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Estado de Minas

Alarme falso de greve de caminhoneiros vira caso de polícia em MG

Policiais civis foram ontem aos postos da Grande BH para verificar a ocorrência de abusos com as filas para abastecer no fim de semana. Notícia nas redes é investigada


postado em 05/09/2018 06:00 / atualizado em 05/09/2018 07:50

Operação vistoriou 35 revendas na capital. Preço da gasolina está 1,68% mais caro na refinaria a partir de hoje (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)
Operação vistoriou 35 revendas na capital. Preço da gasolina está 1,68% mais caro na refinaria a partir de hoje (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)

A onda de boatos que levou centenas de motoristas da Região Metropolitana de Belo Horizonte a lotar postos de gasolina com medo de uma nova paralisação de caminhoneiros motivou dois movimentos da Polícia Civil. Por um lado, a corporação já investiga a criação de notícias falsas para alarmar a população sobre novos movimentos grevistas que poderiam desabastecer o país. Por outro, a polícia intensificou ontem a Operação Preço Justo 2, com o objetivo de verificar se donos de postos de gasolina estão se aproveitando do aumento do movimento registrado nos últimos dias para explorar o consumidor de forma injustificada. De acordo com a Polícia Civil, a lei prevê punição criminal para aumentos que superem 20% de reajuste sem motivo, o que configura crime contra a economia popular.

Ontem, a Petrobras anunciou aumento de 1,68% a partir de hoje no preço médio do litro da gasolina sem tributo nas refinarias. O valor de 2,2069 estabelece nova máxima histórica desde que a estatal passou a divulgar o preço médio diariamente em seu site, em 19 de fevereiro. A alta acumulada no período é de 45,7%. Na ocasião, o preço médio da gasolina estava em R$ 1,5148. A recente escalada de preços, que supera os valores atingidos durante a greve dos caminhoneiros, teve início no último dia 23, quando a gasolina voltou a ser negociada acima de R$ 2. O preço do diesel, que seguia congelado desde 1º de junho, permanece em R$ 2,2964, após o reajuste de 13% anunciado na sexta-feira. O valor será mantido até 29 de setembro.

"A Polícia Civil vem fazendo monitoramento via serviço de inteligência no sentido de identificar notícia falsa que esteja sugerindo esse tipo de aumento . Já existe a infiltração de policiais em vários grupos"

Felipe Nogueira Martins de Carvalho, delegado


O delegado Júlio Wilke, que chefia o Departamento Estadual de Investigação de Fraudes da Polícia Civil, diz que a corporação pode legalmente atuar na punição quando o aumento chega aos 20% sem motivo, mas a operação também busca prevenir e orientar prováveis oportunistas que, apesar de não cometerem crime, se aproveitam da situação para aumentar o preço usando percentuais menores. Dados da última pesquisa do site Mercado Mineiro sobre o preço dos combustíveis compararam o momento antes dos últimos boatos de greve e o último domingo, quando as informações falsas se intensificaram.

No caso do diesel, houve aumentos que chegaram, por exemplo, na casa dos 9%. Já com relação a gasolina, a pesquisa identificou reajuste de 6,25%. Nesses casos, a Polícia Civil não tem condição de responsabilizar criminalmente, mas o delegado Júlio Wilke defende que os motoristas podem tomar providências. “O consumidor também é livre para falar que não vai ao posto porque o dono está se aproveitando”, afirma.

O delegado Felipe Nogueira Martins de Carvalho, que chefia a divisão responsável pelas delegacias de crimes cibernéticos e também de crimes contra o consumidor, acrescenta que a circulação de informações falsas em redes sociais e grupos de WhatsApp está sendo investigada. “A Polícia Civil vem fazendo monitoramento via serviço de inteligência no sentido de identificar notícia falsa que esteja sugerindo esse tipo de aumento. Já existe a infiltração de policiais em vários grupos”, diz o policial.

Operação

Na operação de ontem, policiais foram às ruas de Belo Horizonte na tentativa de flagrar abusos praticados por donos de postos, a partir de denúncias de que a onda de boatos sobre nova paralisação de caminhoneiros estaria motivando aumentos injustificados. A Polícia Civil informou que foram fiscalizados 35 postos de gasolina na capital e região metropolitana, 10 na segunda-feira e 25 ontem. Segundo a corporação, após a abordagem houve pontos de venda que abaixaram o preço, mas não foi contabilizado quantos tomaram a inciativa.

A fiscalização dos preços dos postos agradou a população, que pediu marcação cerrada em cima dos estabelecimentos que insistem em explorar os consumidores. A analista de marketing Gisele Pontes, de 34 anos, disse que no último domingo, quando foi abastecer normalmente, teve a impressão de que o posto que ela procurou, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, pode ter sido oportunista. Foi informado que só tinha gasolina aditivada e tivemos que pagar mais de R$ 5 no litro. Essas operações são importantes para fiscalizar essa situação”, diz ela. O aposentado Carlos Alberto Siqueira, 63, também espera que a Polícia Civil fique atenta a essa situação. “O importante é evitar o abuso para que o consumidor não seja lesado”, afirma.

Os dois primeiros postos verificados por uma das equipes estão na Região Centro-Sul de BH, nas avenidas do Contorno e Getúlio Vargas. Nenhum dos dois apresentou irregularidades. Segundo o delegado Felipe Nogueira Martins de Carvalho, que chefia a divisão responsável pelas delegacias de crimes cibernéticos e também de crimes contra o consumidor, se forem verificados aumentos sem justificativa que cheguem à casa dos 20% cabe responsabilização pelo crime contra a economia popular. A lei prevê detenção de seis meses a dois anos, mas como é um crime de menor potencial ofensivo ele é punido normalmente com penas alternativas, sem a previsão de prisão. “Nosso objetivo é verificar se os postos estão aumentando o preço de forma abusiva”, afirma.

O policial também explica que já existem investigações em andamento para descobrir a autoria de boatos que circulam em grupos de WhatsApp e redes sociais sobre a paralisação de caminhoneiros falsa. Essa situação motivou uma corrida aos postos de gasolina da Grande BH no último domingo. “A Polícia Civil vem fazendo monitoramento via serviço de inteligência no sentido de identificar notícia falsa que esteja sugerindo esse tipo de aumento. Já existe a infiltração de policiais em vários grupos”, diz o policial.

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