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Estado de Minas COVID-19

Crédito emergencial do governo não chega para as empresas mineiras

Pesquisa mostra que exigências e juros altos dos bancos travam a ajuda do governo para empresários. Só 6,4% conseguiram recursos


postado em 09/05/2020 04:00 / atualizado em 09/05/2020 07:22

Com portas fechadas por determinação das autoridades, pequenos negócios não geram caixa e ficam sem dinheiro dos bancos para manter empregos e contas em dia(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press 24/3/20)
Com portas fechadas por determinação das autoridades, pequenos negócios não geram caixa e ficam sem dinheiro dos bancos para manter empregos e contas em dia (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press 24/3/20)


As empresas mineiras que estão buscando créditos ou tentando acessar os recursos emergenciais disponibilizados pelo governo federal durante a pandemia do novo coronavírus estão encontrando dificuldades e muitas delas ouvindo um sonoro não das instituições financeiras. Apenas 6,4% das micro e pequenas empresas do estado tiveram acesso a algum tipo de crédito para enfrentar a crise da COVID-19. É o que mostra pesquisa realizada pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais (Federaminas) para avaliar o acesso das empresas aos benefícios governamentais para sobrevivência e manutenção das atividades.

Entre as pesquisadas, 39% disseram não ter buscado recursos nas fontes dos governos federal e estadual, enquanto outras 61% recorreram às medidas anunciadas para dar suporte financeiro às empresas durante a crise, distribuídas entre as 6,4% que buscaram e tiveram êxito e ainda 31,5% que tentaram e desistiram e outras 23,2% que optaram por usar os créditos, mas não conseguiram. A pesquisa foi feita entre os dias 25 e 28 de abril e ouviu 911 empresas no estado.

De acordo com o levantamento, o percentual de empresas sem acesso aos créditos emergenciais pode ser maior, uma vez que dos 39% que não requisitaram financiamento, menos da metade (44%) declarou estar capitalizada e não necessitar de apoio. “Se somarmos o medo de não ser bem-sucedido (11,3%), o desconhecimento/desinformação (13%) e o preconceito de pensar que será um processo muito burocrático (15,8%), teremos, então, um total de 40,1%. Isso significa dizer que quase metade das que não tentaram o fizeram por causa de situações ligadas à transparência, comunicação e informação” e não por não precisar, segundo conclusão do relatório do levantamento da Federaminas.

“As empresas vinham de uma crise econômica e de uma hora para outra tiveram que fechar. Agora não têm fluxo de caixa e precisam de ajuda para atravessar esse período, mas não têm acesso ao crédito porque os juros são altos e os bancos têm travas burocráticas”, afirmou ontem o presidente da Federaminas, Valmir Rodrigues. Ele alerta que o quadro de prolongamento das medidas de isolamento associado à “falta de crédito” acessível pode levar ao fechamento de 84,1% dos negócios, com corte de 3,6 milhões de postos de trabalho no estado, conforme previsão feita em pesquisa da entidade no início de abril.

Valmir informa que os empresários reivindicam dos governos estadual e federal uma flexibilização das exigências creditícias, assim como a redução das taxas de juros, para que os pequenos negócios possam ter acesso aos recursos emergenciais. “O Congresso Nacional aprovou linha de crédito com recurso do BNDES com juro de 3,75% ao ano. E isso tem que chegar aos negócios”, afirma o presidente da Federaminas, numa referência ao projeto de lei que concede linha de crédito especial às micro e pequenas empresas aprovado no Congresso na semana passada e que aguarda sanção presidencial. O projeto destina R$ 15,9 bilhões para financiar micro e pequenas empresas até o limite de 30% do faturamento do ano anterior, encargos de Selic mais 1,25%, o que corresponde a menos de 5% ao ano, e carência de oito meses.

Dificuldades Hoje, segundo Valmir, os bancos cobram taxas que passam de 3% ao mês nas linhas próprias e variam de 1,19% a 1,8% em linhas especiais e instituições cooperativadas. “O problema é que o crédito no banco privado depende de cadastro e a empresa já não estava numa situação boa por causa da crise econômica e não tem como estar com tudo em dia. Ela não vai pagar menos de 2,5%. O que nós estamos pedindo é que é preciso fazer chegar esses recursos ao pequeno empresário”, afirma. A pesquisa mostra as dificuldades. No universo das que buscaram algum tipo de crédito, 51,6% desistiram, 37,9% não conseguiram e 10,4% conseguiram algum financiamento. Isso mostra que, entre as empresas que buscaram algum tipo de ajuda, nove em 10 tiveram sua intenção frustrada.

O levantamento mostrou ainda que 47% das empresas não obtiveram êxito por excesso de burocracia e desinformação dos bancos e 31,4% não conseguiram tomar o crédito por considerar os juros altos demais. Segundo o presidente da Federaminas o grande problema hoje é a burocracia. “O dinheiro sai do BNDES e vai para o banco privado, que é o garantidor. Com isso, ele cria as restrições. Esse é o grande problema e o que talvez possa ser feito e já está sendo negociado é que o Banco Central passe a ser o garantidor” nessas linhas de crédito emergenciais. “Os incentivos governamentais não estão chegando a quem mais precisa”, acrescentou

O muro do dinheiro

Recursos emergenciais do governo

Não buscaram 39%
Tentaram e desistiram 31,5%
Tentaram e não conseguiram 23,2%
Conseguiram crédito 6,4%

Motivos dos que desistiram

Juros altos 31,4%
Burocracia excessiva 27,5%
Optaram por outra linha 21,6%
Desinformação dos bancos 19,5%

Motivos dos que não conseguiram

Restrição de cadastro 54,5%
Sem mais informações 19,9%
Falta de garantias 17,1%
Aguardam retorno 8,5%

Fonte: Federaminas


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