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Estado de Minas CORAÇÃO

Frio aumenta a incidência de infarto, arritmias e insuficiência cardíaca

As baixas temperaturas promovem o aumento do metabolismo e a contração das artérias coronárias, o que pode contribuir para um infarto e outras complicações


20/05/2022 14:30 - atualizado 21/05/2022 18:04

coração
A onda de frio que está acometendo diversas regiões do Brasil traz consigo um alerta para os cuidados com o coração (foto: Gerd Altmann/Pixabay )
Baixas temperaturas pedem coração aquecido. Com a chegada do frio, o cenário se torna ainda mais perigoso para quem sofre com doenças cardiovasculares. O médco Ricardo Negri Bandeira de Mello, coordenador do serviço de cardiologia e do ambulatório de tabagismo do Hospital Vila da Serra, alerta que "no frio intenso, observamos mudanças na circulação sanguínea e no trabalho do miocárdio para manter as funções dos órgãos vitais. Nesse período, inúmeros registros, inclusive do Datasus, mostram aumento não só do número de infarto, como de AVC e doenças respiratórias."
 
Ricardo Negri Bandeira de Mello recomenda que, durante as baixas temperaturas, é importante manter um sistema de calefação em domicílio: "Na ausência dele, devemos nos manter sempre bem agasalhos para auxílio na manutenção da temperatura corporal e redução dos impactos do frio intenso."
 
O médico destaca que neste período, apesar de muitos fugirem, a atividade física regular é um fator protetor cardiovascular e deve ser mantida durante o inverno, "tomando o cuidado de ter uma boa hidratação, se proteger do frio com roupas adequadas, mesmo durante atividade física intensa."
 
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Ricardo Negri Bandeira de Mello, coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Vila da Serra, avisa que a atividade física regular é um fator protetor cardiovascular e deve ser mantida durante o inverno (foto: Arquivo Pessoal)
Ricardo Negri Bandeira de Mello lembra que o risco aumenta dependendo da gravidade da doença cardiovascular. "Pessoas que já apresentaram algum evento cardiovascular ou têm algum grau de cardiopatia tem risco mais elevado de novos eventos cardiovasculares durante as baixas temperaturas."
 
 
E, por outro lado, aquele paciente que ainda não foi diagnosticado com alguem problema cardiovascular, a baixa temperatura pode acelerar algum evento: "As baixas temperaturas podem, de fato, ser o fator determinante para precipitar sintomas ou sinais de problemas cardíacos, devendo rapidamente procurar um cardiologista ou médico de sua confiança para uma avaliação clínica cuidadosa", avisa Ricardo Negri Bandeira de Mello.
 

Frio força o espasmo das artérias coronárias

 
Já Priscilla Gianotto Tosello, cardiologista com especialização em imagem cardiovascular pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), explica que as temperaturas mais baixas exigem que o organismo regule sua atividade metabólica para produzir mais calor, aumentando a atividade corpórea – ao mesmo tempo que o frio força o espasmo das artérias coronárias, que se contraem. "Com maior esforço, o coração pode sofrer com arritmias, passar por uma insuficiência cardíaca e até apresentar um infarto."

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Cardiologista Priscilla Gianotto Tosello alerta que as baixas temperaturas podem causar o infarto, primeira causa de morte isolada entre os brasileiros (foto: Arquivo Pessoal )
Priscilla Gianotto Tosello alerta que quem é tabagista, hipertenso, está com sobrepeso ou obesidade, é diabético, está sedentário ou apresenta doenças cardíacas deve ficar mais atentos a sinais como cansaço, dores e formigamento nos braços, dores no peito, tonturas, náuseas, suor intenso e mal-estar. "A qualquer sinal estranho, é melhor buscar ajuda médica, já que o infarto pode deixar sequelas ou até mesmo ser fatal."  

Check-up é necessário para todos


A cardiologista explica que todas as pessoas devem passar por uma consulta anual com cardiologista. Aquelas que pertencem aos grupos de risco, entretanto, precisam de duas ou mais consultas anuais, já que devem controlar a pressão arterial, primordialmente: "A hipertensão é um dos principais vilões das doenças cardiovasculares e é uma doença silenciosa. Seu descontrole, além do infarto, causa outras doenças cardíacas e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o popular derrame. É fundamental fazer medidas preventivas para que o paciente não tenha consequências que lhe causem danos muitas vezes irreversíveis".  

Dicas do que fazer nos dias mais frios  

Priscilla Gianotto Tosello aconselha a todos que se protejam das baixas temperaturas, com agasalhos adequados para essa época, como toucas e luvas.

Além disso, a cardiologista recomenda não descuidar da alimentação: "Muitas vezes, as pessoas optam por alimentos muito calóricos e gordurosos nos dias frios, mas eles aumentam o peso corporal e isso traz complicações ao organismo. O ideal é que adotemos caldos quentinhos, mas leves, com muitos legumes, verduras, carnes magras e grãos integrais, deixando de lado queijos gordurosos, creme de leite e outros ingredientes ricos em gordura", ensina.

A médica alerta que um dos causadores do infarto é a aterosclerose – placas de gordura que entopem as artérias cardíacas – causada principalmente pelo estilo de vida sedentário e pouco saudável.

Em relação a bebidas mais quentes, a cardilogista diz que o álcool pode levar à hipotermia: "Muito utilizado para aquecer o corpo, o álcool causa desidratação, o que não é nada bom para o organismo. O ideal é optar por bebidas quentes e pouco calóricas, como chás. Não aconselhamos o uso de bebidas alcoólicas e nem muito calóricas e gordurosas, porque causam sobrepeso e obesidade".
 
Priscilla Gianotto Tosello também recomenda manter a rotina de medicação, que não deve ser interrompida em nenhuma época do ano.

E, claro, a médica recomenda a prática de atividade física, especialmente em locais aquecidos e cobertos: "O exercício ativa o metabolismo, aquecendo o corpo e espantando as dores causadas pelo frio. A pessoa também fica mais motivada a fazer suas atividades rotineiras, espantando o frio. E essa boa circulação sanguínea é ótima para o coração, que trabalha em ritmo normal", finaliza cardiologista.

Infográfico explicando o que é hipotermia
Entenda o que é hipotermia (foto: Soraia Piva/EM/D.A Press)

 


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