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Estado de Minas SAÚDE

COVID-19: sua máscara é mesmo eficiente contra o coronavírus? Confira

Especialista elenca as máscaras mais eficientes contra a COVID-19 e explica como a vedação e filtragem dos equipamentos influencia na segurança


07/01/2021 14:34 - atualizado 07/01/2021 16:19

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

Com tantas opções de máscaras como equipamentos de proteção individual contra a COVID-19, você tem certeza que a sua máscara é realmente eficiente?

De acordo com o pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório COVID-19BR Vitor Mori, existe uma série de critérios a serem observados para, de fato, validar a segurança e eficácia. Entre os principais estão a vedação e filtragem. 

Isso porque as máscaras de proteção precisam estar sempre bem ajustadas ao rosto para evitar os chamados “escapes” de gotículas e/ou aerossóis responsáveis pela proliferação do vírus.

Além disso, a capacidade de cada equipamento de filtrar as partículas emitidas na fala, tosse e espirro precisa ser segura. Assim sendo, Vitor Mori elenca os três tipos mais eficientes: a PFF2, ou como é mais conhecida N95, as máscaras cirúrgicas e as feitas de pano. 

“A N95, ou PFF2 como é chamada no Brasil, tem como padrão filtrar 94% das partículas de até 0,3 microns, que são partículas mais difíceis de serem filtradas. Para ilustrar, as partículas muito grandes são interceptadas pelas fibras do tecido da máscara e as muito pequenas, como são leves e seguem um movimento difuso, também são facilmente capturadas. Mas nessa faixa de 0,3 já é um pouco mais difícil, e é nesse tamanho que a gente define a eficiência da máscara”, elucida o pesquisador, que declara, ainda, ser esse modelo – o PFF2 –, “de longe”, mais eficiente. 

Quanto aos outros dois tipos – as máscaras cirúrgicas e as de pano, mais comuns –, Vitor Mori explica que a eficiência mais tem a ver com a forma como o equipamento está ajustado ao rosto do que com a sua capacidade de filtragem.

Segundo o especialista, nada adianta um filtro eficiente se há buracos nos lados e na parte de cima da máscara para que o ar saia, visto que se sabe que junto são expelidas gotículas. “Você, por exemplo, ao estar usando uma máscara cirúrgica muito folgada, estará menos seguro do que com uma máscara de pano que está bem ajustada”, justifica. 
 

"Em locais fechados e aglomerados, como veículos públicos lotados, é mais complicado, porque nos transportes públicos não tem filtração de ar adequada e as pessoas ficam falando. Talvez, a pessoa que tenha alguma comorbidade ou mora com pessoa que é do grupo de risco e tem que se expor, pegar transporte público ou estar em locais de risco, vale usar a PFF2. Mas é necessário usar com muita parcimônia e muito cuidado, e lembrar que ela pode ser reutilizada por pessoas que estão fora do ambiente hospitalar para que ela não esteja em falta para os profissionais"

Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório COVID-19BR


 
Com boa vedação e filtragem, tudo certo. Mas como saber se a máscara será eficiente e se ela está bem ajustada ao rosto? Segundo Vitor Mori, para verificar o ajuste, basta observar se tem vazamento de ar pelos lados ou por cima quando se usa a máscara.

Quanto menos vazamento, melhor. Quanto à eficácia, principalmente das máscaras de pano, o pesquisador ensina: “um primeiro teste é ver a máscara contra a luz. Se você ver muito a luz passando pelas malhas, é sinal de que é melhor pegar uma máscara um pouco mais grossa”. 

“Um segundo teste é: usando a máscara, tente soprar uma vela, fósforo ou isqueiro. Se for muito fácil apagar o fogo é melhor pegar uma máscara mais grossa. E, assim, a máscara deve ter ao menos duas camadas e idealmente três ou mais”, completa.  

Vai sair? Use a máscara indicada para cada situação 


Vitor Mori explica, ainda, que, ao sair de casa, seja para locais mais arriscados ou não, o uso de máscaras precisa levar em conta critérios mais específicos, haja vista a importância de se avaliar a situação de maneira conjunta e ampla.

“Não é só olhar a máscara e pronto. É muito importante que se evite espaços fechados, mal ventilados e aglomerados, lembrando sempre que a transmissão é principalmente pelo ar. Por isso, locais fechados, como bares e restaurantes, mal ventilados e todo mundo falando alto sem máscara são locais de risco maior”, explica. 

Nesse cenário, o pesquisador destaca que, dependendo do local a ser frequentado, determinadas máscaras podem ser mais indicadas.

“Nas atividades ao ar livre, espaços bem ventilados e não aglomerados, uma máscara de pano ou cirúrgica bem ajustada e bem fixa no rosto já é o suficiente. Mas, lembrando sempre da importância de certificar a vedação. Agora, para locais de grande risco, como ambientes hospitalares, é fundamental que se tenha a máscara PFF2 bem ajustada junto com outros equipamentos de proteção individual.” 

Em locais fechados e aglomerados, como veículos públicos lotados, é mais complicado, porque nos transportes públicos não tem filtração de ar adequada e as pessoas ficam falando.

"Talvez, a pessoa que tenha alguma comorbidade ou mora com pessoa que é do grupo de risco e tem que se expor, pegar transporte público ou estar em locais de risco, vale usar a PFF2. Mas é necessário usar com muita parcimônia e muito cuidado, e lembrar que ela pode ser reutilizada por pessoas que estão fora do ambiente hospitalar para que ela não esteja em falta para os profissionais”, orienta. 

Cuidados e dicas 


Para manter a eficiência das máscaras de proteção e potencializar a sua segurança, Vitor Mori pontua a importância de que, no caso das máscaras PFF2, elas, em caso de reutilização, não sejam lavadas com água e sabão e nem desinfectadas com álcool. Isso porque, conforme elucidado pelo pesquisador, a mantra de filtragem tende a perder eficácia nessas situações. 

“Depois do uso, deixe a máscara descansando por três dias em local arejado, colocando talvez em um saco de papel e sempre verificando se a máscara está íntegra e se a vedação está adequada, porque a medida em que vamos usando, o elástico da máscara vai se desgastando – pode se trocar o elástico para aumentar a utilidade. A máscara, se ela estiver visualmente íntegra, não tiver nenhum rasgo ou nenhum desgaste evidente, dá para continuar usando”, argumenta. 

Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório COVID-19BR(foto: Arquivo pessoal)
Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório COVID-19BR (foto: Arquivo pessoal)
Vitor Mori pontua, ainda, que, para otimizar o uso das máscaras de pano e aumentar a vedação do equipamento, algumas dicas podem bem úteis. “Máscaras que prendem com elástico na nuca costumam ser mais ajustadas, porque consegue-se aplicar uma tensão maior sem machucar a orelha. Um outro aspecto importante é a peça de metal na região do nariz para moldar a máscara e deixá-la bem fixa, evitando o vazamento nessa região”, informa. 

Quanto a higienização das máscaras de pano, vale frisar a importância de desinfecção do equipamento após o uso. Além disso, é importante destacar que, para manter a eficiência, as máscaras de pano devem ser trocadas a cada duas horas ou quando a transpiração a deixar molhada o suficiente para interferir na segurança. 

O pesquisador faz, ainda, um alerta a respeito do uso de máscaras de acrílico que cobrem boca e nariz, mas deixam espaços abertos para “escapes”. “Não adianta, vai haver saída de gotículas ou aerossóis possivelmente infectados pelos lados. Máscaras de tricô também não funcionam, porque elas não têm vedação e nem boa qualidade de filtragem”, afirma Vitor Mori, que não vê, também, necessidade em gastar mais em máscaras antivirais. 

“Tem que lembrar que, na verdade, a máscara antiviral não oferece muito mais proteção que uma máscara normal de pano bem ajustada. A contaminação acontece principalmente pela inalação de gotículas e aerossóis que estão suspensos no ar. Então, uma máscara de pano, bem ajustada, sem vazamento, vai ser bem mais eficiente do que uma máscara antiviral totalmente folgada. Particularmente, vejo muitas pessoas optando pela máscara antiviral, que é mais cara, mas não vejo necessidade nisso, porque uma máscara de pano bem ajustada já cumpre bem esse papel”, diz. 

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram


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