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Estado de Minas EUREKA

Tecido para roupas e carros promete eliminar COVID-19

A pandemia levou a apressar o desenvolvimento do fio com ativos que bloqueiam a contaminação e a proliferação de vírus e bactérias


postado em 02/07/2020 07:03 / atualizado em 02/07/2020 07:38

(foto: pixabay)
(foto: pixabay)

Desafiadas pela pandemia da COVID-19, indústrias brasileiras intensificaram pesquisas e desenvolvimento de tecidos inteligentes, capazes de neutralizar o coronavírus e várias bactérias.

A Rhodia do Brasil criou um fio de poliamida antiviral e antibacteriano para confecção de tecidos para diversas aplicações, como vestuários e bancos de veículos. A startup Nanox desenvolveu um composto químico que, impregnado ao tecido, também evita a ação do vírus.

A pandemia foi o que levou a Rhodia a apressar o desenvolvimento do fio com ativos que bloqueiam a contaminação e a proliferação de vírus e bactérias. Se o tecido feito com o fio receber o vírus (por toque de mãos ou espirros, por exemplo), ele se torna inativo e perde a capacidade de contágio. Seu efeito é permanente, ou seja, não perde a capacidade após lavagens.

A Rhodia já começou a exportar o fio, chamado de Amni® Virus-Bac OFF para a Itália e negocia com outros países da Europa, Ásia e EUA. O produto teve sua eficácia comprovada por laboratório independente, seguindo protocolos têxteis das normas internacionais ISO 18184 e AATCC100. Ele também neutraliza também outros vírus como influenza e herpesvírus.

O professor Fernando Barros de Vasconcelos, que coordenou por 40 anos o curso de engenharia têxtil da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), afirma que há alguns anos a indústria passou a agregar aos tecidos tecnologias com diferentes atributos, como proteção solar, anticelulite e que ajudam em cicatrizações. "A Rhodia é pioneira na tecnologia de aplicar produtos dentro dos fios de poliamida para diferentes funções", diz.

"O fio não é um escudo contra o coronavírus, mas algo adicional no seu combate para trazer mais segurança aos usuários, e não substitui os cuidados orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)", ressalta Renato Boaventura, vice-presidente de Poliamida e Fibras da Rhodia.

Proteção em carros


Única empresa homologada pela Rhodia para fabricar e distribuir produtos com o novo fio para o setor automotivo, a Chroma-Líquido Tecidos Tecnológicos vai colocar no mercado, ainda este mês, capas protetoras para bancos de veículos que serão vendidas em concessionárias.

Segundo Luís Gustavo de Crescenzo, sócio-diretor da Chroma-Líquido, cinco montadoras já pediram estudos para uso do tecido nos bancos na fase da produção dos carros.

A empresa é uma joint venture entre a Chroma, que atua na prestação de serviços para o setor automotivo, e da Líquido, da área têxtil. A empresa também tem exclusividade de fornecimento para o setor aéreo e o de transporte público.

O fio Amni tem um leque enorme de aplicações, afirma Crescenzo. Ele lista como exemplos camisetas, roupas para ginástica, máscaras, uniformes escolares, tapetes, assentos do metrô e de aviões. "Nos ônibus, por exemplo, além dos assentos é possível forrar as barras de apoio e o usuário só terá contato com áreas protegidas."

Dois aeroportos de São Paulo e Mato Grosso do Sul também pediram o material para encapar bancos de espera e balcões de check-in. Uma grande rede de varejo encomendou tecidos para forrar as alças dos carrinhos de compras e tapetes para colocar nos caixas e nos balcões de atendimento, como os de setores de frios e carnes.

Boaventura avalia que os produtos com o fio antiviral vão custar, em média, 20% a mais que aqueles feitos em tecido normal. Malharias como Santaconstancia, Berlan e Lupo já estão lançando coleções com tecidos de fio Amni. A Rhodia produz o fio na unidade de Santo André (SP). Neste ano, a venda do produto deve representar 30% do faturamento da empresa.

A Chroma-Líquido vê um potencial superior a R$ 5 bilhões para seus produtos. Nos próximos 12 meses deve produzir 2 mil toneladas de tecidos com o novo fio e faturar R$ 250 milhões - em 2019, a Chroma faturou R$ 100 milhões. A linha de produção fica no bairro do Pari, em São Paulo, e tem 400 funcionários. Mais 500 serão contratados ao longo do ano.


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