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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Água: hidratação influencia o ciclo da vida, assim como a alimentação

A água é tão importante à saúde, que o organismo desenvolveu um complexo sistema, denominado Centro da Sede para avisar quando é preciso beber água


06/06/2021 04:00 - atualizado 06/06/2021 08:41

A desidratação pode levar a doenças renais, ressecamento de pele e mucosas, queda de pressão arterial entre outras(foto: Manuel Darío Fuentes Hernández/Pixabay)
A desidratação pode levar a doenças renais, ressecamento de pele e mucosas, queda de pressão arterial entre outras (foto: Manuel Darío Fuentes Hernández/Pixabay)


O médico nutrólogo Carlos Eduardo Jorge, especialista em nutrição de baixo carboidrato e cirurgião vascular, explica que a alimentação e a hidratação influenciam todos os estágios do ciclo da vida, fornecendo as condições necessárias ao sustento do corpo humano.

A desidratação, de maneira geral, ocorre quando a ingestão de água é menor que a demanda corporal, ou por alguma doença metabólica que aumente a excreção (eliminação) da água corporal.

A água, isoladamente, não trata doenças. Claro, com exceção das causadas pela perda ou “falta” de água. A desidratação pode levar a doenças renais, ressecamento de pele e mucosas, queda de pressão arterial, por exemplo. Nesse caso, o tratamento é, juntamente com a reposição dos sais minerais, repor adequadamente a água corporal.

“As reações químicas do organismo ocorrem, com melhor qualidade, na presença de água.” Uma hidratação adequada permite combater melhor as infecções (seja por vírus ou bactérias); previne, de forma mais eficiente, a entrada de agentes agressores no corpo, por meio da proteção natural que há nas mucosas das vias aéreas e também do intestino.

Carlos Eduardo Jorge alerta que beber água parece uma tarefa tão comum que muitas vezes as pessoas não se dão conta da sua importância. “Toda água ingerida por meio de alimentos sólidos ou líquidos é digerida e absorvida pelo trato gastrointestinal, sendo depois distribuída nos espaços corporais. Contudo, é preciso dar preferência à água pura, pois líquidos como refrigerante, chás e sucos têm açúcares, além de conservantes, que podem ser prejudiciais à saúde”, diz.

A pior consequência é o agravamento ou o desenvolvimento da obesidade, diabetes mellitus, gastrite, quadros inflamatórios crônicos. Um ciclo contínuo de perda da qualidade de vida e consequentemente da saúde.

Para o médico nutrólogo, ingerir dois litros de água ao longo do dia é uma recomendação padrão e universalmente aceita. “Todavia, o organismo, ao longo de milhares de anos de evolução, desenvolveu um complexo sistema, atualmente denominado de centro da sede, que é responsável por avisar quando e quanto precisamos beber de água. É um sistema eficiente, preciso, que alerta sobre as necessidades diárias de água. Essas demandas vão estar relacionadas diretamente com os alimentos que se ingere, grau de exposição ao calor, volume de atividade física, nível de hidratação corporal, consumo de sal e açúcar. Simplesmente, sentimos sede."

Nesse momento, beba água. A dica é deixar seu mecanismo de controle da sede atuar, identificar os sinais, conhecer seu corpo. "Água é essencial, mas o excesso pode trazer algumas complicações, sendo o mais comum o desequilíbrio na concentração de eletrólitos no sangue, principalmente o sódio.”

Carlos Eduardo Jorge enfatiza que o corpo humano é perfeito e foi preparado durante milhares de anos de evolução para sinalizar sobre suas demandas.

“Ele nos comunica diariamente sobre as decisões alimentares inadequadas. Temos é que aprender a ler esses sinais enviados. O acúmulo de gordura (obesidade), cansaço excessivo, estresse e falta de sono são mensagens diárias enviadas pelo organismo, informando que as coisas não andam bem. Devemos estar atentos a esses sinais, não considerá-los apenas consequências de um estilo de vida ruim. O objetivo desses alertas é atentar para a alimentação e a rotina de vida para que se possa envelhecer com saúde e alcançar a tão desejada longevidade e qualidade de vida.”

Carlos Eduardo Jorge, médico nutrólogo, alerta que as pessoas devem dar preferência à água pura em vez de sucos e chás (foto: Angiogold/Divulgação )
Carlos Eduardo Jorge, médico nutrólogo, alerta que as pessoas devem dar preferência à água pura em vez de sucos e chás (foto: Angiogold/Divulgação )

A água dos alimentos

O nutrólogo ensina que, quando se alimenta, o objetivo deve ser a nutrição. Claro, muitos alimentos também podem promover hi- dratação. As frutas (melancia, melão, abacaxi, manga, laranja) e até os vegetais têm uma proporção de água bem significativa em sua constituição. O problema de se hidratar com frutas (e mesmo com legumes) é que a carga de açúcar que esses alimentos carregam é elevada, trazendo outros malefícios, como a esteatose hepática, diabetes, elevação da produção de insulina, com consequente obesidade, entre outros.

A esteatose hepática, por exemplo, ocorre devido o acúmulo de gordura no fígado. Isso acontece não por consumo de gorduras (carnes gordas), surge em virtude do consumo em excesso de açucares da alimentação, inclusive e, principalmente, o açúcar das frutas (frutose), que temos capacidade limitada de digestão.

O médico ensina ainda que, por outro lado, os músculos das carnes têm aproximadamente 75% de água (os cortes são diferentes, contendo mais ou menos água), 20% proteínas, com os 5% restantes representando uma combinação de gorduras, carboidratos e minerais.

Por conter baixas quantidades de carboidratos (açucares) e, ao mesmo tempo, ricos proporcionalmente em água e macronutrientes essenciais (proteínas e gorduras), os alimentos de origem animal, além de mais nutritivos, são mais saciantes, estimulam menos a insulina (que também interfere na absorção da água) e são os mais adequados para o consumo, principalmente quando o objetivo é ter qualidade de vida, controle de peso e melhora de marcadores inflamatórios.

Os alimentos de origem animal (carnes, ovos, queijos) têm, proporcionalmente, maior valor nutricional, com menor valor calórico quando os comparamos com as frutas, legumes (arroz, feijão, abobrinha etc.). Consequentemente, oferecem uma qualidade alimentar superior. “O centro da sede (no hipotálamo) está em pleno funcionamento no corpo, já foi aperfeiçoado, otimizado em milhares (até milhões) de anos. Ao se alimentar, nutra seu corpo e deixe o centro da sede cuidar da sua ingestão de água.”


Saúde do planeta


A água é também questão da saúde do planeta. É mito repetir que ela vai acabar e que é inesgotável. A verdade é que o uso irresponsável e exagerado, para além do seu ciclo natural, pode torná-la, aí sim, um bem indisponível e caro diante das interferências humanas. A escassez hídrica prejudica e ameaça a segurança alimentar em várias partes do planeta, interferindo no nível de desenvolvimento humano.

Fundamental à vida, em 1993, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 22 de março como o Dia Mundial da Água, a fim de estimular, em todo o planeta, discussões e ações por parte da sociedade e suas instituições (públicas e privadas) sobre a importância desse recurso.

A Terra também é chamada de Planeta Água, por ter 75% da superfície coberta por água, sendo o Brasil o país que tem a maior quantidade de água doce no mundo, 12% do total do planeta. É um bem precioso e essencial a todos. Porém, trata-se de uma falsa abundância, já que a água em nosso território é mal distribuída.


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