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Estado de Minas Combustíveis

Gasolina está mais mais cara no interior de MG

Pesquisa da ANP mostra que valor máximo do litro passa de R$ 6 em cidades mineiras


06/04/2021 04:00 - atualizado 06/04/2021 08:34

Em Montes Claros, no Norte do estado, valor do derivado do petróleo varia de R$ 5,799 a R$ 5,899 nas bombas (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press )
Em Montes Claros, no Norte do estado, valor do derivado do petróleo varia de R$ 5,799 a R$ 5,899 nas bombas (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press )
Depois de sucessivos aumentos do preço do combustível, o bolso do consumidor mineiro do interior do estado sofre mais. Os preços nas bombas de combustíveis fora da capital são um pesadelo para os motoristas.

O preço da gasolina terminou março acima de R$ 6 por litro em Conselheiro Lafaiete, Juiz de Fora e Uberaba. Nessas cidades, o preço máximo cotado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), estava em R$ 6,058 e R$ 6,090 e R$ 6,159, respectivamente, conforme pesquisa realizada entre 21 e 27 de março.

Em Montes Claros, no norte do Estado, em Araçuaí, Vale do Jequitinhonha, o motorista que for abastecer pode encontrar valores de até R$ 6,30. Mas se afastar um pouco de cidades pólo, o líquido pode chegar a R$ 7,50, em distritos do Serro, por exemplo, no Jequitinhonha.

Morador de Araçuaí, o servidor público Noemar Orsine reclama do “sacrifício” imposto à população da cidade com a elevação do preço dos combustíveis durante a pandemia do coronavírus. “Com essa pandemia está tudo mais difícil. Tem gente na cidade que está preferindo ir trabalhar de bicicleta por causa do valor alto da gasolina”, afirma Noemar.

Em Montes Claros, na manhã de ontem, a reportagem do Estado de Minas visitou postos de combustíveis da cidade, onde constatou que o preço da gasolina comum na bomba varia de R$ 5,799 a R$ 5,899, o litro. Já a gasolina aditivada está no valor de R$ 5,999, o litro. O empresário Luiz Ricardo Cangussu, morador da cidade-pólo, reclama da disparada dos preços dos combustíveis. “O governo federal baixou os impostos. Mas, o governo do estado não reduziu nada. Desse jeito, fica muito ruim pra gente”, lamentou o consumidor.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, nos primeiros meses deste ano o combustível subiu em média de um a dois reais. Enquanto até os últimos meses de 2020 o etanol custava em média de R$ 2,50 e a gasolina cerca de R$ 4, neste momento, estão aproximadamente R$ 3,50 e R$ 5,80, respectivamente, conforme preços médios nas bombas. Mas segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no município do Triângulo Mineiro o valor máximo da gasolina chega a R$ 6,159.

Segundo o motorista de aplicativo Rodrigo Augusto, devido ao alto preço da gasolina, ele abastece com etanol. Rodrigo, que é baterista profissional, contou que trabalha como motorista devido às dificuldades financeiras que passou a encontrar depois do início da pandemia, já que não está sendo permitida a música ao vivo. Disse ainda que as incertezas com os preços de combustível em Uberaba são frequentes. “Há um mês atrás o etanol estava na média de 2,99, o litro/ hoje consigo a 3,49 mas cheguei a pagar 4,10. Já vi posto cobrando 4,30, absurdo. Ano passado estava em média a 2,49”, contou.

Entre as explicações podem estar a logística (distância entre distribuidoras e destino), ausência de estímulo à concorrência, custo do transporte e fretes. O lucro de cada estabelecimento está na quantidade de combustível vendido. “No caso do combustível, o ganho é em escala para o proprietário do Posto. A margem de lucro exata varia de cada posto, perfil, negociação com a distribuidora, localização (concorrência) e outras fontes de receita dentro do próprio posto,” explica o economista do site de pesquisas Mercado Mineiro, Feliciano Abreu.

Segundo nota do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais, Minaspetro, a gasolina no estado é uma das mais caras de todo o Brasil. O valor é atribuído "basicamente por dois motivos: o Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente nos combustíveis revendidos em território mineiro, que tem uma das maiores alíquotas do país, além da majoração, pelo governo do estado, no preço de referência utilizado para a cobrança deste tributo.

Imposto 


Segundo o sindicato o governo em MG aumentou o ICMS da gasolina em 14,6%, etanol em 26,4% e diesel em 9,2%. “A definição do valor total de ICMS incidente no litro do combustível depende de dois fatores principais: alíquota definida para cada combustível. Gasolina: 31%; diesel: 15%; etanol: 16% e preço de referência para cálculo da respectiva alíquota."

De acordo com o Minaspetro o “preço de referência para cálculo das alíquotas é obtido a partir da apuração quinzenal da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG) a partir do preço médio do combustível comercializado em todo o estado, documento conhecido como Ato Cotepe/PMPF e que é publicado pelo Confaz no Diário Oficial da União (DOU).

