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Estado de Minas SAÚDE MENTAL

De volta ao trabalho presencial: marcas emocionais deixadas pela pandemia podem influenciar na nova rotina

Especialista alerta que os sintomas psicológicos oriundos do momento de isolamento social não devem ser negligenciados e, por isso, recomenda que empresas tomem atitudes. Confira


01/10/2020 11:14 - atualizado 01/10/2020 13:19

Sintomas psicológicos como medo e ansiedade na volta ao trabalho presencial não devem ser negligenciados pelas empresas, diz especialista(foto: Pixabay)
Sintomas psicológicos como medo e ansiedade na volta ao trabalho presencial não devem ser negligenciados pelas empresas, diz especialista (foto: Pixabay)
“O retorno aos postos físicos de trabalho vai requerer cuidado e atenção por parte das empresas. Não será possível esperar que tudo seja como sempre foi. Muitos colaboradores viveram angústias e até perdas durante a fase de isolamento social. Além disso, ainda estamos em meio à pandemia e, consequentemente, ainda temos que lidar com os medos que são inerentes a ela.” 

É o que diz o especialista em meditação e expansão da consciência e criador do protocolo Life Matters Fernando Gabas ao comentar sobre o retorno ao trabalho presencial e os possíveis desdobramentos psicológicos deste contexto. 

“Temos dois grandes desafios: o medo e a ansiedade. O medo tem relação direta com o contexto que estamos vivendo, em que estamos o tempo todo preocupados com a nossa própria saúde. Já a ansiedade pode ser gerada por esse ‘medo generalizado’, mas certamente também está relacionada à preocupação com o desempenho profissional, principalmente no que tange a exclusão de determinadas funções e a possível necessidade de 'acelerar' para alcançar as metas que ficaram para trás”, diz.

As consequências, então, poderão ser sentidas na produtividade, já que, conforme elucida Fernando, o desafio emocional, impulsionado pelo medo e pela ansiedade, pode deixar a mente perturbada com pensamentos negativos, o que também afeta a forma como tal pessoa enxerga a realidade e a execução de tarefas.

"Qualquer solução 'fácil' para essa situação não é completa"

Fernando Gabas, especialista em meditação e expansão da consciência e criador do protocolo Life Matters

 

“Talvez ela esteja de corpo presente no local de trabalho, mas com a mente totalmente desconectada. É óbvio que ela terá problemas de desempenho. É importante dizer que sentir emoções como medo e ansiedade é algo totalmente normal. Mas quando essas emoções se tornam crônicas, ou seja, perduram por dias e impedem que a pessoa saia de casa, se socialize ou mesmo consiga trabalhar, é importante consultar um profissional de saúde mental para um apoio mais cuidadoso”, explica. 

E justamente por isso, Fernando destaca a necessidade de que os ambientes empregatícios desenvolvam métodos de escuta e espaços mais acolhedores para as emoções de todos os funcionários. Além disso, segundo ele, tão importante quanto ouvir o outro e acolhê-lo é proporcionar ferramentas de equilíbrio emocional para que as pessoas lidem com os desafios de forma propositiva, o que também é de interesse institucional das empresas

“É importante também para as empresas atuarem com esse olhar, não só em função do bem-estar dos funcionários, que é algo essencial – e sempre deve ser, com ou sem pandemia –, mas também em função da própria sustentabilidade do negócio, haja vista que essa medida pode proporcionar também mais produtividade e inovação. Deste modo, o ideal é sugerir uma rotina de meditação que seja fixa, pois formar um hábito diário é comprovadamente mais eficiente do que tentar fazer algo uma vez por semana”, recomenda.

Fernando Gabas, especialista em meditação e expansão da consciência e criador do protocolo Life Matters(foto: VideoClick/Divulgação)
Fernando Gabas, especialista em meditação e expansão da consciência e criador do protocolo Life Matters (foto: VideoClick/Divulgação)
Porém, Fernando pontua que qualquer programa a ser desenvolvido pelas empresas com o intuito de promover um equilíbrio emocional aos seus funcionários deve ter como base a cultura da empresa. Isso porque, segundo o especialista, “de nada adianta abrir sessões diárias de meditação e continuar pressionando os colaboradores para que trabalhem sempre em um nível de estresse insalubre”. 

“Uma visão sistêmica dessa aplicação seria compreender um programa de saúde mental, de meditação, por exemplo, como algo que faz sentido dentro do contexto da cultura, algo que é um meio para que a empresa caminhe em direção a sua visão. Quando o programa é entendido dentro desse escopo, a probabilidade de que tenha aderência, seja bem-sucedido e apresente excelentes resultados tanto para os colaboradores quanto para a organização é enorme”, completa.

Se ajude! 


Do ponto de vista pessoal, além do acompanhamento psiquiátrico e/ou psicológico, Fernando explica que, apesar de desafiador, cada pessoa pode trabalhar os problemas emocionais individualmente, a fim de melhorar a sensação de bem-estar. “Saber lidar com esses desafios emocionais e ter respostas construtivas para as situações que se apresentam é o que chamamos de gestão ou inteligência emocional, e isso é uma competência que deve ser treinada.” 

“Porém, qualquer solução ‘fácil’ para essa situação não é completa. A meditação, que pode ser inclusive oferecida pela própria empresa, pode ser uma ferramenta interessante nesse processo, especialmente se for acompanhada por alguma estrutura que ofereça didática e clareza sobre uma progressão. Seria algo análogo a fazer um treino físico com um personal trainer, que sabe dar sequência aos treinos e como trabalhar o corpo de uma forma integral, mas, no caso, estamos falando do domínio da mente”, indica. 

*Estagiária sob supervisão do subeditor Daniel Seabra


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