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Estado de Minas ECONOMIA

Aumento da Petrobras de 5% na gasolina preocupa? Entenda

Especialistas alertam que o aumento final passado ao consumidor nos postos de gasolina não é o mesmo cobrado nas refinarias. Efeito cascata é esperado


26/01/2021 18:08 - atualizado 26/01/2021 18:32

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

A Petrobras anunciou, nesta terça-feira (26/01), um reajuste de 5,05% no preço da gasolina nas refinarias. Esse é o segundo aumento deste o início de 2021, que em 18 de janeiro teve uma elevação de 8%. No total, o combustível acumula alta de 13,4%. Desta vez, o diesel também sofreu aumento, de 4,4%. Os novos valores passam a vigorar já nesta quarta-feira (27/01. Porém, esse aumento, de fato, preocupa o consumidor belo-horizontino? 

 

Segundo a coordenadora de pesquisas da Fundação Ipead Thaize Martins, a resposta é sim. “O aumento da gasolina sempre preocupa, porque os produtos brasileiros tem essa taxa como um peso muito importante, tanto na composição de combustíveis quanto na distribuição e transporte de alimentos, por exemplo. E isso acaba gerando um efeito em ‘cadeia’, porque transportes e serviços que dependem da gasolina podem incorporar e repassar os valores nos serviços prestados”, explica. 

 

Porém, isso depende, também, do valor a ser repassado para a bomba dos postos de gasolina, o que é muito diferente do preço nas refinarias. “É um beco sem saída. Pode ser bom para a indústria, refinaria e petroleira chamada Petrobrás. Mas para o consumidor pode ter certeza que não está sendo bom negócio, já que os donos de postos precisam repassar esse valor imediatamente, porque a margem vai corroendo, e de repente, eles não conseguem repassar.” 

 

"Entre os dias 7 e 10 de janeiro de 2021, em 145 postos localizados em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o menor preço encontrado da gasolina comum foi de R$ 4,375 e o maior R$4,999, variando 14,26%. Em comparação realizada entre os preços do dia 15 de novembro 2020, constatou-se que o preço médio da gasolina comum subiu 3,72% ou R$0,27. Já o menor preço encontrado para o etanol foi de R$3,095, e o maior de R$3.790, com uma variação de 22,46%. Na comparação realizada entre os preços médio no dia 15 de novembro de 2020, foi apontando que o preço médio do etanol subiu 7,79%."

Site de pesquisas Mercado Mineiro,

 

 

“No entanto, eles normalmente não repassam o valor integralmente para a bomba, pois há concorrência”, afirma Feliciano Abreu, economista e coordenador do Mercado Mineiro. É justamente aí que há variação na inflação e no aumento dos gastos pelos consumidores e prestadores de serviços. Ao contrário do diesel, que também sofreu aumento nesta leva, a gasolina interfere, e muito, nas taxas de inflação. 

 

“Na nossa pesquisa, que é de janeiro, ainda não se observou um aumento significativo, mas analisamos em torno de 1,56%. Sempre que há esse anúncio de elevação nos valores nas refinarias, só conseguimos identificar depois, quando ele é repassado para a bomba. Se esse aumento atual, o de 5,05%, for praticado na bomba integralmente, ele traz um impacto de 0,21 pontos percentuais na inflação, a princípio. Isso quer dizer que, se a inflação tiver que fechar em 1%, 0,21 seria só referente a gasolina. Isso é muita coisa”, analisa Thaize Martins. 

 

ATÉ AQUI... 

 

O consumidor da Região Metropolitana de Belo Horizonte começou o ano pagando mais caro pelos combustíveis. O preço da gasolina sofreu reajuste de 2,03% em janeiro e o etanol encareceu 3,38% na Grande BH, de acordo com a pesquisa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

A remarcação do óleo diesel foi de 3,10%. Os reajustes superaram com força o índice geral, o IPCA-15, que subiu 0,97% na área metropolitana da capital mineira; e ficaram também acima do aumento médio no Brasil, de 0,95% para a gasolina e 1,78% para o diesel. Em relação ao etanol, houve queda de 0,97% na média nacional.  

 

De acordo com o site de pesquisas Mercado Mineiro, em pesquisa feita entre os dias 7 e 10 de janeiro de 2021, em 145 postos localizados em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o menor preço encontrado da gasolina comum foi de R$ 4,375, e o maior R$4,999, variando 14,26%. Em comparação realizada entre os preços do dia 15 de novembro 2020, constatou-se que o preço médio da gasolina comum subiu 3,72%, ou R$0,27. 

 

Ainda segundo o levantamento feito pelo Mercado Mineiro, o menor preço encontrado para o etanol foi de R$3,095, e o maior de R$3.790, com uma variação de 22,46%. Na comparação realizada entre os preços médio no dia 15 de novembro de 2020, foi apontando que o preço médio do etanol subiu 7,79%. 

 
O ETANOL 

 

Nesse cenário, conforme apontado pela pesquisa do site Mercado Mineiro, o etanol passa a ser viável para o consumidor, o que gera competitividade. Não à toa, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol está mais competitivo que a gasolina em três estados brasileiros, incluindo Minas Gerais – Goiás e Mato Grosso também registraram maior procura por etanol. E isso mesmo em período de entressafra, quando não a produção do combustível. 

 

“Essa questão entre o etanol hidratado e a gasolina é uma relação de preços na bomba, que uma parte do consumidor escolhe quando os carros são flex e podem colocar um ou outro combustível, até os dois misturados, e ele então escolhe de acordo com a relação de preços entre um produto e outro. No caso, o etanol hidratado, com um litro de etanol você percorre menos quilômetros do que com um litro de gasolina, então normalmente o etanol é mais barato que a gasolina, para você compensar colocar ele.” 

 

É o que explica o presidente da Associação da Indústria Sucroenergética de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos. Segundo ele, a comparação mais utilizada por analistas é a de que quando o preço do litro de etanol hidratado está em torno de até 70% do preço da gasolina, compensa colocar o etanol. Acima de 70%, isso já não é mais viável.  

 

“Em Minas Gerais, como temos um preço e uma competição do etanol hidratado muito bom, perante a gasolina, a gente tem um consumo interessante de etanol. Os mineiros, há alguns anos, fazem esse tipo de conta para abastecer os seus veículos. Porém, é claro que o consumo do etanol hidratado vai depender também do preço da gasolina. Quando sobe o da gasolina, o etanol ganha em competitividade e há uma tendência de maior consumo.” 

 

*Estagiária sob a supervisão  do subeditor João Renato Faria


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