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Estado de Minas COLAPSO NA PANDEMIA

Metrôs e trens correm o risco de parar em todo o país, alerta associação

Associação Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos afirma que queda da demanda por causa da pandemia de COVID-19 já fez setor registrar déficit de R$ 4,5 bilhões


10/08/2020 15:11 - atualizado 10/08/2020 16:17

 
Serviço de transporte sobre trilhos pode ser interrompido no Brasil(foto: Divulgação/ Internet)
Serviço de transporte sobre trilhos pode ser interrompido no Brasil (foto: Divulgação/ Internet)
Altamente atingido pela crise da pandemia do coronavírus (COVID-19)  o setor de transporte de passageiros sobre trilhos no país corre risco de colapso, com a possibilidade de interrupção do serviço de trens, metrôs e VLTs para a população.  O alerta é da Associação Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos (ANPtrihos), que representa as empresas operadoras de transporte de passageiros sobre trilhos em todo o Brasil.

“Com mais de cinco meses sendo altamente afetados pela queda de demanda, os operadores do transporte de passageiros sobre trilhos já consolidam um déficit de mais de R$ 4,5 bilhões, apenas com a queda das receitas tarifárias. Esse prejuízo já coloca em risco a manutenção da operação de transporte em alguns sistemas no Brasil”, informo a ANPTrilhos, por meio de nota. 

A entidade lembra que vem alertando autoridades do Executivo e do Legislativo, tanto federais quanto estaduais sobre  a condição crítica de alguns sistemas de transporte de passageiros por trem e metrô no país.

A associação  chama a atenção para a necessidade de aprovação do Projeto de Lei do Socorro Emergencial ao Transporte Público (Substitutivo ao PL 3.554/2020), em discussão na Câmara dos Deputados, “como uma maneira de evitar o colapso das operações de transporte urbano no país”.

Foi apresentado na semana passada, um substitutivo ao projeto, que prevê a prioridade para alocação dos recursos provenientes do socorro emergencial na aquisição de veículos. A ANPTrilhos contesta essa prioridade, alegando que as empresas de transporte, em todo o país e de todos os modos (ferroviário, aquaviário, rodoviário e aéreo) passam por uma grave crise de demanda, necessitando, portanto, de dinheiro em caixa para poder honrar seus compromissos financeiros e manter as operações em andamento.

A  entidade argumenta que os parlamentares devem buscar a isonomia no tratamento dos diversos sistemas frente ao projeto do socorro emergencial ao transporte público de passageiros “como uma maneira de evitar o colapso das operações de transporte urbano no país”.

“É preciso que os legisladores estejam atentos para a real necessidade dos operadores de transporte em todo o Brasil. Caso o dinheiro não seja destinado, prioritariamente, ao caixa das empresas, seja por aquisição de bilhetes sociais, reequilíbrio econômico-financeiro de contratos, ou qualquer outro modelo, as operações entrarão em colapso no curtíssimo prazo”, adverte o presidente presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores.
 
Ele lembra que o novo texto do projeto de lei, apresentado em 5 de agosto, traz uma nova metodologia para a  repartição dos recursos entre os entes federativos, definindo que os municípios que integram as regiões metropolitanas deverão dividir os recursos a que fazem jus com os estados, na proporção de 70% para municípios e 30% para estados. 

“Não faz o menor sentido os municípios com mais problemas e maiores estruturas de mobilidade receberem, proporcionalmente, menos recursos. Na verdade, os recursos a serem destinados aos estados deveriam se somar àqueles recebidos por esses municípios e não serem divididos. O que se vê aqui é uma inversão completa dessa lógica”, afirma o presidente da ANPTrilhos. 

Como impacto desse novo  dispositivo, a ANPTrilhos alerta para o fato de que os corredores e sistemas estruturantes de transporte ficarão, praticamente, excluídos da possibilidade de receber o socorro emergencial.  “Os sistemas de alta capacidade de transporte, como trens e metrôs, só tem como ser socorridos com recursos provenientes dos estados. A redução desses recursos acaba impossibilitando o socorro às empresas do setor, uma vez que eles também precisam ser destinados aos demais modos geridos pelos estados, tais como o transporte aquaviário e rodoviário interestadual”, observa Flores. 

Baque da pandemia

 
Conforme a APNTrilhos, o setor  metroferroviário de passageiro é responsável pelo transporte diário de 12 milhões de passageiros, atendendo 70 municípios, com fluxo intenso nos centros urbanos e grandes regiões Metropolitanas,desta forma, sendo essencial para os deslocamentos da população, sobretudo, para o trabalho.

Porém, divulgou a entidade, devido a redução da circulação de pessoas nas cidades, devido à pandemia da COVID-19, o setor contabilizou, no primeiro  semestre de 2020, um movimento em torno de 880 milhões de passageiros, representando apenas 43% do previsto para o período. Ou seja: a redução foi de 57%.

Isso gerou um impacto na arrecadação do setor, que consolida uma perda de arrecadação, apenas com bilheteria, que ultrapassa os R$ 4 bilhões,  relata a ANPTrilhos. Ainda conforme a entidade,  a aprovação do socorro emergencial no Congresso é a esperança para que se  amenizar o baque provocado pela crise do coronavirus e  garantir a manutenção dos serviços de transporte de passageiros de trens e metrôs em todo país.
 


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