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Estado de Minas

Cuidado com as válvulas de escape

Durante o isolamento, as pessoas tendem a comer mais e optar por alimentações mais gordurosas. Inserir frutas, legumes e verduras no cardápio é essencial


postado em 05/04/2020 04:00

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 

 Jéssica Mayara*

 

A mudança drástica na rotina diária durante o período de quarentena pode influenciar diretamente na educação alimentar e no sedentarismo. Isso porque, como forma de evitar a disseminação do novo coronavírus, o isolamento social faz com que as pessoas fiquem mais tempo em casa do que o habitual. Sendo assim, com acesso restrito às ruas, pouco contato humano e, de certa forma, com o tempo mais ocioso, a ingestão compulsiva de alimentos pode se tornar uma espécie de válvula de escape.

 

Além disso, devido ao confinamento, há uma tendência maior de as pessoas praticarem menos atividades físicas, principalmente pela falta de aparelhos adequados. O comodismo do lar também propicia esse quadro.

 

A nutricionista Jessica Prances Martins, da Clínica Penchel, explica que alguns fatores são capazes de influenciar a má alimentação neste período. “O confinamento propicia que as pessoas fiquem mais ansiosas e preocupadas quanto à contaminação pelo vírus. Portanto, a maior ingestão de alimentos pode ocorrer com o intuito de amenizar essas sensações.”

 

Para a psicóloga e psicanalista da Clínica Penchel Marena Petra, há muitas pessoas que, mesmo dentro de sua rotina, se alimentam compulsivamente e de forma errada. No entanto, acredita que o período de isolamento social pode intensificar esse processo, principalmente devido a distúrbios psicológicos. “Nesse período de ansiedade, a busca também pode ser por alimentos mais gordurosos. No entanto, as preferências variam de pessoa para pessoa. Há, também, aqueles que, quando tristes, não conseguem se alimentar. Sendo assim, a interferência nutricional pode ocorrer tanto para um excesso quanto para uma falta”, completa.

 

BALANCEADA Dessa forma, um planejamento diário, como se alimentar respeitando um intervalo de três horas entre as refeições, pode ajudar a manter uma alimentação mais balanceada. “É importante, mesmo em confinamento social, manter a rotina anterior ao início da quarentena, principalmente devido ao organismo estar acostumado aos horários, pois essa mudança brusca no cotidiano pode desregular o funcionamento corporal e acarretar outros desdobramentos”, explica Jéssica.

 

Além disso, a nutricionista recomenda a prática de atividades prazerosas a fim de aliviar a tensão e, consequentemente, a vontade de se alimentar fora dos horários ideais. “É necessário esquecer a alimentação desregulada como forma de liberar endorfina e dopamina, hormônios do bem-estar que ajudam no controle do estresse, e focar em outras ocupações que também liberem esses hormônios, como ler, praticar esportes dentro de casa, escutar música, meditar e o que mais a pessoa se interessar.”

 

IMUNIDADE Uma alimentação saudável e regulada é um dos grandes aliados no fortalecimento do sistema imunológico. Por isso, manter o equilíbrio alimentar neste período se torna essencial. “É importante priorizar a ingestão de alimentos anti-inflamatórios, livres de agrotóxicos e conservantes, e dar preferência para os naturais, como frutas e legumes. As folhas também são indicadas.

 

Neste período de quarentena, as pessoas tendem, também, a se render ao comodismo e não praticar atividades físicas. Isso, aliado à má alimentação, pode aumentar consideravelmente os índices de sedentarismo. Dessa forma, adequar o dia a dia à prática de exercícios mesmo dentro de casa pode ser essencial. “Por meio das redes sociais, é possível realizar consultas com educadores físicos na busca de práticas capazes de se enquadrar na necessidade corporal de cada pessoa. Isso tudo sem sair de casa”, recomenda a nutricionista.

 

*Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram

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