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Estado de Minas SAÚDE

Risoleta Neves fará oxigenoterapia hiperbárica em pacientes com COVID-19

Câmara hiperbárica auxilia no tratamento de casos graves da COVID-19. Objetivo é reduzir necessidade de intubação dos pacientes. Projeto foi criado pela UFMG


20/05/2021 15:25 - atualizado 20/05/2021 15:35

Primeiro paciente a receber a oxigenoterapia hiperbárica será atendido na próxima segunda-feira (24/5). (foto: Hospital Risoleta Tolentino Neves/Divulgação)
Primeiro paciente a receber a oxigenoterapia hiperbárica será atendido na próxima segunda-feira (24/5). (foto: Hospital Risoleta Tolentino Neves/Divulgação)
O Hospital Risoleta Tolentino Neves, 100% SUS, em Belo Horizonte, começará na próxima semana a realizar um tratamento inovador em pacientes internados com a COVID-19. O estudo usará a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) como opção terapêutica em situações graves com o objetivo de adiar ou mesmo evitar a necessidade de intubação do doente com dispneia ou hipóxia. O primeiro paciente será submetido ao tratamento já na próxima segunda-feira (24/5).
 
O equipamento é concedido pela indústria Oxy Câmaras Hiperbáricas e é responsável por melhorar a oxigenação e pode reduzir infecções no organismo. A câmara é de aço e acrílico incolor e sua abertura é vedada após a entrada do paciente.

Possui televisão para entretenimento durante a sessão e telefone para comunicação com a equipe externa. O diferencial é que, dentro do equipamento, o oxigênio inalado tem 100% de pureza e a câmara eleva a pressão atmosférica ao dobro da pressão ambiente.
 
O Risoleta será o 1º hospital do Brasil a utilizar esse equipamento para pacientes internados com a COVID-19 como um complemento à terapia padrão. A expectativa é de que esse tratamento tenha impacto positivo na liberação de leitos e de respiradores e possível redução das sequelas e da mortalidade associadas à doença.
 
O estudo será conduzido pelo médico coordenador da Cirurgia Vascular do Hospital, Tulio Navarro, por meio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o médico Marcelo Moraes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
“Só conseguimos trazer esta pesquisa para o Risoleta graças ao empenho de muita gente. Na assistência nossos bons resultados devem-se ao trabalho e envolvimento de uma equipe multiprofissional, que também está inserida neste estudo. O tratamento de oxigenoterapia hiperbárica tem foco inicial no usuário com COVID-19 e, mais pra frente, possibilitará utilizarmos também para tratamento de feridas. Queremos criar no Risoleta um centro de regeneração tecidual. Com essa pesquisa estamos de fato centrados nos benefícios para os pacientes”, explica Tulio Navarro, autor do projeto.
 
O uso do equipamento será feito em 48 pacientes que atendem a alguns pré-requisitos como os que estão internados em enfermaria COVID sem indicação para intubação, os que fizeram teste PCR e deram positivo ou tomogra­ma de tórax e análise clínica sugestivas para a COVID-19, que estejam com saturação de oxigênio abaixo de 93% em ar ambiente, que estão com frequência respiratória maior ou igual a 24 resp/min e que tenham assinado o termo de consentimento (paciente ou familiar).
 
“É uma alegria ter o hospital como campo de estudo em uma pesquisa pioneira como esta e em um momento delicado em que a ciência vem sendo desacreditada. Somos referência em assistência, ensino e pesquisa e a ciência é uma aliada da saúde. É muito importante que a indústria colabore com a melhoria da saúde de nossos pacientes, por meio de novas tecnologias e que a sua responsabilidade social se traduza em benefícios para a população”, afirma a diretora-geral do Risoleta Neves, Alzira Jorge, destacando o pioneirismo do hospital no tratamento.
 

Pesquisa com oxigenoterapia durará cinco meses

 
O uso da oxigenoterapia como opção terapêutica contra a COVID-19 é objeto de estudos, desde 2020, nos Estados Unidos, Suécia e França, tendo evidenciado um efeito bené­fico e nenhum dano aos pacientes, já que ela acelera o processo de recuperação por meio do aumento da concentração de oxigênio que se dissolve no plasma, potencializando o processo de cicatrização e controle de infecções.
 
A pesquisa que será realizada no Risoleta Neves tem duração prevista de cinco meses e, após esse período, o equipamento será doado ao hospital para ser utilizado em pacientes com feridas atendidos pela equipe multidisciplinar da Cirurgia Vascular, visando à recuperação tecidual, proteção contra infecções e salvamento de membros, como terapia adjuvante.


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