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Estado de Minas RAQUETE EM ALTA

Beach Tennis vira febre em BH e impulsiona investimento em quadras de areia

A prática esportiva ganhou força no começo da pandemia da COVID-19 e a expectativa é de que a capital mineira chegue a 200 quadras até o meio do ano


06/03/2022 04:00 - atualizado 05/03/2022 20:07

Partida de Beach tennis
Beach tennis é considerado um esporte democrático, disputado normalmente em duplas, sem exigir muita técnica dos atletas (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)


Belo Horizonte não tem praia, mas isso não a impediu de ser invadida por uma verdadeira febre: o beach tennis. O esporte caiu no gosto dos belo-horizontinos, que lotam quadras de areia durante a semana para fazer aulas e, nos fins de semana, para se divertirem em família ou com os amigos. A procura pelo esporte na cidade teve um impulso com a pandemia da COVID-19.

“Acredito que atualmente existam cerca de 100 quadras já funcionando e, até o fim do ano, vamos chegar a 200 quadras de beach tennis na Grande BH”, afirma Luiz André Basile, presidente da Federação Mineira de Beach Tennis. Ele acredita que o crescimento do esporte não é apenas nacional, mas mundial. “Com a pandemia, as academias ficaram fechadas e as pessoas buscaram uma válvula de escape, com uma atividade ao ar livre que pudesse ser feita com poucas pessoas. O beach tennis e o futvôlei caíram muito no gosto das pessoas.”

Outro fator que pode explicar o fenômeno, segundo Basile, é a facilidade de se praticar o beach tennis. “É um esporte muito fácil, em que a gente consegue colocar uma pessoa para jogar na primeira aula. Ele é muito democrático na questão de idade e sexo. Muitas mulheres estão jogando.” O presidente da federação destaca ainda a moda como um atrativo para o público feminino. “As meninas jogam em duplas, com as roupas iguais. As mulheres começam a postar fotos no Instagram, que acaba se tornando uma mídia espontânea.”

Ele explica ainda que algumas blogueiras e influenciadoras passaram a praticar o esporte e até a lançar coleções de produtos relacionados com o beach tennis, em parceria com marcas de materiais esportivos especializados. “É um esporte que você pode jogar com música. Os amadores, principalmente, saem do jogo e vão tomar uma cerveja.”
 
O presidente da Federação Mineira de Beach Tennis, Luiz André Basile
Luiz André Basile, presidente da Federação Mineira de Beach Tennis, acredita que o crescimento do esporte é mundial (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
 

INÍCIO EM BH

Basile também foi o responsável por trazer o beach tennis para Belo Horizonte, em 2011. “Conheci o esporte no Rio de Janeiro, no fim de 2010. Em 2011, comecei a apresentá-lo para algumas pessoas nos clubes, fazer torneios entre tenistas. Em 2012, montei a primeira academia, no Belvedere.”  Ele conta que, no início, a academia vivia cheia. “Algumas outras academias abriram, houve uma dissipação de público e não tive uma renovação. Com a pandemia, o negócio explodiu. Era um esporte praticado por ex-atletas de vôlei, tênis e peteca, pessoas acima dos 30 anos. Hoje, tenho alunos a partir de 12 anos.”

A procura pelas competições também tem sido grande. “As pessoas começam a fazer aulas e querem se testar, competir, pontuar no ranking. No circuito mineiro no ano passado fizemos três etapas e neste ano serão 10.”. A primeira etapa do Circuito Mineiro de 2022 começa em 11 de março. “Já temos 200 inscritos.” As inscrições podem ser feitas até terça-feira (8/3), no site da confederação brasileira de Beach Tennis (www.cbbtennis.com).

A capital mineira também vai sediar, pela primeira vez, uma etapa do Circuito Mundial da modalidade. O evento ocorrerá entre 23 e 27 de março, no Casa Dipraia LayBack, no Bairro Belvedere. As inscrições podem ser feitas até amanhã (7/3) no site https://dizplay.com.br/ itfbh/ eventos.cfm.

