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Estado de Minas TURISMO E NEGÓCIOS

Minas Gerais: um destino incrível, mas confuso

O estado tem quase 50 circuitos turísticos mas o setor não se entende na hora de definir o que são roteiros, pacotes e os próprios circuitos


27/10/2020 06:00

(foto: Vinícius Espírito Santo)
(foto: Vinícius Espírito Santo)


Se você é mineiro ou mineira, talvez saiba que Minas são muitas e as surpresas vão além do que os nossos olhos podem ver. E se você é brasileiro ou até um gringo mais antenado, provavelmente já ouviu falar nas cidades históricas de Minas Gerais, Estrada Real e Inhotim.

Pode ser também que, dependendo de onde você está, já ouviu sobre o Circuito das Águas, sem muita certeza se era o de Minas mesmo, afinal tem o circuito das águas de São Paulo também. Mas a questão é que no máximo você já ouviu falar, destes, que são: roteiros? Circuitos? Pacotes de turismo?

O fato é que nem o setor se entende, e essa falta de conceituação acaba refletindo na falta de um bom entendimento por parte do público final, que só quer conhecer esse tanto de Minas, já que são muitas. Mas infelizmente, estamos precisando ajeitar melhor a casa, para você, viajante, conseguir visitar melhor.

Claro, uma cama quente e confortável e uma comida gostosa não vão te faltar, em quase lugar nenhum, mas turismo profissional tem que ir muito além disso. E hoje, é sobre isso que vamos falar: sobre a importância de destinos, poder público, sociedade civil organizada, grandes, médias e pequenas empresas e instituições de fomento ao setor entenderem de uma vez por todas que não bastam projetos que apenas sobrevoam as mesmas cabeças de sempre e ficam trancados em gavetas, sem se fazerem claros ao grande público.

O governo do estado, por exemplo, precisa decidir se os circuitos turísticos são apenas uma nomenclatura para uma política pública, que muda a cada gestão, ou se são destinos turísticos a serem trabalhados.

Você sabia que, teoricamente o estado de Minas Gerais é organizado em regiões turísticas, que são chamadas de Circuitos Turísticos? Pois é, e são por volta de 46 e abrangem mais de 600 municípios! Ah, e deixa eu te contar outra coisa, a Estrada Real não é um deles! E nem as cidades históricas.

No final das contas, o que sempre é oferecido a você?! Arrisco dizer que nesta ordem: Ouro Preto com esticada a Mariana, Tiradentes com esticada a São João Del Rei, Congonhas (só rapidinho, para ver os profetas do Aleijadinho) e Inhotim (sim, só o museu mesmo). E tem Belo Horizonte, com o roteiro Mercado Central, Pampulha e Circuito (sim, olha ele aí de novo!) Praça da Liberdade.

Tem também a nossa maravilhosa gastronomia, da qual sou suspeita para falar, pois para mim é a melhor do mundo! Mas se você for em Itabirito comer o famoso pastel de angu, só acha congelado para fazer em casa ou em locais não turísticos. Se for experimentar os doces e quitandas de São Bartolomeu ou Barão de Cocais, vai ter que ter algum conhecido para te ajudar na empreitada. No fim, fica Belo Horizonte concentrando os melhores restaurantes mesmo.

Eu penso que, se as políticas públicas e legislações do setor fossem mais sólidas, os municípios com equipes mais técnicas e adequadas e as instituições trabalhassem mais em parceria, as coisas seriam diferentes. Mas o que acontece é que a política pública é extremamente frágil e os municípios mais focados em resultados que garantem resultados de urnas do que em resultados reais. E as instituições do setor, apesar de muitas, não conseguem traçar estratégias entre si para o sucesso do turismo em Minas Gerais como um todo. Cada um puxa sua corda para um lado, e no final das contas a corda nem sai do lugar, mesmo com todo mundo fazendo força.

E isso reflete, na forma como você percebe e consome o turismo no estado. Se você é do tipo autoguiado, como já falamos aqui na coluna, você ainda tem um pouco mais de chance de conhecer destinos e experiências além dos que já citei. Mas se você for do tipo agenciado, você provavelmente é refém do que o setor chama de “prateleira”, e que são os mesmos de sempre. Exceto por uma ou outra agência de turismo receptivo que se aventura em bancar o risco, sair do óbvio e trabalhar com outros destinos e experiências. Mesmo às custas de grupos pequenos e lucro baixo, apesar do preço final para o turista sempre ser alto.

É claro que Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João Del Rei, Congonhas, e Inhotim com Brumadinho são destinos incríveis sim. E alguns destinos têm conseguido se destacar um pouco mais, como, por exemplo, a Serra da Canastra, Capitólio ou Araxá. Mas as cidades históricas não são só essas que a grande mídia apresenta. E a Estrada Real existe, mas mercadologicamente cometeu algumas falhas que contribuíram para este cenário. Ou seja, o restante, dessas Minas que são tantas, são na realidade inúmeros munícipios e pequenos empresários fazendo um trabalho de formiguinha para tentar ganhar a sua atenção. Mas eu acredito que ainda vamos conseguir mostrar tudo que temos de melhor e de maneira organizada.

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