Em plena temporada de frio, quando a venda de caldos aumenta até 70% em relação ao resto do ano, os cinco sócios do tradicional Bar Nonô, pioneiro na venda de caldo de mocotó no Hipercentro de Belo Horizonte e campeão nacional de vendas de cerveja Caracu, com cerca de 4,5 mil garrafas por mês, estão à procura de um endereço para abrir a primeira filial do estabelecimento, que funciona 24 horas por dia, com entradas pela Rua Tupis e Avenida Amazonas. Pode soar estranho, mas a expansão do famoso botequim, que vende cerca de 700 canecas da iguaria em dias quentes e quase 1,1 mil unidade no inverno, mostra como a economia brasileira vai bem. O bar, cuja maior parte dos clientes é de baixa renda, se prepara para atrair o público da classe B e manter os fregueses que passaram a integrar a C, a chamada nova classe média do país.

Para atrair o novo público, os irmãos Crélio, Nívio, Clelson, Décio e Dênio, filhos de seu Raimundo Corrêa, o Nonô, morto em 1973, pretendem montar a filial com características diferentes do bar-mãe. “Pensamos em abrir uma casa um pouco diferenciada, com mais conforto, para o público, por exemplo, da classe B. Nosso desejo é encontrar um ponto com cerca de 250 metros quadrados”, disse Crélio. O Nonô da Tupis e Amazonas tem apenas 60 metros quadrados. Uma das características é a falta de banco ou cadeira: os clientes saboreiam os caldos e bebidas com cotovelos no balcão. Isso não deve ocorrer na filial. “Haverá mesas”, acrescenta Crélio.
Ele só não conta o quanto a família deve investir no empreendimento. A intenção é inaugurá-lo em março de 2012. Mas o local ainda não foi escolhido. Décio conta que o grupo já pesquisou lojas na Savassi e na Rua da Bahia. Um ponto na Rua dos Caetés também foi estudado pelo grupo. “Ainda não sabemos em qual local (a loja) deverá ser aberta”, afirmou Crélio. A peregrinação atrás de um bom ponto comercial continua. Pelo andar da carruagem, acredita Décio, a filial deverá ser inaugurada “no Centro mesmo”.
Memória
Oportunidade nas madrugadas frias
A fama do mocotó vendido no Nonô começou em 1964, quando “seu” Raimundo transferiu o bar que mantinha no Barreiro para a esquina da Rua Tupis com Avenida Amazonas. Naquela época, como não havia ônibus 24 horas, muitos trabalhadores que perdiam o último coletivo da noite ficavam “à-toa”, no Centro de Belo Horizonte, esperando para pegar o primeiro ônibus do dia. De olho neste filão, Nonô apostou no novo ponto comercial, cuja fama alcançou, ainda naquela década, toda a capital. O vaivém de pessoas no botequim chamou a atenção de comerciantes da região. Atualmente, vários estabelecimentos do Centro vendem a iguaria feita com patas de boi e cujas vendas sobem bastante no inverno. O caldo de mocotó, servido com cebolinha a gosto e dois ovos de codorna, garante excelente lucro aos comerciantes: cerca de 50%.
