Publicidade

Estado de Minas

Preço alto de combustíveis e greve turbinam conversão para gás veicular

Demanda de motoristas cresceu cerca de 50%, nesta semana, em oficinas especializadas na instalação de kits e já há filas de espera. Gasmig contabiliza 1,6 mil carros convertidos


postado em 01/06/2018 06:00 / atualizado em 01/06/2018 09:28

Oficinas da Grande BH trabalharam no feriado para dar conta de atender ao aumento da demanda de conversão de veículos de passeio (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)
Oficinas da Grande BH trabalharam no feriado para dar conta de atender ao aumento da demanda de conversão de veículos de passeio (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)

Os últimos aumentos dos preços dos combustíveis e o desabastecimento gerado com a greve dos caminhoneiros fizeram explodir em Minas Gerais um mercado que vinha crescendo desde o início do ano, mas sem imaginar tamanha projeção: os serviços de conversão de veículos para o gás natural veicular, o GNV. Desde segunda-feira, a demanda por orçamentos nas oficinas especializadas cresceu cerca de 50% e já há filas de espera de 30 dias para a adaptação dos kits.

 

Diante da polêmica política de preços da Petrobras, e dos reajustes seguidos dos preços nas bombas das revendas, cada vez mais motoristas tem optado pelo uso do GNV. Nos últimos seis meses, a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) contabilizou mais de 1,6 mil conversões feitas no estado.

 

A corrida para adaptar os veículos, nesta semana, foi tanta que algumas oficinas funcionaram ontem, feriado de Corpus Christi, para conseguir atender à demanda. Foi o caso da Automecânica Instalação Xavier, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O dono, Thalles Alexander Santos Xavier, conta que a procura aumentou 150%. A empresa, que geralmente recebe de sete a oito carros por semana, fez o serviço em 20 veículos durante os dias críticos do movimento grevista dos caminhoneiros. “Tem que trabalhar no feriado, senão não consigo. A oficina está lotada, sai um carro e entram dois”, comemora.

 

Segundo Thalles Xavier, o cenário de aumentos sucessivos dos preços da gasolina tem empurrado os motoristas à busca de alternativas. “Encareceu demais a gasolina e, com isso, cresceu a demanda para instalar o kit para a conversão. O gás é mais barato e rende um pouco mais que o combustível líquido”, disse. O dono da mecânica observa que o metro cúbico do gás custa, hoje, cerca de R$ 2,70, enquanto o litro da gasolina custa quase R$ 5. Além disso, um carro que percorre de 8 a 10 quilômetros com um litro do combustível tradicional rodaria de 10 a 13km com quantidade proporcional de gás.

 

“É o medo de ficar sem combustível e a previsão de que a gasolina vai aumentar que está trazendo as pessoas”, avalia. Na Gasflex, em BH, a procura também explodiu nesta semana e não foi possível nem atender a todos os pedidos. Da média diária de 70 telefonemas em que o consumidor busca informações sobre o GNV, a oficina passou a atender em torno de 300 ligações por dia.

 

“Estou fazendo média de 10 carros por dia. Nossa agenda do mês já está completa, só temos vaga para julho”, conta o dono da empresa, Mauro Bopp. Segundo ele, desde dezembro, quando os aumentos da gasolina ficaram mais frequentes, a busca por converter os veículos tem crescido e o faturamento da Gasflex já cresceu mais de 100%.

 

Bopp diz que o gás costumava ser um combustível marginalizado nma visão do consumidor, com fama de provocar defeito nos motores, mas essa cultura já está mudando. “Isso não é verdade, porque o kit atual funciona na gasolina e quando o carro esquenta passa para o gás. O carro continua bicombustível, rodando a gasolina, álcool e gás”, explica. A conversão feita na Gasflex custa, hoje, R$ 4,5 mil para os carros de passeio. Na mecânica de Thalles Xavier, o custo é de R$ 3,8 mil. Se a opção for o kit antigo, para carros fabricados antes de 2000, o valor é R$ 1,8 mil.

 

O Kit comum, usado em carros antigos, é mais barato por ser uma adaptação. O novo e mais caro, chamado de 5ª geração, segundo os mecânicos, consiste numa central própria computadorizada e o carro reconhece melhor o sistema, por isso, o equipamento não afeta tanto a potência do carro.