Basile estima que na Região Centro-Sul, onde se concentra a maioria das academias e quadras, o preço de uma aula por semana fique em torno de R$ 240 por mês. Já duas vezes por semana, o preço é de R$ 360 por mês. O aluguel das quadras varia entre R$ 100 a R$ 150 a hora.

* Estagiária sob supervisão de Enio Greco
 
O professor de beach tennis Álvaro Amorim e a aluna Débora Castilha
O professor Álvaro Amorim dá dicas para a aluna Débora Castilho de qual a melhor forma de rebater a bola na raquete (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 

Esporte para todas as idades

O empresário Leonardo Diniz, de 52 anos, é proprietário do Kiosk Beach Tennis, localizado no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul de BH. O local conta com quatro quadras de areia e foi inaugurado em agosto do ano passado. “A procura foi muito maior do que imaginávamos que seria inicialmente e só vem aumentando. Tem dia que tenho dificuldade em ter horário disponível.”

Para ele, a pandemia da COVID-19 também ajuda a explicar o sucesso do beach tennis na capital. “É um esporte outdoor e esse tipo foi mais procurado durante a pandemia. As pessoas jogam ao ar livre, não estão em um ambiente fechado. Os atletas ficam relativamente distantes na quadra. É um ambiente arejado, com sol, a pessoa pisa na areia, se sente mais à vontade.”

Outro atrativo é a facilidade em praticá-lo. “É um esporte fácil de jogar. Quem já jogou frescobol vai conseguir brincar. É muito lúdico, permite que a pessoa que não queira aprofundar tanto na parte técnica se divirta. Podem jogar crianças e até pessoas idosas. Eles conseguem jogar juntos.” Diniz conta que pessoas de todas as idades procuram pelas aulas. “Tenho aula para crianças a partir de 5 anos. Tenho turmas em que jogam a avó com os netos. É um esporte muito amplo. Não exige muita resistência.”

Durante a semana, o espaço é destinado às aulas. Já nos fins de semana, as pessoas alugam as quadras para treinar ou se divertir. “Acaba virando um programa para a família.” A academia oferece pacotes com aulas uma ou duas vezes por semana, com preços de R$ 260 e R$ 440 por mês, respectivamente. Já o aluguel das quadras custa R$ 110 a hora, incluindo os equipamentos. “O equipamento é emprestado aos alunos. É um material que não é barato e como é um esporte relativamente novo, muitas pessoas não têm o equipamento. Mas, à medida que eles vão jogando adquirem a raquete de acordo com o estilo de jogo”.

PÚBLICO FEMININO

O empresário Felipe Santos, de 35, é outro que resolveu investir no esporte. Em 2021, inaugurou a Slam Beach, com duas unidades: no Bairro Castelo, Região da Pampulha, e outra em Contagem. “Ela é um braço da Slam Tênis, que tem mais de 15 anos. Todos os esportes de raquete têm origem no tênis, que é um esporte mais difícil tecnicamente. E eu acredito que o beach tennis veio muito com essa proposta de ser um esporte mais democrático. Outra coisa muito interessante é que ele virou uma alternativa esportiva para as mulheres.”

Felipe conta que a demanda começou a surgir no bairro, que tinha muitas quadras de areia. “Só que as pessoas exploravam mais o futevôlei, que também está muito na moda. Como eu já tenho esse conhecimento do tênis, decidi abrir a quadra. Deu supercerto. A procura tem sido alta, mas vejo a oferta aumentando também. Tem muitas quadras abrindo, para todos os lados da cidade.”

A Slam Beach tem planos para quem quer fazer aulas de uma a três vezes por semana. “Duas vezes na semana, que é o pacote que a gente mais vende, está custando R$ 260. O aluguel da quadra é R$ 70 a hora, incluindo equipamentos para os alunos. Já para os demais interessados, é R$ 100, com raquetes e bolas incluídas.”

