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Estado de Minas SAÚDE

Reumatismo não é doença de idoso

São 12 milhões de brasileiros de todas as idades acometidos pelo reumatismo, que afeta as estruturas articulares e musculares, podendo comprometer a qualidade de vida se não tratada adequadamente


30/10/2020 14:12 - atualizado 30/10/2020 14:41

Mais de 120 doenças reumáticas afetam 5% da população brasileira(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )
Mais de 120 doenças reumáticas afetam 5% da população brasileira (foto: Wikimedia Commons/Reprodução )
 
Hoje (30), Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo, a Sociedade Mineira de Reumatologia, (SMR) lembra que são mais de 120 doenças  caracterizadas pelo reumatismo e alerta que, quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento adequado, maior a possibilidade de se evitar complicações e agravamento dos sintomas.
 
As patologias reumáticas também afetam crianças e jovens e os sintomas em mais jovens são semelhantes em  adultos, como dor e rigidez nas articulações. A febre reumática (FR) e a artrite idiopática juvenil (AIJ) podem levar a danos e limitações permanentes. A doença não tem cura e afeta 12 milhões de brasileiros (5% da população), comprometendo a qualidade de vida, acarretando impactos sociais, quando não tratada adequadamente.
 
De acordo com a entidade, 25% das doenças reumáticas em países desenvolvidos se manifestam em pessoas com menos de 16 anos, sendo que, entre as nações mais pobres, o percentual é maior, onde certos transtornos são associados ao baixo nível socioeconômico. 
 
A dona de casa Aparecida Anício de Jesus Rodrigues, de 52 anos, é portadora do lúpus, uma doença inflamatória e autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, cérebro e outros órgãos, causando fadiga, febre e dor nas articulações. Ela conta que desde criança passou por várias equipes médicas e recebeu diagnósticos diversos. 
 
Somente em 2006 um médico conseguiu identificar a origem de suas dores constantes. "Cheguei a fazer várias biópsias e a última, na coluna, que trouxe o resultado. Tomei corticoides e a cloroquina". Ela conta que durante a divulgação que a cloroquina (também usada no combate aos efeitos da malária) bomateria a COVID-19 não encontrava o medicamento. "São dores terríveis e, no meu caso, atacou os rins e o pulmão."

O lúpus de Aparecida veio da bisavó e um mapeamento indentificou que ela é a última a encerrar a cadeia de transmissão. "Nem meus filhos e nem os netos adquiriram a doença." A mãe de Aparecida Rodrigues foi tratada erroneamente contra esclerose múltipla. "Mas só agora soubemos que era lúpus."
 
Vivane Souza, presidente da Sociedade Mineia de Reumatologia, explica que a escolha do dia 30 de outubro para combate às doenças reumáticas foi uma forma de chamar a atenção da população da necessidade de se tratar assim que apareçam os primeiros sintomas. 
 
"As doenças reumáticas são crônicas, não há tratamentos preventivos, mas podem ter relação com a obesidade, tabagismo e alcoolismo. O que se recomenda são atividades físicas e uma dieta saudável.  Muitas tem fatores genéticos e cada uma tem tratamento específico, tanto para diagnóstico quanto sua evolução", explica a médica. 
 
As patologias mais comuns entre adultos são osteoartrite (popularmente conhecida como artrose), fibromialgia, artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES), acometendo mais o público feminino. A LES e a fibromialgia ocorre entre brasileiros, na proporção de nove mulheres para cada homem, situação que pode ser explicada, em parte, pela tendência maior de produção de anticorpos.
 
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) as doenças reumáticas são um conjunto de diferentes doenças que acometem o aparelho locomotor (ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos) ou outras partes do corpo e que podem ocorrer em pessoas de todas as idades.
 
A entidade, diante de dúvidas sobre antimaláricos, como cloroquina e hidroxicloroquina, no tratamento de COVID-19, esclarece que seu uso em doenças reumáticas, como lúpus eritematoso, artrite reumatoide, síndrome de Sjogren e algumas vasculites tem eficácia e segurança comprovadas, sendo administrado por mais de 50 anos.
 
“Nossos pacientes estão receosos com a ampla divulgação de estudos sobre a ineficácia dos antimaláricos no tratamento de COVID-19 e acabam por interromper seus tratamentos – o que não devem fazer, sob risco de agravarem a sua doença reumática”, adverte José Roberto Provenza, presidente da SBR.
 
Provenza alerta que seu uso nas doenças reumáticas, principalmente lúpus, mesmo em gestante, pode melhorar os sintomas, prevenir eventos trombóticos e reduzir riscos renais, entre outros benefícios – “além de seu custo baixo favorecer a adesão do nosso paciente ao seu tratamento, que é para toda a vida”.


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