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Estado de Minas

Estudo sobre expansão do aeroporto da Pampulha sai até dezembro

Expansão do aeroporto depende de estudo da Infraero em fase de conclusão, que avalia retorno de grandes aeronaves


postado em 09/08/2015 06:00 / atualizado em 09/08/2015 07:52

Antes mesmo da definição sobre uma nova estrutura para o terminal de BH, as companhias Azul e Gol travam disputa pela ocupação do espaço(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Antes mesmo da definição sobre uma nova estrutura para o terminal de BH, as companhias Azul e Gol travam disputa pela ocupação do espaço (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Relegado ao segundo plano na última década, o aeroporto da Pampulha pode ganhar novo fôlego. A Infraero finaliza estudo para revalidar o licenciamento do espaço e avalia, entre as possibilidades para o terminal, a operação de aeronaves de grande porte. A definição sai até dezembro. Nos próximos dias, diretores da estatal devem sentar-se à mesa com representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, para discutir as diretrizes do novo planejamento.


Depois do leilão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a estatal voltou seus olhares para BH. Subutilizado na gestão tucana do governo estadual, o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, nome de batismo do terminal da Pampulha, é apoiado pelo governador petista Fernando Pimentel, que é favorável ao uso do espaço para facilitar as idas e vindas de empresários ao estado.


A demonstração de interesse das companhias aéreas no aeroporto fortaleceu a proposta da estatal de mudar os planos para a Pampulha. O diretor de Aeroportos da Infraero, Marçal Rodrigues Goulart, ressalta que qualquer mudança será debatida com o órgão ambiental antes de sua implantação. Segundo ele, é preciso avaliar os impactos da emissão de gases, de ruídos e no trânsito. “Por que não ampliar os voos? Podemos, sim. Desde que atendidas as regras de meio ambiente”, afirma. A Infraero deve apresentar o estudo ao governo estadual até o fim do mês.


Nos bastidores, as companhias aéreas Gol e Azul travam disputa pela ocupação da Pampulha. Em um primeiro lance, a Azul transferiu para a Pampulha operações rumo a outras capitais que eram feitas a partir de Confins e os voos regionais foram transferidos para o aeroporto internacional. No contra-ataque, a Gol pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) licença para operar com Boengs 737 rumo a cinco capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Vitória e Salvador). O pedido foi negado. Em nova ofensiva, a Azul agora tenta voar em direção à Pampulha com seus Embraer 190, com capacidade para 118 passageiros , com opções para Vitória, Campinas e Rio de Janeiro.


Os pedidos de ambas as empresas, por enquanto, estão vetados, mas nova definição pode vir com a concretização do estudo da Infraero. Em relação à segurança operacional, as companhias garantem ser possível operar sem riscos. Uma possibilidade citada pelo diretor da estatal é a limitação de pousos e decolagens em certos períodos para permitir o vaivém de passageiros no terminal.


Ele exemplifica situações em que a restrição valeria. Ao longo de 15 minutos, apenas uma aeronave poderia descer na Pampulha (o tempo e o número de aeronaves são hipotéticos). Nesse caso, seria uma aeronave de grande porte. “Pelo modelo aplicado no momento, se eu coloco 180 passageiros, eu substituo três ATRs (aviões usados em voos regionais)”, afirma Goulart. Em qualquer caso, será preciso calcular quantos banheiros, esteiras e outros equipamentos envolvidos no embarque e desembarque são necessários para a operação de aeronaves maiores.


A estatal deve fazer “adequações internas” principalmente no terminal de passageiros. Obras para ampliação da área construída, por enquanto, não estão em questão. A Pampulha tem, atualmente, capacidade para 2,2 milhões de passageiros por ano. No ano passado, foram 945 mil embarques e desembarques, o que garante folga operacional para aumentar o número de voos.


Além da discussão com órgãos ambientais, a Infraero deve enfrentar a resistência de moradores do entorno da Pampulha. Em audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir a transferência de voos da Azul e o pedido da Gol para operar no terminal, associações de bairros criticaram o possível aumento de fluxo no aeroporto.

 

 

CASA MODESTA

Perfil do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade
» Oito posições para estacionamento de aeronaves
» Área de 4,62 mil metros quadrados do terminal de passageiros
» Capacidade operacional para atender 2,2 milhões de passageiros por ano
» 256 vagas de estacionamento de veículos
» 2,54 mil metros de extensão da pista de pouso



Projeto para novos hangares
Nova mudança na Pampulha deve ocorrer com a transferência do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (Ciaar) para Lagoa Santa. O espaço de 258 mil metros quadrados permitirá a construção de uma taxiway, além de obras para ampliar a capacidade operacional do terminal, seja com aumento da área para passageiros ou de infraestrutura aeroportuária. Novos hangares devem ser construídos para dinamizar a aviação executiva.

A saída da base militar depende, ainda, da finalização das obras no município vizinho. Depois disso, uma possibilidade viável é a transferência do setor administrativo da estatal para o espaço ocupado pelos militares. Isso permitiria que o setor destinado aos passageiros fosse expandido.
Sobre a proposta da Prefeitura de Belo Horizonte de desativar o aeroporto do Carlos Prates, transferindo, assim, as operações de aviação geral para a Pampulha, a Infraero descarta a possibilidade. O prefeito de BH, Marcio Lacerda, apresentou proposta para encerrar as atividades do Carlos Prates. O terreno seria negociado com imobiliárias para a reconfiguração do bairro e o valor arrecadado, destinado a obras no Carlos Drummond de Andrade. “O aumento do tráfego de operações menores pode impactar de forma negativa”, avalia Marçal Goulart, da Infraero. (PRF)

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