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Basta não servir para a Europa que jogador vira rei no Brasil

Além de repatriar atletas que não deram certo lá fora, equipes brasileiras pagam salários acima da realidade financeira


13/09/2021 04:00 - atualizado 13/09/2021 07:57

O meio-campo Willian, que estava no Arsenal, é um dos novos repatriados e vai atuar pelo Corinthians(foto: RICHARD HEATHCOTE/AFP - 9/5/21)
O meio-campo Willian, que estava no Arsenal, é um dos novos repatriados e vai atuar pelo Corinthians (foto: RICHARD HEATHCOTE/AFP - 9/5/21)


Bati um papo com o narrador Luiz Penido no sábado. Ele está de volta à Rádio Tupi, maior audiência do rádio brasileiro, e com o ex-jogador e hoje comentarista Dé, o Aranha. Quem o viu jogar sabe que foi um baita de um artilheiro. O tema da conversa foi com relação aos clubes brasileiros repatriarem jogadores que a Europa, China, Japão e mundo árabe não querem mais. Vou citar alguns exemplos: Renato Augusto, Hulk, Daniel Alves, Rafinha, Willian, Gabigol, David Luiz, Douglas Costa, Giuliano, Miranda, Filipe Luís, e outros que eu possa ter me esquecido. São jogadores com currículo e história por onde jogaram e que se dão ou darão muito bem no futebol brasileiro, que anda na lama e carente.

Vejam o exemplo de Gabigol. Na Inter de Milão e Benfica, em um ano, fez um gol e foi reserva o tempo todo. Implorou pela volta ao Brasil e arrebentou pelo Santos e Flamengo. Hulk estava em baixa, pois, exceto no Porto, onde foi artilheiro e ídolo, só jogou no Leste Europeu e China, e hoje é ídolo da torcida do Galo, jogando o fino da bola. A torcida do Flamengo está soltando foguete com a contratação de David Luiz. Ele foi do Chelsea para o Arsenal e a torcida dos Gunners fez manifesto pedindo a sua saída, tamanha a incompetência dele por lá.
 
Só para não esquecermos, David Luiz entregou três gols nos 7 a 1 da Alemanha, e Hulk estava em campo. No Flamengo, o zagueiro, com certeza, será útil, principalmente numa zaga que não inspira confiança. Douglas Costa convive com contusões. Saiu da Juventus para o Bayern de Munique, que o mandou embora. O Grêmio o abraçou. Enfim, a história tem contado que os jogadores mais velhos, que deram muito ou pouco caldo na Europa, chegam ao Brasil e fazem sucesso.

Um grande comentarista disse que “transformaram nossos clubes no esgoto da Europa”. Ele não está errado. Mas, com toda a velhice e deficiência que os europeus enxergaram, a gente percebe que os caras ainda têm lenha para queimar no Brasil. Tudo isso porque temos uma safra ruim, jogadores de baixo nível, que não conseguem se firmar. Meu único senão é saber que quando um clube contrata um jogador mais velho, que vem da Europa, está tirando a chance de um jovem das categorias de base. Pego como exemplo o lateral-direito Matheuzinho, do Flamengo. Ele é reserva do péssimo Isla e de Rodinei. É melhor que os dois, mas a experiência de Isla e Rodinei acaba por inibir o jovem jogador. Os técnicos querem ganhar jogos e confiam nos mais experientes.

E o problema mais grave que vejo nisso tudo é o fato de saber que esses jogadores repatriados ganham salários astronômicos, de Europa, mesmo que os clubes estejam quebrados. O exemplo mais recente está aí para quem quiser ver. Daniel Alves, contratado de forma irresponsável, ganhando R$ 1,5 milhão mensais, que teve seu contrato rescindido agora pelo São Paulo. O clube lhe deve R$ 18 milhões, ou seja: contratou e não cumpriu o acordo de pagar o salário em dia. Daniel não tem culpa de não ter sido útil. Seu contrato não dizia que ele só receberia se jogasse bem ou fosse campeão. Irresponsável é o presidente que o contratou sem ter a receita para pagar seu salário.

No Brasil não há investimentos nas divisões de base. Não há pessoas capacitadas cuidando dos garotos. E quando surge um talento, ele é vendido para a Europa cedo e volta décadas depois ganhando fortunas. É um círculo vicioso, uma bola de neve. Por isso, a Seleção Brasileira não tem identidade com o povo. Os torcedores não estão nem aí para ela. Quando a gente vê que Hulk, Miranda e Daniel Alves, com 35, 38 e 39 anos, fazem parte da Seleção de Tite, a gente percebe, realmente, o motivo de o Brasil não ganhar mais Copa do Mundo. Estamos na lama, com uma economia quebrada, os grandes clubes devendo mais de R$ 10 bilhões, e os dirigentes esnobando, como se estivessem nadando em dinheiro. Pobre futebol brasileiro, que ilude a “geração nutella”, ávida por ganhar a qualquer preço, ainda que isso custe a derrocada de seu clube.



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