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Estado de Minas JOGOS

Mundo dos games ganha fôlego a mais durante o isolamento social

Com isolamento imposto pela pandemia, cresce a procura por entretenimento on-line. Transmissão de partidas e inclusão de mulheres são tendências


25/04/2021 18:43

(foto: Ina Fassbender/AFP)
(foto: Ina Fassbender/AFP)
Se a realidade está difícil, mude de realidade. Assim, pode-se resumir o aumento do interesse por games durante a pandemia. É cada vez maior o número de pessoas que, entre o home office e a precaução para ficar em casa, se aventuram no mundo virtual do entretenimento. Um dos expoentes mundiais no mercado de tecnologia, o nicho de games cresceu vertiginosamente, com uma explosão de novos consumidores. Segundo pesquisa realizada em 2020 pelo Brasil Games Show (BGS), em parceria com o Instituto Datafolha, quatro em cada 10 brasileiros tendem a jogar jogos eletrônicos.

“A pandemia provocou um efeito natural, as pessoas buscaram uma opção de entretenimento dentro das próprias casas. Uma das grandes vantagens dos jogos é que ele dá a chance de vivenciar de uma maneira virtual aquilo que você não está podendo viver no mundo real”, explica o CEO da Brasil Game Show, Marcelo Tavares.

Durante a pandemia, os jogos se tornaram um refúgio para enfrentar o isolamento social e uma possibilidade de renda. Carlos Eduardo Figueredo, 21 anos, de Palmas, transformou a paixão pelos games em entretenimento para outras pessoas e uma forma de ganhar dinheiro extra. Ele faz transmissão ao vivo de seus jogos pela internet (streaming) para seu público. “Eu assistia a lives de vários jogadores e me divertia muito, durante a pandemia. Vi aquilo como uma oportunidade de também começar a entreter outras pessoas e ganhar dinheiro com uma atividade de que gosto muito”, conta.

“Eu mesmo fui influenciado por alguns dos meus streamers favoritos, como Rebeca, Sabrinoca e Nicky Mitrava. Passei, então, a jogar vários jogos novos e diferentes. Primeiro, as pessoas assistem. Se gostam, começam a jogar.”

'Com a pandemia, as pessoas que já tinham o costume de jogar estão com mais tempo livre', Pablo Sebástian Rodrigues, gamer de São Paulo(foto: Arquivo Pessoal)
'Com a pandemia, as pessoas que já tinham o costume de jogar estão com mais tempo livre', Pablo Sebástian Rodrigues, gamer de São Paulo (foto: Arquivo Pessoal)

Logo, as transmissões ao vivo de jogos tornaram-se a fase seguinte para aqueles que passam o tempo jogando em casa. “Com a pandemia, as pessoas que já tinham o costume de jogar estão com mais tempo livre e jogando mais. E, com certeza, há mais pessoas assistindo a jogos ao vivo e a vídeos de jogadores no YouTube”, explica Pablo Sebástian de Paula Rodrigues, 24 anos, gamer em São Paulo.

Mulheres nos games

Segundo a pesquisa do BGS, os homens ainda são a maioria no universo dos games. Representam cerca de 53% do total de jogadores, enquanto as mulheres somam 47%. Apesar de ainda estar em menor número, o público feminino é uma parcela cada vez mais importante em um mercado estereotipado apenas para homens.

Segundo a Sakura Esports, organização que traz visibilidade e fomenta a união entre mulheres gamers, o público feminino sempre esteve presente nos jogos, porém não era reconhecido. Para evitar constrangimentos, as jogadoras usavam nomes de usuário neutro e eram consideradas jogadores masculinos.

“Penso que o que mais mudou foi a exposição. Aos poucos, mulheres têm se sentido mais confortáveis em se comunicar e interagir com outros players. E esses ambientes mais abertos, de maior representatividade, são mais favoráveis à adesão feminina. A independência econômica é um outro fator relevante”, explica Ariadne Aquino, social media da organização.

A estudante de audiovisual Beatriz Barreto, 20, joga desde 2016 como diversão e conta que já passou por situações constrangedoras com alguns jogadores. “A maioria dos homens acha que você não é capaz de jogar. A pior situação foi quando eu estava jogando e elogiei a skin (visual) do jogo. Depois que eu perdi, os jogadores ficaram falando que mulher só sabe jogar pela skin e não tem habilidade nenhuma”, relata.

'A indústria dos jogos tem que começar a pensar em como agradar o público feminino', Ana Clara França, gamer de Tocantins(foto: Arquivo Pessoal)
'A indústria dos jogos tem que começar a pensar em como agradar o público feminino', Ana Clara França, gamer de Tocantins (foto: Arquivo Pessoal)

As gamers também afirmam que as personagens femininas de alguns jogos são hipersexualizadas e não têm uma jogabilidade tão boa quanto os personagens masculinos. “A indústria dos jogos tem que começar a pensar em como agradar ao público feminino, em criar jogos com uma jogabilidade interessante que se sustente apenas com a história que vende e não com bonecas de peitos inflados soltando ‘poderzinho’ rosa”, explica a gamer tocantinense Ana Clara França, 22.

Nicho em expansão

Os jogos de celulares é um nicho que tem crescido no mundo e no Brasil, segundo especialistas. A facilidade de acesso contribui para o crescimento desse ramo.

“Nos anos 1990, a gente tinha jogos do Mortal Kombat pelo videogame, depois veio pelo computador e agora a gente tem possibilidade de jogar pelo celular, então é um mesmo jogo, mesma franquia, só que em diferentes espaços. Então eu imagino que há esse avanço justamente pela facilidade e por alcançar mais pessoas”, explica a gamer de jogos mobile Stefani Cavalcante, 21 anos. “Nem todo mundo tem a condição de ter um videogame ou um computador superequipado, então, investir em jogos pelo celular também é uma questão de democratização”, arguementa.

Impacto dos jogos

Segundo pesquisa da Visa Consulting & Analytics no Brasil, as transações com os cartões Visa aumentaram 140% em relação a 2019. A movimentação ocorreu nas principais plataformas e consoles de jogos, a exemplo de Xbox e PlayStation. O levantamento também destaca incremento de 105% em compras de jogos ou extensões com cartão. Isso comparado ao período de outubro de 2019 e setembro de 2020.

“Os dados mostram a relevância desse mercado. Percebemos que esses consumidores passaram a comprar muito mais jogos durante os meses da pandemia no Brasil, elevando o faturamento total”, explica o diretor Oscar Pettezzoni, no site da empresa.

*Estagiários sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza


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