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Estado de Minas COLUNA

Violência e agressividade: entenda as diferenças

Não há um sentimento mais próximo do amor que a raiva. Ela tem uma grande função na nossa vida: resolver problemas, lutar contra os obstáculos da realidade


21/02/2021 04:00 - atualizado 18/02/2021 11:10




“Tenho 43 anos. Sou casada e tenho um bom relacionamento com minhas filhas, meu marido e com as pessoas em geral. De vez em quando, porém, tenho momentos de muita raiva. Nessas horas, às vezes me altero, falo alto, xingo e depois sinto muita culpa. Como posso acabar com minha agressividade?”

Maria Lúcia, de Curvelo


Há uma grande diferença entre violência e agressividade. E é de suma importância a distinção entre os dois fenômenos, não só para o nosso equilíbrio emocional, como também para os nossos relacionamentos. Em geral, fazemos confusão entre uma coisa e outra e isso tem trazido graves repercussões na nossa vida. Examinemos, com cuidado, essa questão.

Todos nós nascemos com uma energia vital, através da qual existimos e nos relacionamos com o mundo. Dependendo da concentração corporal, do direcionamento e do uso dessa energia, ela adquire um nome diferente e poderá ser boa ou má na nossa vida. A energia é uma só e poderá ter o nome de pensamento, sexualidade, amor, raiva, paixão etc.

Quando a nossa energia vital é usada para defender nossa integridade física ou psicológica, para nos defender dos ataques externos, para impedir a invasão de nossos espaços, ou então para construir, chama-se AGRESSIVIDADE, e não podemos prescindir dela, sob pena de não sobrevivermos ou não crescermos.

Nesse sentido, a agressividade é um instrumento de vida e como ferramenta da natureza é extremamente valiosa. Não importa aqui a intensidade dessa força agressiva, pois ela será determinada pela natureza e força do invasor ou da construção a ser feita.

A agressividade é essencial para a sobrevivência e o crescimento, ainda que apareça sob a forma de uma voz alta, xingos etc. Pessoas com a agressividade reprimida tornam-se deprimidas, autodestrutivas, autopunitivas, com pouco entusiasmo pela vida, com dificuldade para lutar, com as dificuldades da realidade. Querer acabar, com essa pulsão agressiva das crianças, por exemplo, vai provocar a formação de pessoas irritadas, contidas, rancorosas e fechadas.

Quando, porém, essa mesma energia é usada para destruir pessoas, invadir espaços alheios, controlar, subjugar, dominar e manipular pessoas, passa a se chamar VIOLÊNCIA. E essa, sim, deve ser evitada nas relações, pois é a antítese do amor, vez que destrói a identidade do outro enquanto ser autônomo e livre.

O que é grave, então, nos nossos relacionamentos é a violência, é a invasão e o domínio do outro, o desrespeito ao querer do outro, ainda que tal invasão venha com palavras meigas e doces. Um exemplo que pode aclarar de vez o que foi dito até aqui: se alguém vem me matar e eu o mato, isso é apenas agressividade. Se eu beijo alguém contra a sua vontade, é violência.

Na prática, temos um grande preconceito com relação à agressividade, a raiva, as brigas, e somos extremamente tolerantes com o comportamento violento, como o ciúme, a mágoa, o controle sobre a vida do outro.

O ódio não é o contrário do amor. O contrário do amor é a diferença, o desprezo, o abandono, a frieza. Não há um sentimento mais próximo do amor que a raiva. E ela tem uma grande função na nossa vida: resolver problemas, lutar contra os obstáculos da realidade.

E a briga é construtiva quando o seu objetivo é a resolução dos problemas e ela se torna violenta quando o objetivo é destruir a outra pessoa.

Talvez assim se explique a passagem do evangelho em que Jesus Cristo, ao passar perto do templo de Salomão e percebendo os vendilhões invadirem (violência) o espaço sagrado, transformando-o num mercado, tomou de um chicote e os expulsou (agressividade), defendendo “a casa do pai”.

E quando reprimimos a raiva que deveria ser canalizada na destruição/construção do mundo, na resolução das dificuldades, ela se transforma em tristeza, mágoa, acabrunhamento e pirraça. Não tirem das crianças a agressividade porque o amor vai junto. Ensine-as apenas a não usar de sua raiva para destruir os outros, invadir o espaço sagrado do outro.

Ensine-as a respeitar o outro. Maria Lúcia, não se preocupe em acabar com a sua energia vital chamada agressividade, mas envide esforços para acabar com as suas violências.

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