Na balança


O empresário Wellington Mayrink Dias, 49 anos, recebeu ontem o carro Polo Sedã convertido para o gás da oficina que contratou para o serviço. Ele tentou contato em sete empresas da Grande BH até conseguir uma vaga. “Já queria fazer há algum tempo, para economizar um pouco. Logo que começou essa greve (dos caminhoneiros), os preços aumentaram muito e surgiram as filas, resolvi não adiar mais”, disse. Mayrink conseguiu comprar um kit usado por R$ 2 mil e a instalação custou ao redor de R$ 650.

 

 

Para o empresário, o investimento vale a pena. “Você faz economia de mais ou menos 30% na despesa com combustível e não fica refém, todo dia, de aumentos de gasolina e, agora, também dessas filas” disse. A desvantagem é que, para quem tem carro hacth, cerca de 70% do espaço do porta-malas será perdido. Nos veículos sedã, será 30% de perda. Há quem considere também a desvalorização do veículo porque é preciso furar a lataria, alterando as características originais do carro.

Carro elétrico

 

A procura por informações sobre o carro elétrico, outra opção para quem não quer ficar refém da gasolina, aumentou, da mesma forma, em Belo Horizonte na loja da Toyota, que comercializa o único veículo do tipo vendido no Brasil, o Prius. “A gente recebeu ligações, esta semana, de gente procurando se informar. Muitos pensam que o carro funciona só na base da eletricidade e, na verdade, não é assim. Ele precisa também de combustível, e a gente explica que são dois motores, um elétrico e outro a combustão, sendo que um alimenta o outro”, explica o executivo de grandes contas da revendedora, Wellington Acácio Vieira da Silva.

 

Segundo ele, a Toyota comercializa o Prius desde 2013 – o carro custa de R$ 120 mil a R$ 128 mil – e deve trabalhar com um Corolla elétrico a partir de 2020. A expectativa é de que o preço baixe se a pressão feita junto ao governo federal para reduzir a taxa da importação do veículo surtir efeito. “Enquanto as outras montadoras investem em motores menores e turbo, a Toyota está indo para esse lado mais sustentável de motores híbridos. Tem crescido muito o interesse por eles”, afirma.

Campanha dá bônus a motorista

 

A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou campanha de incentivo à conversão dos veículos para o GNV em dezembro do ano passado. A promoção GNV Roda Mais oferece R$ 2 mil de bônus em dinheiro creditado no cartão para os primeiros 4 mil veículos que fizerem o procedimento em uma das oficinas convertedoras parceiras, homologadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) – atualmente são 10 em MG e há mais 4 em processo de homologação. Até agora, a adesão foi de 1,6 mil veículos, sendo que 73% dos participantes são motoristas de aplicativos, taxistas, frotistas, representantes comerciais e profissionais liberais.

Belo Horizonte conta, hoje, com 21 postos que fornecem o GNV e uma frota de 11.335 veículos movidos a gás. Em todo o estado, são 54 postos que fornecem combustível 24 horas por dia, já que o abastecimento é feito por meio de gasodutos. De acordo com a Gasmig, o volume de vendas de GNV cresceu cerca de 26% nesses últimos dias. O recorde do volume diário de vendas foi observado na segunda-feira, quando foram comercializados 162,4 mil metros cúbicos.

O Rio de Janeiro teve os mesmos 50% de aumento na procura pela conversão dos veículos nesta última semana e, em São Paulo, o incremento foi de 50%. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Gás Canalizado (Abegás), o consumo médio do combustível em abril chegou a 5,9 milhões m³/dia em todo o Brasil, representando crescimento de 12,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A Abegás faz algumas recomendações ao consumidor que deseja converter seu veículo para o abastecimento a gás. É preciso instalar o Kit GNV em oficinas homologadas pelo Inmetro e se informar sobre qual o modelo mais adequado para o veículo. Depois de instalado o equipamento, é preciso fazer a inspeção veicular e retirar o certificado de segurança, depois da vistoria. Com isso, e o documento original do veículo em mãos, é preciso atualizar a documentação junto aos Detrans (os departamentos estaduais de trânsito). (JC)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade