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Estado de Minas VALENDO OURO

Entenda a alta do preço do arroz, motivo de irritação para Bolsonaro

Alta do alimento foi motivo de desgaste mais uma vez para Bolsonaro nesse domingo (25); entenda o que provoca esse aumento


26/10/2020 14:44 - atualizado 26/10/2020 15:11

Pacote de arroz à venda em mercado da capital(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Pacote de arroz à venda em mercado da capital (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
O preço do arroz foi um dos grandes vilões para o bolso do consumidor brasileiro no ano de 2020. Somente na Grande BH, entre novembro do ano passado e outubro deste ano, o alimento sofreu aumento de 57,4%. Essa alta, inclusive, chegou a virar motivo de irritação para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesse domingo (25), quando questionado por um cidadão pelo encarecimento do produto.



Para entender o aumento do arroz, é preciso compreender as especificidades de sua produção.

"Antes de falarmos sobre esse aumento específico, é importante ressaltar que a produção do arroz é complicada por si só. Requer muito maquinário, muito gasto de água. Tanto que, hoje em dia, mal se produz aqui em Minas", contextualiza Caio Coimbra, analista de agronegócios da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais). "Vale ressaltar também que o preço do arroz está estagnado há muitos anos, ainda com aumentos nos custos de produção."

Atualmente, os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul acumulam, juntos, cerca de 80% de toda a produção de arroz do país.
 
Arroz(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Arroz (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
 
 
Coimbra ressalta três motivações centrais para o aumento do arroz: aumento da demanda, alta do dólar e questões climáticas.

"O isolamento social fez com que a demanda pelo arroz aumentasse, já que é um alimento que comemos em casa. Maior demanda, maior o preço", explica o analista de agronegócios. "Aumento da demanda não só dentro do Brasil, como também fora".

alta do dólar contribui para fomentar a exportação, o que também provoca aumento dos preços. "Além da demanda aquecida do mercado externo, a alta do dólar e de todas as moedas fortes durante o momento de insegurança em todo o mundo fez com que a exportação se tornasse uma opção mais vantajosa para os produtores", complementa Coimbra.

Entre março e agosto deste ano, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas de arroz, segundo pesquisa da Cogo, consultoria especializada em agronegócio. Esse total no mesmo período do ano passado foi de 669 mil - um aumento de quase 100%.

"Por fim, o terceiro motivo foram problemas climáticos que afetaram regiões da Ásia, que são grandes consumidores do arroz e reduziram a produção", conclui Coimbra. 

O que fazer?


Diante desse contexto, levanta-se a questão: o que é possível fazer para frear esse aumento?

Uma das medidas do governo foi retirar o imposto de importação do arroz. "Com essa medida, que foi tomada em setembro e é válida até o último dia deste ano, cria-se uma competitividade entre a produção local e os importados e, assim, equilibre os preços", comenta Caio Coimbra. Até o momento, a ação não teve eficácia prática.

Outra medida possível é aumentar a produção interna. "É uma maneira de reagir diante de qualquer produto que tiver aumento da demanda. Se conseguirmos aumentar a quantidade produzida de maneira suficiente, conseguimos abaixar o preço", esclarece o analista de agronegócios.

Em julho, a produção de arroz no Brasil aumentou 7,3% quando comparado ao mesmo mês do ano passado - de 10,1 para 11 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE.

Vale lembrar que o período de entressafras não influenciou diretamente no encarecimento do arroz neste ano. "Esse é um tipo de oscilação normal do preço, que acontece sempre e não teve interferência direta nesse encarecimento pontual", ressalta Coimbra.

Políticas econômicas


As políticas econômicas do governo também podem contribuir, ainda que indiretamente, para conter a alta nos preços do arroz.

"O governo atualmente mantém um câmbio mais elevado para promover a exportação. Mas acredito que acabou subindo para além do esperado, principalmente pela pandemia", aponta o analista de agronegócios.

Outro fator importante para diminuir o preço do arroz seria barrar a alta do dólar. "Para tal, é preciso dar sinais positivos ao mercado, como as propostas de reformas ou uma política econômica com responsabilidade fiscal", completa.

Aumento na Grande BH


O preço médio do arroz subiu 57,4% entre novembro do ano passado e outubro deste ano, segundo as pesquisas do Mercado Mineiro e do app Com Oferta. O salto foi de R$ 14,25 para R$ 22,43 em apenas doze meses.

Um pacote de 5kg do alimento foi encontrado de R$ 12,57 a R$ 27,99 durante esse período na capital mineira. "O consumidor tem que redobrar a atenção e não comprar muito. Não estocar achando que vai disparar o preço, pois isso é muito ruim", pontua Feliciano Abreu, economista e coordenador do Mercado Mineiro.


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