Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas Bomba do Jaeci

Sampaoli é bom técnico, mas jamais abro mão de fazer crítica

Fiz elogios ao técnico do Atlético quando achei merecidos e seguirei com análise jornalística isenta quando tiver de apontar seus erros


22/08/2020 10:00 - atualizado 22/08/2020 10:19

Entre acertos e erros, o técnico Jorge Sampaoli, contratado em março, tenta implantar sua filosofia no Atlético(foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Entre acertos e erros, o técnico Jorge Sampaoli, contratado em março, tenta implantar sua filosofia no Atlético (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS)

O lugar certo para curar problemas emocionais e complexos é no analista, no divã, onde você pode revelar todas as suas frustrações, para tentar saber a causa disso tudo e se tornar alguém melhor. É o que vejo com relação aos torcedores, doentes, que não enxergam a realidade. Se agarram a uma única esperança, na tentativa de curar-se. Eu já disse que Jorge Sampaoli é um bom técnico para os padrões do futebol brasileiro. Outro dia, usei até o velho ditado que “em terra de cego, que tem um olho é rei”. Claro que ele dá treinos diferentes da maioria dos técnicos brasileiros, que ele manda a equipe marcar a saída de bola do adversário, que joga ofensivamente. Jamais neguei isso e escrevi inúmeras vezes, quando ele treinava o Santos, elogiando-o. Mas também disse que ele é suicida, que gosta de inventar, mudando o time a cada jogo e que não se esforça para falar o português, pois mora no Brasil há dois anos e se acha acima do bem e do mal. Os jogadores que se virem para entender seu espanhol. Vejam a diferença: Guardiola foi treinar o Bayern de Munique, mas antes fez um curso de alemão para que os jogadores entendessem bem o que ele dizia, pois os intérpretes nunca traduzem ao pé da letra. Depois, foi treinar o City e aprendeu também o inglês. É o mínimo que se espera de uma pessoa que vai viver no seu país, ganhar uma boa fortuna por mês e usufruir de todas as coisas que o país oferece.

Mexer com paixão é algo difícil, ainda mais em tempos odiosos, como muito bem diz meu amigo Galvão Bueno. Hoje, qualquer um tem blog, canal, como se fossem jornalistas de verdade. E têm milhões de seguidores, cegos e analfabetos como eles. Um cara foi me criticar e falou com tantos erros de português, que foi de dar dó. E há gente que acha que eu, um jornalista duplamente premiado, com o Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo e o Imprensa Embratel pela reportagem “Meninos do Brasil”, com sete Copas do Mundo, cinco Olimpíadas, dez Copas América, sete Copas das confederações, 274 coberturas internacionais, todas catalogadas, e 73 países visitados, vou me rebaixar e bater boca com essas pessoas. Jamais. “Os cães ladram e a caravana passa”. Eu debato em alto nível com meus pares. Não debato com analfabetos.

Quando Sampaoli mudou o time no vestiário contra o Corinthians, o aplaudi, escrevi minha coluna e gravei meu blog, o elogiando. Porém, sem deixar de criticar aquilo que de errado acho que ele tem. Contra o Botafogo, quando o time não conseguiu finalizar a contento, e sofreu sua primeira derrota, mostrei os erros que ele comete. Ele não é melhor nem pior por um jogo ruim ou bom. Ele erra como todos e acerta também. Eu não gosto de técnico que quer ser dono do clube. Entregar uma instituição centenária para um forasteiro nunca deu certo. No Santos, ele saiu pela porta dos fundos, escorraçado por querer mandar até no presidente. Bem ou mal, lá tem um presidente que manda e que não depende de favores de ninguém. O Santos tem dono e não está à venda por títulos. Sampaoli quer ser mais realista que o rei, escalando um time a cada jogo. Contra o Ceará, errou ao pôr Marquinhos e Arana, os melhores jogadores do time, no banco. Tanto não era para poupá-los, que os pôs no segundo tempo e venceu a partida. Insiste com Keno, que já mostrou ser um péssimo jogador. Eu avisei que ele era reserva no Palmeiras e que não poderia ser a estrela da companhia. Acho engraçado: contra o Botafogo o atleticano diz que o time dominou, mas não conseguiu fazer gols, que foi infinitamente superior. Ok, foi mesmo. Porém, contra o Flamengo, que massacrou o Galo e perdeu seis gols incríveis, disseram que o Galo foi melhor e que venceu com méritos. Dá pra entender? Claro que dá. Isso se chama paixão, cegueira, querer enxergar uma realidade que não existe.

O Atlético caiu para a terceira posição na tabela. O Vasco é o líder, com os mesmos 9 pontos dele e do Internacional, mas tem um jogo a menos. Vejam bem: o limitado Vasco, com o jovem técnico Ramon Menezes no comando, é o líder do Brasileirão. Então, meus amigos e minhas amigas, que trabalho maravilhoso é esse que Sampaoli faz? Sugiro àqueles que se acham grandes jornalistas, que estudem jornalismo, tentem o meu lugar e conquistem, em 35 anos de carreira, tudo o que conquistei. Eu não trabalho com a camisa do Galo ou de time nenhum por baixo da minha. No Catar, cobrindo o meu Flamengo no Mundial, trabalhei muito para a Rádio Tupi e para o Estado de Minas e meus canais. Elogiei e critiquei meu time com o mesmo tom. E só vesti a camisa do meu time no fim da noite, no hotel, me juntando aos meus amigos rubro-negros, ex-jogadores. Sim, eu não escondo que sou flamenguista, mas tenho postura muito ética e crítica ao meu time. Não escondo os defeitos do rubro-negro.

E, para fechar, há uns idiotas que recriminam o fato de um cara do Rio trabalhar em Minas, como se fosse proibido. Esquecem que há muitos mineiros no Rio, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, no Brasil inteiro, exercendo sua profissão. São os “xenófobos” e odiosos, recalcados e carentes torcedores. Não me importo com esses doentes. Indico um analista – e dos bons. Conheço alguns. Quanto ao Atlético, Cruzeiro, América, Flamengo, Corinthians, Vasco, todos os clubes que eu entender, devo comentar ou escrever. Vou manter sempre a postura da minha vitoriosa carreira: criticar no mesmo tom do elogio. E, vale lembrar, que na empresa na qual trabalho há 32 anos, o Estado de Minas, tenho liberdade para escrever sobre o clube que eu bem entender. Claro que priorizo o futebol mineiro, mas é um direito meu analisar quem eu bem entender. Foi assim em meus 10 anos de TV Globo, na época em que o jornalismo era mais sério e não permitia “incultos médios” nem gente sem diploma. Foi assim na extinta TV Manchete, Record, Bandeirantes, SBT. Por onde passei, deixei minha marca ética, séria e isenta. E vai continuar assim, enquanto Deus me der saúde e vontade de escrever. Amo o futebol, mas não deixo de mostrar o fundo do poço para o qual o futebol brasileiro está indo. Não minto, não iludo. Sou realista. Quem gostar, ótimo. Quem não gostar, confesso, não estou nem aí. Vamos a Inter x Galo. Logo depois do jogo, confira minha coluna on-line no Estado de Minas e meu Blog no Superesportes. Tá bombando. Como sempre, é dos assuntos mais comentados em Minas Gerais e no Brasil.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade