Publicidade

Estado de Minas PANDEMIA

Pessoas ativas fisicamente reagem melhor à COVID-19?

Equipe de cientistas, com participação de pesquisadora da UFMG, investiga relação entre sedentarismo e efeitos do novo coronavírus no organismo de quem já foi infectado


postado em 07/07/2020 11:37 / atualizado em 07/07/2020 11:37

(foto: 5132824/Pixabay )
(foto: 5132824/Pixabay )


Um grupo que estuda o papel da atividade física na promoção da saúde, diante da nova realidade imposta pela pandemia do novo coronavírus, em discussão pelo WhatsApp, decidiram recrutar voluntários infectados pelo vírus para estudo científico que tem como objetivo avaliar se pessoas fisicamente ativas apresentam maior proteção contra a COVID-19 e melhor recuperação após uma infecção. Só podem participar quem já contraiu a doença e já está recuperado.

O estudo é liderado pelo professor Marcelo Rodrigues dos Santos, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (InCor, HC-FMUSP), que teve a ideia e a iniciativa da pesquisa contando com a colaboração de pesquisadores de diferentes instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O objetivo geral do estudo é avaliar se pessoas fisicamente ativas apresentam uma melhor evolução clínica quando infectadas pelo SARS-CoV-2 em comparação aos indivíduos sedentários. Para isso, os cientistas vão comprar o número de hospitalizações entre esses grupos, assim como o período de internação, manifestação de sintomas e necessidade de ventilação mecânica.

Os voluntários vão preencher um rápido e simples questionário on-line disponível no link: bit.ly/execov. E lembre-se que só a pessoa infectada e agora recuperada, ativa ou sedentária, deve acessar e responder a pesquisa. O que deve levar entre 8 e 10 minutos. São três partes.

A pesquisa contando com a colaboração de pesquisadores de diferentes instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. (foto: Arquivo Pessoal)
A pesquisa contando com a colaboração de pesquisadores de diferentes instituições de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. (foto: Arquivo Pessoal)


“Na primeira, o voluntário aceita o termo de consentimento nos autorizando a usar os dados. Na segunda, tem um histórico clínico, se teve o diagnóstico, qual exame fez (RT-PCR/coleta nasal ou pela garganta), os sintomas, se foi internado ou não e um histórico geral da saúde, se tem doença crônica. E a terceira parte, a pessoa responderá a receita do histórico de atividade física, se é sedentário ou ativo”, explica Daisy Motta Santos, residente de pós-doutorado no Departamento de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG, única mineira que integra a equipe.

Daisy Motta Santos, orientadora do programa de mestrado de ciências do esporte da UFMG, enfatiza que a hipótese levantada é se “as pessoas ativas infectadas vão para o hospital em menor número e apresentam sintomas mais leves da doença”.

Se a hipótese for confirmada será mais um passo para desvendar quais são os pontos fracos do novo coronavírus que podem ser atacados para ajudar na prevenção da doença, tão desafiante para a comunidade científica neste momento. Nunca é demais lembrar que é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que todos devem, ao menos, praticar 150 minutos semanalmente de exercício físico em intensidade moderada. Ou 75 minutos por semana de atividades mais intensas. Quem está abaixo desta marca é considerado sedentário.

Daisy Motta Santos, orientadora do programa de mestrado de ciências do esporte da UFMG, destaca que o estudo é para a pessoa infectada e recuperada, ativa ou sedentária(foto: Arquivo Pessoal)
Daisy Motta Santos, orientadora do programa de mestrado de ciências do esporte da UFMG, destaca que o estudo é para a pessoa infectada e recuperada, ativa ou sedentária (foto: Arquivo Pessoal)
E como Daisy Motta Santos alerta, mais de 30 doenças crônicas estão relacionados com a inatividade física, doenças que poderiam ser evitadas, prevenidas ou controladas se as pessoas tivessem consciência de que o homem precisa se mexer, se movimentar para ter saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Marcelo Rodrigues dos Santos destaca que o sedentarismo está relacionado ao maior tempo sentado. “Podemos considerar pessoas sedentárias aquelas que passam por volta de 70% a 85% do seu tempo sentada. Diversos estudos mostram que o sedentarismo está associado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como as cardiovasculares, câncer, diabetes e a obesidade. Além disso, o excesso de tempo sentado pode levar a complicações no sistema circulatório, principalmente nos membros inferiores.”


TRÊS MIL


Daisy Motta Santos explica que o grupo vai avaliar os níveis de atividade física e exercício físico. Ele destaca que uma pessoa que vai para o trabalho caminhando todos os dias, por exemplo, não é sedentário, ainda que não pratique exercícios físicos em uma academia com regularidade: “Por isso, é importante que ativos ou sedentários infectados participem da pesquisa. Vamos comparar se o fato de um indivíduo ser sedentário tem relação com os sintomas mais graves da doença. Já fizemos uma análise estatística e temos a previsão do número de pessoas que precisamos para conseguirmos a verificação. Gira em torno de 3 mil pessoas, mas pode variar porque há perdas”.

Líder o estudo, o professor Marcelo Rodrigues dos Santos, do InCor/HC-FMUSP, diz que a pesquisa só leva de 8 a 10 minutos para ser respondida(foto: Arquivo Pessoal)
Líder o estudo, o professor Marcelo Rodrigues dos Santos, do InCor/HC-FMUSP, diz que a pesquisa só leva de 8 a 10 minutos para ser respondida (foto: Arquivo Pessoal)
Marcelo Rodrigues dos Santos destaca que, com o resultado final, o grupo espera que o estudo “ajude a entender melhor o papel da atividade física e do exercício físico na proteção contra doenças virais. Além disso, pode colaborar com as políticas públicas de saúde em relação aos hábitos saudáveis.”

Os pesquisadores envolvidos são profissionais de educação física: Marcelo Rodrigues dos Santos, Incor, HCFMUSP; Francis Ribeiro de Souza, Incor, HCFMUSP; Daisy Motta-Santos, UFMG; Douglas dos Santos Soares, UFRGS; Juliana Beust de Lima, UFRGS; Gustavo Gonçalves Cardozo, UERJ e Carlos Eduardo Negrão, Incor, HCFMUSP. E o estatístico Luciano Santos Pinto Guimarães, UFRGS. 





receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade