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Estado de Minas TRAGÉDIA DE BRUMADINHO

Com ações em queda, Vale fala em diálogo transparente

Novo presidente, Eduardo Bartolomeo, terá a tarefa de garantir as operações da empresa, conduzir processos de indenização e de reparação dos efeitos da tragédia em Brumadinho


postado em 05/03/2019 05:06 / atualizado em 05/03/2019 08:04

Área atingida pelo vazamento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale: investidores reagiram na bolsa de Nova York à troca de comando na companhia(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 19/2/2019)
Área atingida pelo vazamento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale: investidores reagiram na bolsa de Nova York à troca de comando na companhia (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 19/2/2019)


No dia seguinte ao anúncio do afastamento do presidente e de três diretores da mineradora Vale, as ações da companhia sofreram baque nos Estados Unidos. No Brasil, não houve pregão na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, devido ao carnaval. Os chamados títulos de crédito ADRs (American Depositary Receipts) da Vale sofreram queda de até 3,7% na manhã de ontem na Bolsa de Nova York. Sob pressão das recomendações da força-tarefa criada pelo Ministério Público e a Polícia Federal para investigar o rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, o então presidente da companhia, Fabio Schvartsman, pediu sua destituição temporária.

Idêntico pedido foi feito também pelos diretores Gerd Peter Popinga, da área de ferrosos e carvão; Lúcio Flávio Gallon Cavalli, de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão; e Silmar Magalhães Silva, que comandava as operações no Corredor Sudeste. A tragédia em Brumadinho deixou pelo menos 182 mortos e mais de 100 desaparecidos. Os ADRs da Vale recuperaram parte da desvalorização ao longo da sessão na bolsa norte-americana, tendo descido a US$ 11,96 às 11h30, no horário de Brasília, para retornar a US$ 12,36 às 13h30.

A Vale distribuiu comunicado com mais informações sobre Eduardo Bartolomeo, escolhido como presidente interino da mineradora após o afastamento de Fábio Scharvtsman. De acordo com a empresa, o executivo, “reconhecido por acumular experiências distintas e, ao mesmo tempo, conhecer o negócio da Vale, manterá diálogo aberto e transparente com os diversos stakeholders (os públicos de interesse) da companhia”.

Segundo a mineradora, a escolha de Bartolomeo seguiu o processo sucessório de acordo com o plano de interinidade previamente discutido pelo Conselho de Administração. “Sua escolha está alinhada com o objetivo de trazer um executivo sênior para garantir estabilidade às operações da Vale, continuidade do processo de indenização, reparação e mitigação dos efeitos do rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão”, afirmou a Vale no texto.

A empresa forneceu detalhamento das recentes funções de Bartolomeo e também enumerou suas qualidades, ao dizer que ele “é um executivo sênior com sólida experiência em operações integradas de bulk commodities, supply chain, e turnaround de negócios”. De acordo com o comunicado, Bartolomeo “possui experiência em liderar operações complexas e estabelecer uma cultura de excelência operacional”.

No texto, a Vale diz que o executivo tem experiência de 10 anos na empresa, já tendo exercido a posição de diretor-executivo de Logística, Operações Integradas de Bulk Commodities (minério de ferro, carvão e manganês) e, mais recentemente, como diretor-executivo de Metais Básicos. Foi também membro do Conselho de Administração, do Comitê Financeiro e do Comitê de Governança, Conformidade e Risco da Vale entre 2016 e 2017, acrescentou a companhia.

Bartolomeo também trabalhou na Ambev entre 1994 e 2003, “tendo exercido funções executivas, sendo a última como diretor de Operações” e, segundo o comunicado da Vale, tem também experiência como diretor-presidente e conselheiro em outras empresas.

Carreira Na gestão de Roger Agnelli, que durou 10 anos e se encerrou em 2011, Bartolomeo exerceu dois cargos: nos primeiros dois anos na mineradora, de 2004 a 2006, ele foi diretor do Departamento de Operações Logísticas. Em 2007, foi promovido a diretor-executivo da mineradora, gerenciando operações e minas, ferrovias e portos. Nessa época, liderava uma equipe de 60 mil funcionários.

Pouco tempo depois da saída de Agnelli, em 2011, com a forte pressão do governo Dilma Rousseff para a troca do comando da mineradora, o presidente interino deixou as funções executivas da companhia durante a gestão de Murilo Ferreira, que se estendeu até 2017.

No fim da gestão de Ferreira, em setembro de 2016, Bartolomeo foi escolhido para representar o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES) no conselho da empresa, em cargo que já havia ocupado Luciano Coutinho, ex-presidente do banco de fomento. O agora presidente da companhia permaneceu nessa posição até dezembro de 2017.

Bartolomeo voltou à Vale por intermédio de Schvartsman, um mês após deixar o conselho. Em janeiro de 2018, assumiu a diretoria-executiva de metais básicos da companhia. Somada à experiência na gestão de Agnelli, o executivo acumula quase uma década como executivo da mineradora.

 

 

Quem é ele
Eduardo de Salles Bartolomeo
Experiência na Vale: quase 10 anos
Áreas que comandou: Logística, operações integradas de minério de ferro, carvão e manganês, metais básicos
Participação em conselhos: de Administração, comitês Financeiro, de Governança, Conformidade e Risco

Rebaixada
O Scotiabank, uma das maiores instituições financeiras das Américas, com sede no Canadá, cortou ontem sua recomendação para a Vale de outperform (acima da média do mercado) para sector perform (na média do mercado). O rebaixamento ocorreu depois que Fabio Scharvtsman pediu afastamento temporário da presidência da Vale, no sábado, e ser substituído interinamente por Eduardo de Salles Bartolomeo.


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