Publicidade

Estado de Minas SERVIÇO

Transporte por aplicativo começa a se reerguer na Grande BH

Preços registrados na região metropolitana mostram recuperação no setor; pandemia fez crescer também redes independentes de entregas


11/06/2021 14:19 - atualizado 11/06/2021 16:34

(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )
(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )

A Pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) na Grande BH aponta recuperação dos preços pelo setor de transporte por aplicativo. O IBGE atribuiu a alta bem acima da inflação ao aumento da demanda por esse serviço, talvez com menor restrição à circulação de pessoas no atual estágio da pandemia.
 
Os preços do transporte por aplicativo na Grande BH subiram 1,51% em maio, frente ao IPCA de 0,79%. No ano, predomina queda de 14,43%, reflexo de inflação negativa desse serviço de 22,13% em abril. A reabertura do comércio de produtos e serviços não essenciais em BH foi anunciada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) no dia 19 de abril. 


Na média nacional, o IBGE observou nítida mudança de comportamento, de queda para a alta de preços do transporte por aplicativos. Houve alta de 1,79% em maio, ante 0,83% do IPCA. No ano, predomina a queda de 23,23%.
 
Estudos do Sebare Minas apontam que a formalização de motoristas de aplicativo no estado despontou, com crescimento de 114%. Quase 11 mil pessoas se formalizaram nessa atividade. Também entre os entregadores motorizados ou ciclistas apontam uma tendência a se regularizar.
 
Antônio Ronaldo de Souza, de 57 anos, trabalha há quatro como motorista de aplicativo. Durante a pandemia, o movimento começou a cair e chegou a 60% a menos. Quando da reabertura gradual do comércio, gradativamente o movimento foi aumentando. "Com essas últimas medidas anunciadas pelo prefeito com abertura mais prolongada, estamos chegando a níveis anteriores à pandemia," conclui.
 
O motorista de aplicativo diz que sua operadora criou um programa onde diminui o valor da corrida."Isso nos afetou bastante. Quem usa carro alugado, não está conseguindo pagar os valores do aluguel."
 
Na quarta-feira (9/6), o prefeito anunciou novas flexibilizações. Dessa vez, esticando os horários de funcionamento de bares e restaurantes que poderão servir até as 22h. No dia 12 de junho, Dia dos Namorados, esses estabelecimentos funcionarão até a 1h de domingo. Kalil garantiu a volta das aulas presenciais do ensino fundamental para 21 de junho.
 
Também o governo do estado anunciou novas regras para cidades na onda vermelha, do programa Minas Consciente. Academias, clubes e salões de beleza voltam com a permissão para funcionamento a partir desta sexta-feira (11/6). A decisão foi publicada nessa quinta-feira (10/6) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).
 

Entregadores criam empresas individuais

 
O grande número de trabalhadores que migrou para os serviços de entrega aumentou a concorrência, porém sem contrapartida dos aplicativos. Nenhum vínculo empregatício e muita cobrança, é o que reclamam. 

(foto: Leandro CourI/EM/DA Press)
(foto: Leandro CourI/EM/DA Press)

"Aplicativo dá dinheiro, mas explora muito. Agora tem rota, são muitos. Os aplicativos têm só a mão de obra de ir lá e ganhar o cliente, mas nós, entregadores, é que fazemos tudo. Cobram R$ 50 do cliente e nos pagam de R$ 20 a 30, para quem presta serviço", reclama o entregador Leonardo Rodrigues dos Santos, de 37 anos, que resolveu criar sua microempresa individual (MEI).
 
Ele conta que nos aplicativos pode-se tirar até R$ 6 mil por mês, "desde que comece a trabalhar às 8h e vá até as 2h, ou seja, 20 horas por dia, sem domingo ou feriado". Por isso, Leonardo decidiu buscar seus próprios clientes e tem melhorado os resultados. "Continuo pagando a MEI e produzindo bem."
 
Leonardo admite que pode um dia voltar para o aplicativo. "A gente não sabe o dia de amanhã, mas não tenho a mínima vontade. Eles cobram da gente como empregados deles, mas não nos tratam como colaboradores. Há poucos dias, perdi um colega com COVID-19, e o que a família dele recebeu? Nada."
 
Ramon Heleno Nepomuceno, também entregador, fala do número de pessoas fazendo entregas. "O mercado está lotado e, portanto, mais barato, com menos serviço e locais mais distantes." Ele ganha entre R$ 5 e R$ 10 por entrega. "Se trabalhar 12 horas num dia, ganho por volta de R$ 100."
 
As duas maiores empresas de transporte de passageiro por aplicativo não respoderam aos pedidos da reportagem para que comentassem os dados.
 
 
 
 
 
 
 
 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade