
Rio de Janeiro – O volume de serviços prestados teve um avanço de 6,6% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês anterior, o dado foi revisado de uma queda de 3,8% para uma redução de 5,0%.
Na comparação com junho do ano anterior, houve alta de 0,9% em junho deste ano, já descontado o efeito da inflação. Mesmo com a expansão em junho, a taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,9%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 1,2%.
A alta de 6,6% no setor de serviços registrada na passagem de maio para junho foi o melhor desempenho já registrado na série histórica da pesquisa, iniciada em 2011.
Apesar da recuperação registrada pelo setor de serviços em junho, as perdas provocadas pela greve dos caminhoneiros em maio são irreparáveis, avaliou Rodrigo Lobo, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. O volume de serviços prestados cresceu 6,6% em junho ante maio, após um recuo de 5% no mês anterior.
O avanço de junho foi suficiente para levar os serviços a um patamar superior ao de abril, antes que o bloqueio de estradas por todo o país prejudicasse a atividade. Segundo Lobo, embora o volume de serviços prestados supere o nível de abril, a perda do mês seguinte já foi assimilada à trajetória do segmento no ano.
“No fim do ano, se a gente tiver resultado positivo para o setor de serviços, ele teria sido maior ainda se não fosse a greve de caminhoneiros, que provocou perdas irreparáveis. Se for negativo, ele poderia ter sido menos negativo se não fosse a greve”, resumiu Lobo.
Mesmo com o crescimento, o volume de serviços prestados teve um recuo de 0,3% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano. No primeiro trimestre, os serviços já tinham recuado 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2017.
Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os serviços recuaram também 0,3% no segundo trimestre de 2018, a 14ª taxa negativa consecutiva.
Após ter sido prejudicado pela paralisação dos caminhoneiros, que se prolongou por onze dias, o setor de serviços mostrou recuperação em junho em quase todas as atividades pesquisadas.
A única exceção foi o segmento de serviços prestados às famílias, que caiu 2,5% em junho ante maio. “Os restaurantes puxaram essa queda nos serviços prestados às famílias”, explicou Rodrigo Lobo.
O segmento de restaurantes responde por 45% dos serviços prestados às famílias. Segundo Lobo, a situação difícil no mercado de trabalho e na renda familiar leva a uma conjuntura desfavorável, em que as pessoas podem preferir poupar em vez de gastar.
“A greve de caminhoneiros não é preponderante, a queda no segmento (de restaurantes) já vinha de antes. É mais uma questão financeira. As pessoas estão preferindo comer em casa e usando quentinhas informais do que comer em restaurantes. É muito mais uma questão conjuntural do que um entendimento de como a greve de caminhoneiros afetou o setor de restaurantes”, afirmou o gerente do IBGE.
O desempenho extraordinário dos serviços em junho ante maio, com a maior elevação da série histórica, teve influência do salto recorde de 23,4% no transporte terrestre. Com estoques elevados por conta da paralisação, o setor produtivo pode ter contratado mais serviços de frete que o habitual, para dar conta de escoar o que ficou encalhado em maio.
“O cenário mais provável é que tenha sim em transportes algum tipo de devolução desse crescimento mais acentuado de junho na série ajustada sazonalmente”, previu Lobo. “Tanto a parte de serviços deve devolver um pouco, quanto a parte de transporte de cargas também. A base de comparação está extremamente elevada para esse segmento”, completou.
Juntos, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio avançaram 15,7% em junho ante maio, o principal impacto positivo para a alta recorde nos serviços como um todo.
Os serviços profissionais e administrativos subiram 0,4%; os serviços de informação e comunicação tiveram expansão de 2,5%; e o segmento de outros serviços teve alta de 3,9%.
“Transportes são destacadamente o impacto mais positivo, mas é importante o crescimento do setor de informação e comunicação, o mais pesado da pesquisa”, lembrou Lobo.
O segmento de transportes responde por cerca de 32% da média global da pesquisa de serviços, enquanto o setor de informação e comunicação detém fatia de aproximadamente 33%.
Lobo ressaltou que as empresas de tecnologia de informação costumam ter desempenho mais elevado nos meses de fechamento de trimestre, o que teria ajudado o setor de informação e comunicação em junho. O agregado especial das Atividades turísticas aumentou 1,0% na passagem de maio para junho.
"No fim do ano,
se a gente tiver resultado positivo para o setor de serviços, ele teria sido maior ainda se não fosse a greve de caminhoneiros, que provocou perdas irreparáveis.
Se for negativo, ele poderia ter sido menos negativo se não fosse a greve”
.Rodrigo Lobo,
gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE
» Recuperação lenta
Volume de serviços
Mês Variação(mês/mês anterior) Variação (cumulado 12 meses/sob igual período)
jun/17 0,8% -4,7%
jul -0,3% -4,6%
ago -0,1% -4,5%
set 0 -4,3%
out -0,1% -3,7%
nov 1 -3,4%
dez 1,2% -2,8%
jan/18 -1,7% -2,7%
fev 0,1% -2,4%
mar -0,2% -2,1%
abr 1,1% -1,4%
mai -5% -1,6%
jun 6,6% -1,2%
Fonte: IBGE
