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Estado de Minas

Caminhoneiros ameaçam 'meter fogo' em veículos que deixarem bloqueio

Áudios circularam em grupos de motoristas


postado em 30/05/2018 10:45 / atualizado em 30/05/2018 16:22


Relatos de ameaças por redes sociais dos caminhoneiros e até ataques aos motoristas que tentam retomar o transporte de combustível e gás ainda inibem muitos condutores de voltar ao trabalho, especialmente os autônomos. A reportagem do Estado de Minas ouviu trabalhadores que tinham os áudios de ameaças gravadas em seus smartphones e que por esse motivo preferem aguardar o fim oficial do movimento, mesmo levando cada vez mais prejuízos.
Longa fila formada por caminhões tanque na frente da Refinaria Gabriel Passos, em Betim. Caminhoneiros autônomos são ameaçados(foto: Jair Amaral/E.M/D.A.Press)
Longa fila formada por caminhões tanque na frente da Refinaria Gabriel Passos, em Betim. Caminhoneiros autônomos são ameaçados (foto: Jair Amaral/E.M/D.A.Press)

No primeiro áudio, ocorre a constatação de um dos integrantes da paralisação que está na refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, de que algumas pequenas distribuidoras estão tentando transportar combustível e furar o movimento. No segundo áudio, a reação do membro do movimento de paralisação é impedir o transporte da distribuidora a qualquer custo, mesmo que seja preciso atear fogo aos veículos de carga.

 

"A gente tem grupos de whasapp e recebemos essas ameaças por lá. Desse jeito, não tem a menor condição de a gente colocar nosso caminhão para carregar, nem com a polícia. Porque se não, depois, a gente acaba sendo marcado", disse um autônomo de 50 anos, morador da Grande BH que não se sente seguro e por isso não quer arriscar rodar com seu caminhão tanque para entregar combustível no interior.

"Só empresas grandes estão conseguindo carregar e transportar combustível. Mesmo assim sofrem ameaças e a polícia escolta. Mas são muito grandes, têm muitos caminhões. Nós, que somos pequenos, estamos acuados. Se alguém põe fogo no meu caminhão acabou para mim", conta o tanqueiro.

Ainda de acordo com o profissional autônomo, as pessoas que fazem ameaças são ligadas ao movimento sindical, apesar de não serem integrantes de uma entidade de classe. "Só depois de o Chorão, que está negociando em Brasília as condições que o movimento quer é que vão terminar com esses bloqueios", afirma.

Um outro caminhoneiro chegou a ter o seu caminhão avariado pelos manifestantes. "Tive um prejuízo de R$ 400. Cheguei com o caminhão na frente de uma distribuidora de gás e umas 10 pessoas fecharam a entrada. mandaram eu sair do caminhão, porque não era para ninguém carregar nada", lembra o profissional autônomo, de 61 anos, que mora em Belo Horizonte.
"Perguntei para eles se podia pelo menos entrar com o caminhão dentro da empresa, mas não deixaram. Quando voltei, já à noite, tinham cortado as mangueiras de ar e o pesca óleo do caminhão. Levei horas para arrumar e estacionei dentro da distribuidora. Agora, não consigo mais sair por causa dos bloqueios", lamenta.

Iguatama - Na noite desta terça-feira, depois de 10 dias retido numa paralisação da BR-365, em Presidente Olegário, no Noroeste de Minas, o caminhoneiro Adriedson Lopes Pereira, 28 anos, decidiu descer de volta para sua casa, em Iguatama, no Centro-Oeste, assim que os bloqueios foram removidos. Quando passou por Bambuí, já na sua região, duas pick-ups que estavam paradas próximo à rodovia começaram a persegui-lo pela estrada. "Achei que iriam me matar. Escutei barulhos de tiros e minha reação foi acelerar e dirigir em ziguezague para escapar", conta.

Depois de cerca de 40 minutos tentando escapar, ao passar sobre quebra-molas próximos à ponte sobre o Rio São Francisco, os veículos conseguiram fechar sua carreta. "Começaram a quebrar meu caminhão. Eram umas oito pessoas e usaram pedras, barras de metal e chaves de roda. Quebraram vidros e para-brisa. Tentaram me arrancar de dentro da cabine, mas me segurei e quando disse que tinha chamado a polícia, eles foram embora", afirma o caminhoneiro.
De acordo com ele, o prejuízo foi de cerca de R$ 4 mil. "Agora, só saio depois que as coisas se acalmarem. Mas reconheci alguns deles e vou terminar o boletim de ocorrência, porque isso que fizeram foi errado. poderiam ter me matado e me deram muito prejuízo. O pior de tudo é que estava com a carreta vazia", disse.

 

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