Diante do atual cenário, o consumidor viu pesar no bolso, o anúncio do governo de Minas Gerais, na quinta-feira (25/3), alterando o preço utilizado como referência para cobrança das alíquotas no estado.

A direção do Minaspetro informou que em fevereiro encaminhou ao governador Romeu Zema (Novo), carta solicitando o congelamento do PMPF dos combustíveis, “para evitar que os combustíveis em MG continuassem o ciclo de 'retroalimentação tributária'." Segundo a entidade, não existe tabelamento no setor e o mercado de combustíveis é livre. Cada empresário define seu preço de venda, que varia de acordo com inúmeros fatores, tais como estratégias comerciais, localização, concorrência, entre outros.

O recálculo mensal do ICMS em Minas Gerais começou a valer a partir da última quinta-feira. O Sindicato divulgou o aumento repassado pelo governo mineiro. Em contato com o Estado de Minas, a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais afirma que não houve reajuste do ICMS e sim da base de cálculo do próprio imposto. “Para aplicar a referida revisão, a Secretaria de Fazenda leva em consideração o levantamento feito mensalmente nas Notas Fiscais emitidas por 4.272 postos.

Preço médio 

Pesquisa da ANP entre 21 e 27 de março 2021 (Em r$)

Conselheiro Lafaiete 5,972
Manhuaçu 5,940
Uberaba 5,912
Ipatinga 5,895
Montes Claros 5,858
Juiz de Fora 5,839
Poços de Caldas 5,830
Ubá 5,811
Ituiutaba 5,802
Uberlândia 5,747
Betim 5,729
João Pinheiro 5,726
Sete Lagoas 5,690
Contagem 5,679
Belo Horizonte 5,639

Na Grande BH há leve redução

Depois dos aumentos dos preços dos combustíveis o consumidor da Grande BH teve leve alívio. De acordo com pesquisa do site Mercado Mineiro, o etano voltou a ser viável com a queda de 7,91% nos últimos 15 dias. Já o preço médio da gasolina caiu 3,43% e o do diesel registrou queda de 1,36%. Segundo o levantamento, o menor preço da gasolina encontrado entre os postos de Belo Horizonte foi de R$ 5,399 e o maior R$ 5,939, com uma variação de 10%. Há 15 dias, esse valor era encontrado entre R$ 5,759 e R $5,562, apresentando uma queda de 3,43%.

Em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o preço médio do litro da gasolina é de R$ 5,508. Em Contagem, também na Grande BH, a média é de R$5,539. “O preço da gasolina está nivelado, a variação está muito pequena. Os postos de combustível estão seguindo uma média geral. Se um aumenta, todos fazem o mesmo e se cai, reduzem juntos também. O mercado para eles não está favorável neste momento de pandemia com poucos carros circulando nas ruas”, avalia o economista e coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu.

Em relação ao etanol, a pesquisa constatou o preço mínimo de R$ 3,629 e o maior de R$ 4,398, com uma variação de 21,19%. Na comparação com o último levantamento, há 15 dias, houve queda de 7,91%. Em Betim o preço médio é de R$ 3,811 e Contagem de R$3,865. O valor do litro do diesel S10 caiu 1,36% nos últimos 15 dias. O preço médio está em R$4,358. O menor preço do litro do Diesel S10 é de R$4,055 e o maior R$ 4,739, uma variação de 16,87%. Em Betim a média é de R$4,134 e na cidade de Contagem o valor médio é de R$ 4,214.

Feliciano ressalta que o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em função da alteração do preço de referência pode ser repassado ao bolso do consumidor. “É uma notícia boa de queda, mas veio justamente no período que vai ter o repasse do ICMS que vem do recálculo do mês anterior, provavelmente vai ficar estável”, disse. (Natasha Werneck)
 

Enquanto isso/Gás natural vai aumentar 39%

A Petrobras informou ao mercado ontem que os preços de venda do gás natural para as distribuidoras terão aumento de 39% a partir do dia 1º de maio. Medido em dólares, o aumento será de 32%. “A variação decorre da aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio”, diz a petrolífera. A empresa destaca que as atualizações dos preços dos contratos são trimestrais, ou seja, para o período e maio, julho e julho a referência são os preços dos meses de janeiro, fevereiro e março, quando o petróleo teve alta de 38%. O presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Pedro Magalhães, disse que a única opção é repassar os quase 40% de aumento, mas que tentará amenizar o impacto para o consumidor. “Esse repasse é um contrato que a gente tem com a Petrobras. Tem alguns estados que têm algum contrato mais antigo, que é o caso de São Paulo, que consegue até vender um gás mais barato do que Minas. Nós não temos jeito de fazer nada a não ser repassar, mas nós vamos tentar ver se a gente acha um caminho para amortecer um pouco para os consumidores”, explica.




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