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Estado de Minas SAÚDE

Infertilidade, o que fazer?

Especialistas apontam as causas e destacam que os homens também sofrem com o problema. Distúrbio acomete entre 50 milhões e 80 milhões de pessoas no mundo


01/08/2021 04:00 - atualizado 29/07/2021 12:04

Homens também sofrem com a infertilidade(foto: DrKontogianniIVF/Pixabay)
Homens também sofrem com a infertilidade (foto: DrKontogianniIVF/Pixabay)


Meses ou anos de tentativas de engravidar sem sucesso podem indicar um quadro indesejado de infertilidade – dificuldade de um casal ter filho em um período de um ano tendo relações sexuais sem nenhuma contracepção. Porém, apesar da condição de infertilidade não poder ser revertida, ela não significa que o casal infértil é incapaz de ter filhos.

Afinal, ser infértil não é sinônimo de estéril. “As chances mensais de sucesso é que são menores quando comparadas ao casal fértil, que tem taxa de fertilidade de 25% ao mês em pacientes jovens de 30 anos.”

É o que explica o ginecologista João Pedro Junqueira Caetano, especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar. O distúrbio acomete entre 50 milhões e 80 milhões de pessoas em todo o mundo – só no Brasil, são cerca de 8 milhões –, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

E esse não é um problema exclusivo da mulher: em 20% dos casos, os fatores dizem respeito ao casal, simultaneamente, 40% estão relacionados somente ao homem e os outros 40% à mulher. Mas como o casal pode identificar o quadro de infertilidade? E quais sinais o corpo pode dar?
 
A administradora de empresas Joana Fonseca, de 45 anos, realizou o sonho de ser mãe das gêmeas, Antonella e Allana, depois de passar por um tratamento de fertilidade (foto: Arquivo pessoal)
A administradora de empresas Joana Fonseca, de 45 anos, realizou o sonho de ser mãe das gêmeas, Antonella e Allana, depois de passar por um tratamento de fertilidade (foto: Arquivo pessoal)
  “Qualquer casal com mais de um ano de tentativas deve procurar orientação médica para avaliação. Não há como saber se um casal é infértil ou não sem tentar engravidar. Em alguns casos, o paciente já sabe que terá dificuldade maior para engravidar por ter alguma doença – endometriose, cirurgias ovarianas, ciclos menstruais irregulares, história de caxumba, história de alteração nos testículos e alterações genéticas – ou ter feito algum procedimento cirúrgico em ovários, útero ou testículos”, afirma a ginecologista Érica Becker, especialista em reprodução assistida da Huntington Pró-Criar.

Com a ajuda de um médico e exames específicos para análise do útero, trompas, reserva ovariana e sêmen, a condição pode ser reconhecida. Foi assim que a administradora de empresas Joana Fonseca, de 45 anos, recebeu, após anos de tentativas, o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente, um obstáculo enorme para seu sonho de ser mãe, bem como também para o desejo de seu companheiro de ser pai. “Eu me casei aos 32 anos, já não era tão nova, e não tinha pressa para ter filhos. Queria aproveitar a minha vida e viajar. Então, fui levando e aos 35 resolvi, junto com meu marido, tentar ter filhos. Eu simplesmente parei de tomar o anticoncepcional e fui deixando acontecer”, conta.

“Vimos, então, que estava demorando. Começamos a prestar atenção nas datas e a namorar no ‘dia certo’. O tempo foi passando e não tivemos resultado. Resolvemos, então, buscar ajuda. Fomos ao médico, fizemos exames e não tínhamos nada. Fomos indicados a procurar clínicas de reprodução humana e, lá, fizemos vários exames. Recebemos o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente.”

Segundo Érica Becker, a idade é fator determinante no sucesso da gravidez e está atrelada à condição de infertilidade em alguns casos. Não à toa, ela indica que a partir dos 30 anos a mulher planeje uma gestação ou avalie congelar oócitos e a partir dos 36 o casal procure assistência especializada em reprodução humana após seis meses de relações desprotegidas. Para além disso, o quadro pode ter causas específicas. “A infertilidade pode ter origem em razão de alterações tubárias, má-formações uterinas, alterações ovarianas, alterações hormonais, endometriose e varicocele.”

Porém, assim como no caso de Joana Fonseca, existem casais cuja causa não consegue ser definida e tem-se o quadro de infertilidade sem causa aparente. “Em casais homoafetivos, apesar de poderem ter dificuldade pelas causas descritas, também precisaremos recorrer a um banco de gametas para o tratamento, por isso não seria necessário esperar para procurar assistência médica especializada e se submeter a um tratamento de reprodução assistida”, pontua a ginecologista.

A infertilidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde com implicações psicológicas e médicas. Há impacto afetivo importante na vida do casal. Portanto, deve ser feito o acompanhamento multidisciplinar com médicos e psicólogos. “A infertilidade traz angústia, sensação de impotência e de frustração aos casais, levando em alguns casos até mesmo à separação.”

TRATAMENTO 


Segundo João Pedro Caetano, a infertilidade é uma improbabilidade e não uma impossibilidade, portanto, além do tratamento, pode ocorrer casos em que os casais engravidam com a reprodução humana e, também, anos depois tem outro filho de forma natural. Mas, ele frisa ser muito importante que a terapia adequada seja procurada, a fim de otimizar e dar um sim para o sonho de serem pais.

“Como a idade da mulher é muito importante para a qualidade do oócito e consequentemente para as taxas de sucesso dos tratamentos, deixar o casal infértil tentando espontaneamente agrava o quadro clínico cada vez mais. No entanto, a concepção espontânea, mesmo que com baixa probabilidade, existe na grande maioria dos casais inférteis.”

(foto: Léo Horta/Divulgação)
(foto: Léo Horta/Divulgação)
 

Qualquer casal com mais de um ano de tentativas deve procurar orientação médica para avaliação. Não há como saber se um casal é infértil ou não sem tentar engravidar

João Pedro Caetano, ginecologista especialista em reprodução assistida



Ainda, conforme ele, as técnicas de reprodução assistida evoluíram muito desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978. Hoje, inclusive, vários tratamentos de infertilidade estão disponíveis, como indução da ovulação, inseminação artificial, fertilização in vitro (FIV), ovodoação e congelamento de óvulos ou embriões (criopreservação). Além disso, tem-se também o ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide, técnica em que um único espermatozoide, especialmente selecionado, é injetado em cada óvulo disponível).

Há menos de duas décadas, as taxas de sucesso de fertilização in vitro, por exemplo, eram de cerca de 20%. Atualmente, as clínicas brasileiras trabalham com uma taxa de até 50% e 60% de êxito nesse tipo de tratamento para pacientes até 34 anos”, ressalta o especialista.

Joana Fonseca optou pelo tratamento. E, ainda assim, foram muitas tentativas antes das suas gêmeas chegarem. Ao todo, foram sete. Os anos também pesaram na conta: nove anos entre idas e vindas. “O processo é um pouco desgastante, eu fazia algumas tentativas, desanimava, parava e voltava. Foram nove anos assim. No total, fizemos duas inseminações artificiais e cinco fertilizações in vitro. Eu falo que Deus coloca anjos na vida da gente e, na clínica, fomos muito bem acolhidos por todos.”

COVID-19 


Com os inúmeros casos de COVID-19 e o risco de morte, o medo da doença é constante. Porém, muitas dúvidas ainda pairam sobe o vírus, já que, pelo tempo em que está em circulação, muito ainda se tem para descobrir sobre a sua ação e infecção. E as mulheres se perguntam: ele pode causar infertilidade? Essa resposta ainda não foi bem esclarecida, mas o que se sabe até o momento é que o vírus não pôde ser identificado no sistema reprodutor da mulher, assim como na secreção, líquido amniótico ou peritoneal. “Portanto, ainda não se pode afirmar que a doença pode ser prejudicial para a fertilidade feminina.”

É o que explica João Pedro Caetano. Porém, na fertilidade masculina, a realidade é outra. Um artigo realizado por pesquisadores chineses e publicado na revista The Lancet sugeriu que o vírus pode afetar o processo em que espermatozoides são produzidos. Além disso, ao comparar o sêmen de pacientes com COVID-19 e homens que não tinham a doença, algumas diferenças foram detectadas, como menor número de espermatozoides e aumento de células que indicavam processo infeccioso local, o que pode afetar a produção dos espermatozoides e interferir na fertilidade do homem, além de causar anomalias no esperma.

“Até o momento, esses impactos são incertos. Estudos como esse mostram a importância da realização de mais pesquisas com um número maior de pessoas para que sejam confirmados os resultados”, pondera o especialista, que alerta, ainda, que a COVID-19 aumenta o risco de as gestantes ficarem doentes. “Justamente por isso, não é aconselhável postergar a investigação da infertilidade por causa da pandemia que vivemos na atualidade. Os casos serão individualizados”, afirma.

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram



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