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Estado de Minas ECONOMIA

Taxa de desemprego no Brasil sobe a 14,6% e bate recorde

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação chegou a 14,6% no terceiro trimestre, a maior da série histórica iniciada em 2012


27/11/2020 09:23 - atualizado 27/11/2020 10:29

Fila de desempregados atrás de trabalho em Brasília(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Fila de desempregados atrás de trabalho em Brasília (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O desemprego bateu um novo recorde no país, diante da crise instalada pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego avançou para 14,6% no terceiro trimestre deste ano. Com isso, subiu para 14,1 milhões o número de brasileiros que estão sem trabalho.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, 1,3 milhão de brasileiros entraram na fila do desemprego no terceiro trimestre deste ano. Isso porque, no segundo trimestre deste ano, o desemprego era de 13,1% e atingia 12,8 milhões de pessoas.

A Pnad Contínua também revelou uma taxa recorde de 30,3% de subutilização, mostrando que, além de 14,1 milhões de desempregados, o Brasil tem 33,2 milhões de trabalhadores subutilizados. De acordo com a pesquisa, ainda existem 5,9 milhões de desalentados no país, outro recorde da série histórica, iniciada em 2012.

Criação de empregos


A Pnad Contínua foi divulgada nesta sexta-feira (27/11) pelo IBGE, apenas um dia depois de o governo comemorar o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que apontou a criação recorde de 394.989 vagas com carteira assinada no país em outubro, pelo quarto mês consecutivo.

A diferença entre os dados se explica porque o Caged considera apenas o mercado de trabalho formal. Já a Pnad Contínua analisa também a situação dos trabalhadores sem carteira assinada, dos trabalhadores por conta própria, dos trabalhadores domésticos e dos funcionários públicos.

A pesquisa do IBGE mostrou ainda que, apesar da geração positiva de vagas do Caged, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado caiu 2,6% em relação ao segundo trimestre, o que representa uma redução de 788 mil vagas de trabalho entre julho e setembro. Além disso, a Pnad Contínua constatou que só a construção civil e a agricultura conseguiram ampliar o contingente de trabalhadores entre julho e setembro. Todas as outras atividades econômicas mostraram redução ou estabilidade do nível de emprego.

Fim do isolamento


Analista da pesquisa, Adriana Beringuy diz que a flexibilização do isolamento social também contribui com a alta do desemprego. "Em abril e maio, as
medidas de distanciamento social ainda influenciavam a decisão das pessoas de não procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas, começamos a perceber um maior contingente de pessoas em busca de uma ocupação”, explicou.

A pesquisadora do IBGE ainda ressaltou que o avanço do desemprego foi sentido em quase todo o país. “A taxa de desocupação, na comparação trimestral, subiu em dez unidades da Federação, permanecendo estável nas demais. Ou seja, nenhuma unidade da Federação do país conseguiu mostrar uma retração dessa taxa no terceiro trimestre. Isso mostra que todos os estados tiveram, de alguma forma, o mercado de trabalho bastante afetado”, apontou.

No Distrito Federal, por exemplo, o índice de desocupação bateu 15,6%, acima da média nacional. Os maiores índices de desocupação, contudo, estão no Nordeste. Por isso, a taxa de de desemprego da região é ainda maior: 17,9%. A menor taxa regional é a do Sul: 9,4%.

Ainda de acordo com o IBGE, o desemprego também afeta de forma mais intensa os pretos (19,1%), as mulheres (16,8%) e os jovens (31,4% entre os jovens de 18 a 24 anos de idade). Para Adriana, os dados mostram que "a diferença permanece" no mercado de trabalho. "Pretos e pardos têm taxa de desocupação maior e isso pode estar ligado à questão da baixa escolaridade dessa população e também de um maior nível de pessoas fora da força nessa população", comentou.


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