Publicidade

Estado de Minas

Sindicato das lotéricas vai à Justiça contra possibilidade de fazer apostas pela internet

Presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos de Minas Gerais (Sincoemg), Paulo César da Silva, considera que medida é 'injusta" e trará grande impacto no movimento das lojas


postado em 10/08/2018 17:23 / atualizado em 10/08/2018 18:11

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

A Caixa Econômica Federal lançou nesta sexta-feira novo canal de apostas. A partir de agora será possível fazer os jogos online sem a necessidade de ir as casas lotéricas. Outro benefício é a possibilidade de pagar com cartão de crédito as apostas.

O novo serviço, no entanto, não agradou os donos de lotéricas que já anunciaram que vão à Justiça para tentar barrar o serviço. No entendimento do sindicato dos  estabelecimentos, que até então tinham o monopólio da realização dos jogos, a medida é injusta já que oferece, além da comodidade, novas formas de pagamento, vedadas quando feitas pessoalmente.

De acordo com Paulo Cesar da Silva, presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos de Minas Gerais (Sincoemg), a expectativa inicial da Caixa de atrair cerca de 3% das apostas para o ambiente online deve, em breve, ser ultrapassada e representar profundo impacto no movimento das lojas físicas.

“A medida que você for acostumando o que vai acontecer é que as pessoas vão entrar na internet, além disso, elas ainda vão poder pagar com cartão de crédito, sendo que na loja nem cheque podemos receber.”, disse, considerando que boa parte dos clientes devem fazer a troca.

Ele afirma que as entidades que representam os donos das lotéricas vem debatendo o assunto com a Caixa, mas que não conseguiram êxito. Como pelo diálogo não foi possível chegar a um acordo o próximo passo é recorrer à Justiça. Ele afirma que, além da nova forma de realizar as apostas, a forma de remuneração das lotéricas devem deve ser alvo de questionamento.

Paulo considera que a não ida dos clientes até loja vai prejudicar o rendimento de outras modalidades de jogos. “A pessoa vindo até a loja ela é estimulada a participar de um bolão, ela aposta em outras modalidades, como as raspadinhas. Ele consome outros produtos”, considera.

O presidente do sindicato ainda afirma que as lotéricas localizadas na Zona Sul devem ser as mais prejudicadas. “Geralmente, são grandes apostadores, pessoas que jogam valores altos. E muitos ainda têm secretárias que, provavelmente, vão receber a tarefa de registrar as apostas”, frisou.

No entendimento da Caixa, a nova forma de fazer apostas tem como foco principal os jovens, mais habituados ao ambiente online. As apostas mínimas são de R$ 30 e as máximas de R$ 500 por dia e valem para os jogos da Mega-Sena, Lotofácil, Quina, Lotomania, Timemania, Dupla Sena, Loteca e Lotogol.

Antes do lançamento da plataforma, apenas os correntistas da Caixa podiam fazer apostas pela internet.

"Queremos atingir um público mais jovem, das gerações Y e Z, os chamados Millenials. É um público que está totalmente incluído no mundo digital e não vai às lotéricas apostar ou pagar suas contas", afirmou, em nota, Gilson Braga, superintendente nacional das Loterias do banco.

A expectativa da instituição financeira é de aumentar em 3% o volume total de apostas no primeiro ano.

Não é possível, entretanto, apostar pela internet na Loteria Federal e também não há a comercialização de bolão, que continuam de exclusividade das lotéricas.

Para apostar, basta ser maior de 18 anos, possuir um cartão de crédito e fazer um cadastro prévio no site Loterias Online.

O presidente da Caixa, Nelson de Souza, também destacou que o lançamento da plataforma deve impulsionar a arrecadação, o que beneficia toda a sociedade.

"A arrecadação e os prêmios ofertados vão aumentar, motivando os apostadores a realizar mais jogos. Consequentemente, aumenta também o repasse das Loterias para setores importantes da sociedade", afirmou, em nota. (Com Estadão Conteúdo)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade