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Estado de Minas ALIMENTAÇÃO

Pandemia aumenta consumo de suplementos alimentares

Procura estaria relacionada à busca de reforço do sistema de defesa do organismo como suposta precaução ao novo coronavírus


15/04/2021 15:20 - atualizado 15/04/2021 16:39

(foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
(foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
Os suplementos alimentares estão em alta durante a pandemia. Pesquisa realizada pela BHB Foods e Suplementos, em parceria com a Decode, em outubro de 2020, com base na coleta de dados digitais, mostra que 91% das buscas por suplementos correspondem àqueles relacionados ao aumento da imunidade. Só na plataforma Mercado Livre, suplementos alimentares correspondem à categoria de produtos que mais cresceu durante a pandemia, perdendo apenas para máscaras e álcool em gel.
 
A relação da baixa imunidade com as formas mais agressivas da infecção pode ter influenciado nesse comportamento de maior procura de suplementos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para fins Especiais (Abiad), houve um aumento de consumo de 48% no ano passado. Em maio de 2020, a entidade investigou o comportamento dos consumidores,revelando que em 59% dos lares brasileiros têm pelo menos uma pessoa consumindo suplementos.

Não há evidência de que suplementos reduzam o risco de infecção pelo novo coronavírus. A Sociedade Brasileira de Infectologia diz que não há comprovação de benefício do uso de vitaminas C ou D, nem de suplementos alimentares, como zinco, exceto em pacientes que apresentam hipovitaminose ou carência mineral. 
 
A Associação Brasileira de Nutrição (Asbran), integrante da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, lançou publicação para apoiar pessoas que estão em isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. O documento recomenda uma alimentação saudável,  "primordial para manter a saúde e é especialmente importante para manter seu sistema imunológico em ótimas condições, sem esquecer das medidas de higiene necessárias para evitar as contaminações". E recomenda aos brasileiros que sejam críticos "quanto a mensagens e dados sobre alimentação em propagandas", além de limitar o consumo de alimentos processados e evitar alimentos ultraprocessados.
 
Os indicadores de aumento do consumo de suplementos foram registrados na segunda pesquisa "Hábitos de Consumo de Suplementos Alimentares no Brasil”, realizada pela Toledo & Associado para a ABIAD, com propósito de entender os impactos da COVID-19 no comportamento do consumidor. 
 
A Akmos, holding com atuação nacional por meio de franquias e vendas multinível viu seu faturamento crescer 90% em plena pandemia. A companhia lançou quatro linhas de suplementos alimentares, aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. 
 
O própolis é a base do Pro Power, suplemento alimentar com vitaminas C, D, E, selênio e zinco. Ele reforça a imunidade e tem sido um dos produtos mais procurados nas prateleiras da empresa. “O crescimento da venda de todos os suplementos foi de 70% no primeiro trimestre de 2021 comparado com o mesmo período do ano passado," revela William Miranda, CEO da Akmos.

Fabiana Benedetti, técnica responsável pela divisão de alimentos da holding, alerta que os benefícios variam de acordo com o organismo de cada um. “A função do suplemento é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos em complemento à alimentação. Suplementos alimentares não são medicamentos. Portanto, não tratam, previnem ou curam doenças. Eles são destinados a pessoas saudáveis."

"E a dica para ter eficácia no uso é atrelar as necessidades individuais ao suplemento certo, considerando sempre uma dieta balanceada, uma vez que quando os nutrientes se apresentam em quantidades ótimas, a saúde e o bem-estar do indivíduo são maximizados. Além disso, consumi-los conforme indicação e dose correta certifica sua performance. Vale muito a pena investir em suplementos, já que no dia a dia é muito difícil suprir na alimentação as vitaminas e minerais que o corpo precisa.”
 
Necessidade de suplementos devem ser indicados apenas por especialistas 
 
A suplementação alimentar não é indicada para qualquer pessoa, em qualquer situação, adverte a nutricionista Giovanna Camatta. "Toda suplementação deve ser feita com orientação de um profissional habilitado. É importante uma avaliação, levando em conta hábitos de vida e alguns fatores de risco, como presença de doenças associadas ou crônicas."

Camatta explica que as vitaminas precisam de fatores externos, como por exemplo a B12  (produtos de origem animal). Há situações que os suplementos alimentares são indicados, quando identificadas carências potenciais ou constatados em exames bioquímicos. A indicação dos suplementos pode ser prescrita pelo nutricionista. "Quando uma dose medicamentosa, acima do considerado uma suplementação segura para ser prescrita pelo nutricionista, se torna necessária, deve ser feita pelo médico."
 
A nutricionista Giovanna Camatta alerta que complementos alimentares só devem ser consumidos por indicação de especialista(foto: Marcos Vieira/EM- DA Press-Belo Horizonte)
A nutricionista Giovanna Camatta alerta que complementos alimentares só devem ser consumidos por indicação de especialista (foto: Marcos Vieira/EM- DA Press-Belo Horizonte)
Educador físico há mais de 20 anos, atleta, personal trainer e fisioculturista na categoria clássico (até 1,71m), Arthur Machado Portugal diz usar uma série de suplementos para melhorar performance nos treino e no físico.

"Os suplementos básicos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de massa magra, sem muito carboidrato e sem muita gordura, e com vitaminas e minerais. Vitamina C, para fortalecer o sistema imunológico, vitaminas D e E. Um precurssor de serotonina, um ansiolítico natural. Outro a base de cafeína, taurina e betanina, um estimulante na hora do treino, que permite melhor oxigenação e melhora perfomance." Arthur foi campeão estadual de fisioculturismo em 2019 em duas categorias, e campeão nacional na categoria master 1.

No caso dos atletas, o suplemento pode servir para a recuperação rápida ou o ganho de massa muscular, por exemplo. Já o complemento alimentar tem como foco uma refeição em que há carência específica de algum nutriente.

Usados sem indicação específica e individualizada, suplementos alimentares podem causar problemas de saúde graves, como hepatite tóxica.
 
Em 2020, pesquisadores do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) desenvolveram um suplemento alimentar lácteo que oferece os nutrientes necessários para a população idosa. A fórmula é baseada em frutos do cerrado. 
 
A pesquisa teve o objetivo de oferecer uma alternativa barata e de fácil acesso para a população idosa.
Os testes foram realizados no Lar das Velhinhas, em Montes Claros. O produto registrou resultados superiores em relação a aumento das hemácias, de hemoglobinas e de albumina na comparação com uma marca comercial amplamente difundida no mercado.

O estudo compõe parte da pesquisa de doutorado de Audrey Handyara Bicalho, sob orientação do professor Sérgio Henrique Sousa Santos, da Unimontes.


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