesta básica. Ela tinha superado os R$ 500 exatamente há um ano atrás, em outubro do ano passado, e em um período chegou a subir mais, depois caiu um pouco. Mas nos últimos cinco meses o valor só vem numa tendência de alta.", ressalta o gerente de pesquisa. Segundo ele, é difícil prever se essa tendência prossegue ou vai se reverter. 

A dona de casa Rita Valéria Ferreira, de 58 anos, diz que já consegue sentir o impacto da alta dos valores no seu dia a dia: "Estive no supermercado e estive assustada. Cada semana que você vai ao supermercado o aumento está assustador. O preço da batata é R$4,98. O tomate está cada vez mais caro. Os preços aumentaram muito. A cesta básica está dando uma diferença muito grande", destaca.

Com o preço do pão francês elevado, Rita diz que tem buscado como alternativa preparar um biscoito caseiro, mas que, ainda sim, a farinha de trigo também está muito cara. "Temos que ir modificando a alimentação para ver se fica mais em conta, porque está assustador.", ressalta.

CUSTO DE VIDA MAIS ELEVADO

Mas não foi só na questão alimentícia que Belo Horizonte apresentou alta. Segundo os dados do Ipead, o custo de vida na cidade teve aumento de 0,95% em outubro.

O cálculo é realizado através do índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR) que através de um cálculo mensal, acompanha aproximadamente 242 produtos, onde são observados a variação de preço, com base em pesos, que definem os itens de maior relevância para a composição das famílias. Este índice leva em conta tanto produtos alimentícios quanto com itens não alimentícios.

O estudo mostra que um dos grandes fatores que contribuíram para o aumento dessa variação no mês de outubro foram as excursões, que apresentaram uma alta de 8,93%.

Segundo o diretor de pesquisa do Instituto, outras variações também foram responsáveis pelo aumento, como o preço da gasolina e do gás de cozinha, mas que as excursões apresentaram a maior elevação significativa no resultado.

"O setor estava bem retraído, bem reprimido por conta da pandemia. Com esse arrefecimento dos índices da pandemia no Brasil e a reabertura de vários outros locais para turismo, o item excursões apareceu de forma significativa neste mês de outubro, mostrando um aumento de demanda, que também gera uma pressão no preço", finaliza.
 

* Estagiário sob supervisão do subeditor Frederico Teixeira


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