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Tudo passa: surpresas e curiosidades da meditação


postado em 01/12/2019 06:00 / atualizado em 13/12/2019 10:34


Na aula inaugural do curso de meditação, a aluna se surpreende com a figura do mestre Artur Arya. Ele transparece paz: voz de veludo e idade indefinida. Tem o semblante suave. Suas linhas de expressão resumem-se aos cantos da boca. Vive em estado permanente de sorriso.

Se todos são assim, será que o Dalai Lama tem rugas? Se não tiver, é sinal de que acaba de descobrir a fonte da juventude. Se for sim, terá aprendido a lidar com a passagem do tempo. Em ambos os casos, terá valido a pena. “Volta, criatura! Volta para a Terra!”

Antes de imperar o silêncio, Artur Arya, professor de ioga, meditação e alimentação ayurvédica, pede para fechar os olhos. Pálpebras cerradas. Hummm, suspira, aceitando o comando. “Agora – avisa o guru –, estendam o braço direito à frente e abram a palma da mão. Vou depositar um objeto para cada um.” “Muito bem!”, continuou. “Agora que todos receberam o objeto, segurem-no entre os dedos. Resistam à vontade de espiar para saber o que é.”

Diante da quietude do lugar e da obrigatoriedade de não fazer nada, a aluna só pode respirar. Isso, respire fundo. Relaxe. “Agora, leve o objeto para perto do seu ouvido direito e verifique se ele emite algum som.” Nesse momento, todos já sabem que se trata de algo para comer, talvez uma jujuba.  Nenhum sinal de ruído ou campainha.

“Aproxime o objeto das narinas. Sinta o aroma. Perceba se o cheiro remete à infância.” Nesse ponto, ela perde o foco, com medo de mais alguém da turma ter ouvido seu estômago roncar de fome. “Da próxima vez, lembrar de passar na lanchonete antes do curso” – rabisca no bloco de notas mental. E naufraga no fluxo dos pensamentos.

Por fim, desperta e ouve o professor autorizar a colocar o tal objeto na boca. Até que enfim. “Atenção – diz ele –, evite o impulso de engolir. Resista”. O que a faz devolver parte do doce. “Se quiser, pode mover o objeto de um canto a outro da boca, com a ajuda da língua. Que sensações isso desperta?”

“OK, podem engolir o objeto”, autoriza o mestre. “Aleluia!”, ela tem vontade de gritar, mas sufoca o berro, transformado em suspiro. “Não, ainda não acabou. Tentem perceber o caminho percorrido pelo objeto através da garganta, descendo pelo esôfago até o estômago”, orienta, sorrindo, como sempre. Só pode estar criticando dela, que, nessas alturas, pressente o objeto prestes a escapar pela última portinha do organismo.

“Já era”, pensa a aluna, desolada. Um século depois, é chegado o momento em que é permitido abrir os olhos e confirmar a suspeita que teve desde o início. Bingo! Todos acabam de deglutir uma minúscula uva-passa.

O mestre Artur Arya, abre a roda para perguntas, assim como fez na entrevista ao canal do YouTube Chá com Leveza. Alguém admite que costumava engolir uma caixinha inteira de ‘objetos’ na infância, sem mastigar direito. “Concordo, concordo!”, teve vontade de acrescentar a aluna iniciante, prometendo a si mesma ser menos gulosa a partir de agora. 

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