A empresária Débora Castilho, de 34, é uma das alunas e começou a praticar o esporte em outubro do ano passado. “Sempre gostei muito de esporte. Por conta de andar a cavalo, eu sempre tive muitas lesões. Então, é um esporte que dá pra emagrecer fácil, que todo mundo consegue jogar. Eu gosto de handebol e vôlei, mas precisa de um número muito maior de pessoas para jogar. No Beach Tennis, como são dois ou quatro e está na moda, a gente consegue pessoas para jogar.”

Além de fazer as aulas duas vezes na semana, ela ainda aluga a quadra no fim de semana. “É sempre uma turma de quatro pessoas. Durante a semana, meu namorado não pode fazer aula. No fim de semana, a gente aluga a quadra. Vão algumas amigas, às vezes, juntamos alguns alunos também.”  Débora conta que já consegue perceber os resultados da prática esportiva. Além da aula de beach tennis, tem um circuito semelhante ao de aulas de funcional para quem quer perder peso. “Eu quero os dois: jogar e emagrecer. Acho bem legal que eles colocam as duas coisas. Tenho o resultado do esporte e do emagrecimento. É muito fácil jogar, qualquer um consegue.”

A empresária conseguiu emagrecer até seis quilos em um mês e meio de atividade e agora quer começar a participar de torneios. O esporte queima cerca de 600 calorias por hora, além de fortalecer as pernas, já que o esforço que se faz ao correr na areia é bem maior. A prática esportiva também tonifica os braços, o abdômen e desafia o fôlego.

RAQUETES

A raquete usada para praticar o beach tennis tem alguns furos. “A quantidade de furos define a velocidade da raquete. Quanto mais furos ela tem, mais rápido ela ‘corta’ o vento. Quanto menos furos, ela sofre mais com a resistência do ar. A raquete com mais furos é mais veloz, usada por jogadores mais altos, é mais profissional. Já a com menos furos é mais amadora, a pessoa tem mais controle (sobre ela), é mais lenta”, explica Braga.

A bola, normalmente, tem duas cores para facilitar a visualização e tem 50% menos de pressão que uma bola de tênis. “É uma bola mais lenta, mas é feita do mesmo material de uma bola de tênis comum.” Já a raquete é feita de diferentes materiais, como fibra de vidro e carbono. Na loja, os equipamentos variam de R$ 700 a R$ 3 mil e, de acordo com o proprietário, a maioria das pessoas compram raquetes que custam em torno de R$ 1,5 mil. Na internet, é possível encontrar  produtos a preços mais baixos.

ORIGEM E REGRAS

O beach tennis surgiu na Itália, na década de 1980, e chegou ao Brasil em 2008, no Rio de Janeiro. O esporte é uma mistura de vôlei de praia – já que é jogado em dupla e o ponto é marcado quando a bola toca o “chão” do adversário – badminton – por conta da altura da rede, que é de 1,7m – e o tênis, já que a partida se divide em até três sets com seis games cada um. As quadras para jogo simples têm 16mx5m; já para jogos em duplas a medida é de 16mx8m.

Diferentemente do tênis, a técnica do beach tennis é mais simples. Basta segurar a raquete na altura do rosto e tentar passar a bola por cima da rede. O jogador também pode escolher onde quer fazer o saque, contanto que seja feito atrás da linha de fundo. 

Ao sacar, caso a bolinha ‘queime’ na fita, ao encostar, o jogo continua normalmente. Mas, caso ele erre o saque e a bola fique na rede, não há segundo serviço e o ponto é do rival. A pontuação do beach tennis é parecida com a do tênis: 15/30/40. A diferença é que existe vantagem. Ao chegar nos 40 iguais, quem fizer o próximo ponto ganha. 

Geralmente, são seis games para partidas de simples e nove para partidas em duplas, mas isso pode variar de acordo com a organização. No tie-break (desempate), vence quem fizer sete pontos com diferença de dois pontos.

O que não é permitido no beach tennis

  • Encostar a raquete na rede dá ponto ao rival
  • Pisar dentro da quadra antes de executar o saque
  • Na hora do saque, não é permitido correr, saltar e sacar, como no tênis

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