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Estado de Minas

Gol quer voos no aeroporto da Pampulha para capitais

Com estímulo do governo para Aeroporto da Pampulha e volta de voos das companhias, operadora de Confins ameaça rever investimentos


postado em 30/04/2015 06:00 / atualizado em 30/04/2015 07:30

Terminal não tem restrições operacionais e empresas aéreas retomam operações. Gol quer 36 voos(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Terminal não tem restrições operacionais e empresas aéreas retomam operações. Gol quer 36 voos (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)

Uma década atrás o então prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel participou de acordo encabeçado pelo então governador Aécio Neves para transferir voos do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, para Confins. Dois anos depois, o Departamento de Aviação Civil (DAC) publicaria portaria limitando a 50 passageiros a capacidade máxima das aeronaves que pousariam e decolariam da Pampulha. Era a principal medida para alavancar as viagens no Aeroporto Internacional Tancredo Neves. Sob a administração do agora governador Fernando Pimentel, em um cenário completamente inverso, a polêmica volta à tona: o petista se mostra favorável à retomada da Pampulha, o que pode novamente mudar os rumos de ambos aeroportos. O primeiro efeito: a concessionária de Confins afirma que, com isso, vai rever os investimentos previstos para o aeroporto internacional.

Depois de a Azul retomar voos com aeronaves pequenas (48 e 70 passageiros) para outras capitais nos últimos meses, a Gol entrou ontem com 36 pedidos para operar novos voos rumo a Salvador, Brasília, Congonhas, Vitória e Rio de Janeiro a partir de julho. A principal diferença é que a Gol pretende voar com aeronaves de grande porte (Boeing 737-700 e 737-800), com capacidade para 138 e 177 passageiros. Em nota, a Gol confirma a solicitação e acrescenta aguardar “o fim da restrição do aeródromo”.

Não há restrições operacionais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde outubro de 2010. No ano anterior, no entanto, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente havia assinado Termo de Ajustamento de Conduta com a Infraero impedindo a liberação de voos para aviões de grande porte devido à falta de licenciamento ambiental do aeroporto. Em 2012, no entanto, foi dada a licença de operação, extinguindo qualquer tipo de restrição. Fato é que, com a política da gestão estadual anterior de desenvolvimento de Confins e região, nenhum voo de grande porte e para capitais saindo da Pampulha foi aprovado.

“Os dois aeroportos podem estar operando. Para BH é importante a operação de ambos, com estudo ambos podem conviver”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôsso. Ele afirma que a Pampulha facilita as viagens de negócios devido à localização. Mas ressalta que, antes da aprovação, para receber aeronaves de grande porte, “a Pampulha precisa passar por adequações”.

CONCESSÃO No processo de concessão do aeroporto de Confins, a Anac apresentava a Pampulha como maior concorrente, apesar de oferecer “qualidade de serviços aéreos bastante inferior”. Nas planilhas, a projeção era que, em 2016, o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade teria 1 milhão de passageiros. Em 2033, seriam 2,2 milhões. Caso sejam aprovados os novos voos, o volume previsto para daqui a quase duas décadas pode ser atingindo já no ano que vem.

Em audiências públicas, a agência reguladora deixou claro que nada seria feito para garantir à concessionária que a Pampulha não teria aumento de fluxo. “A retomada de voos interestaduais a partir do Aeroporto da Pampulha muda o cenário com o qual a BH Airport vem trabalhando. Em razão disso, a BH Airport vai avaliar a extensão do impacto no seu plano de negócios e nos intensos investimentos que a concessionária está realizando”, diz nota da concessionária de Confins. A principal obra prevista é o segundo terminal de passageiros.

No texto, a empresa ironiza as condições da Pampulha, dizendo que Confins tem as melhores condições para voos com segurança, “, pois está situado em uma área sem riscos nem restrições para operações que necessitem do uso de equipamento de navegação aérea”, afirma a concessionária. Isso porque o aeroporto da Pampulha não possui o ILS (Instrument Landing System, em inglês), aparelho que facilita a aproximação no pouso.

Empresa voa nos dois aeroportos

A Azul foi a primeira companhia a retomar voos para outras capitais direto do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade. A empresa transferiu pousos e decolagens de Campinas, Vitória e Brasília para o terminal. Em troca, viagens que antes eram feitas na Pampulha serão transferidas para Confins. Voos para Guarulhos, Ipatinga, Governador Valadares, Montes Claros e Uberlândia, a partir de 11 de maio, serão feitas no aeroporto internacional. Na mesma data, entram em operação na Pampulha voos para o Santos Dumont (Rio de Janeiro), Florianópolis e Navegantes (Santa Catarina).

“Eu não enxergo conflito”, afirma o diretor de Comunicação, Marca e Produto da Azul, Gianfranco Beting, sobre a operação de dois aeroportos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E acrescenta: “Para a companhia aérea, é mais simples operar um só aeroporto. Mas todo mineiro sabe que a Pampulha é uma mão na roda”, afirma. Apesar do olhar para a Pampulha, duas novas rotas foram acrescidas na malha da Azul saindo de Confins: Ilhéus (Bahia) e Cabo Frio (Rio de Janeiro). Ao todo, serão 81 voos diários para 32 destinos.

Segundo a Infraero, a Pampulha tem capacidade para atender novos voos. O terminal de passageiros comporta 2,2 milhões de passageiros por ano. No ano passado, foram apenas 945,4 mil. O coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Tarso Resende, considera o fluxo das empresas rumo à Pampulha “um movimento perigoso para Minas Gerais porque pode esvaziar Confins”. Ele crítica a falta de um plano de aviação no país para melhor desenhar a malha aérea.


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