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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

De Bolsonaro ao PT, passando por Kajuru, STF vem sendo enxovalhado

Ninguém mais respeita a Suprema Corte, e a responsabilidade é dos próprios ministros


13/04/2021 07:44

Protesto em Brasília contra o STF, ocorrido em maio de 2020(foto: Arquivo/CB/DA Press)
Protesto em Brasília contra o STF, ocorrido em maio de 2020 (foto: Arquivo/CB/DA Press)


Outrora respeitado pela seriedade e qualidade de seus juristas, além de devidamente discreto, como exige a boa magistratura, o Supremo Tribunal Federal tornou-se hoje a verdadeira Geni, da Casa da Mãe Joana.

O processo de avacalhação foi iniciado pelo PT, ainda durante o julgamento do Mensalão, quando transformaram o então relator do processo, o Ministro Joaquim Barbosa, em algo pior que o Coisa Ruim, o Cramunhão.

Após Barbosa, Gilmar Mendes também entrou na linha de tiro do lulopetismo, enquanto ministros como Toffoli e Lewandowski começaram a conquistar o ódio dos opositores à cleptocracia comandada por Lula da Silva.

A Operação Lava-Jato chegou aos tucanos e, mais do que depressa, Mendes tratou de virar a casaca de aliado, e transformou-se no pior dos inimigos da chamada República de Curitiba, sendo odiado, portanto, pelos dois lados.

Com discussões e ofensas públicas transmitidas ao vivo e em cores para todo o País, os ministros do STF tornaram-se mais agentes políticos em busca de holofotes e afagos, que magistrados guardiões da Constituição.

Para piorar, idas e vindas em votos e decisões polêmicas escancararam à nação a humanidade dos supremos togados; leia-se: são movidos por crenças, ideologias e interesses pessoais como todos nós. Não são deuses.

Essa humanização, aliada às informações sobre privilégios e benefícios indecorosos de que gozam suas excelências, aproximou os ministros dos tradicionais políticos brasileiros, historicamente odiados e enxovalhados.

Os capas pretas deixaram de ser vistos com a autoridade que o cargo lhes confere, e hoje são tratados com total falta de respeito - e ameaças! - pelo mais humilde dos trabalhadores ao mais poderoso dos empresários.

Com a ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo, seja na sociedade civil ou no Congresso Nacional, e com a massificação das redes sociais, a vida dos doutores se tornou um verdadeiro inferno sobre a terra.

O fanatismo virulento - e violento! - e a sanha autocrática desse estrato da sociedade (que não é nada pequeno) encorajaram extremistas a atitudes consideradas muito mais do que criminosas, verdadeiramente fascistas.

Ataques com foguetes ao STF
; passeatas pedindo o fechamento da Corte; vídeos em redes sociais pregando violência física aos ministros; manifestações defronte à residência dos mesmos... Abriram as portas das trevas.

Enquanto a gasolina transbordava aqui fora, dentro do Supremo, ministros tratavam de riscar seus palitos de fósforo. Além de ofensas impublicáveis, acusavam-se mutuamente de desvios de função e de interesses econômicos.

Ao mesmo tempo, utilizavam-se de seus porta-vozes informais na imprensa para demonizar-se uns aos outros, espalhar fofocas, inclusive de cunho sexual, e corroborar a péssima imagem junto à sociedade.

Chegamos ao ponto de, em um intervalo inferior a 24 horas, termos, de um lado, uma conspiração contra o STF, por parte de Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, e de outro, uma séria ameaça do Partido dos Trabalhadores.

Não resta dúvida sobre o cunho criminoso do conluio entre o senador Jorge Kajuru e o pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais. Mas o que dizer do tuíte do PT: “não toquem [STF] nos direitos de Lula”?

Percebem, caros e caras, o nível a que chegou nossa frágil democracia? Temos o principal Poder da República tratado como boneco de Judas em sábado de aleluia. Não por falta de motivos e de merecimento, é claro.

Sair desta degradação institucional não será nada fácil. Primeiro porque os abusadores, de esquerda e de direita, passando pelo centro, ainda serão, por muito tempo, agentes políticos influentes e detentores de grande poder.

Segundo porque a atual formação da Suprema Corte será longínqua. Para piorar, o amigão do Queiroz promete nomear um novo ministro para a vaga de Marco Aurélio Mello, "terrivelmente evangélico”, e nada mais.

Assim, entre apaniguados de tucanos e petistas, teremos agora os do bolsonarismo, todos mais interessados em seus padrinhos políticos do que nas causas constitucionais que afetam o povo brasileiro. Ou seja, joga pedra na Geni.

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