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Estado de Minas COLUNA

Sucesso no casamento

São inúmeros os comportamentos que nos encaminham para a harmonia da convivência e são muitos também os que nos afastam desse caminho


30/08/2020 04:00 - atualizado 26/08/2020 16:09


“A maioria dos relacionamentos amorosos é cheia de sofrimento. Meu casamento, por exemplo, de 12 anos, é cheio de brigas, mal-entendidos e ameaças. O que leva um casamento a ter sucesso?”
Joyce, de Belo Horizonte


Qual a relação básica, fundamental e natural da vida humana? A relação homem e mulher, pois sem ela nenhum de nós existiria. A propagação da espécie depende dela. Qual a relação mais prazerosa entre as pessoas? A relação homem e mulher que possibilita, além do companheirismo e amizade, a vivência sexual.

Essa relação era para ser cooperativa, harmônica, gostosa e feliz, mas não é o que normalmente ocorre. Os casamentos, como assinala a leitora, em geral são permeados por competições, hostilidades, violências verbais e, às vezes, físicas. E por quê? Porque a maioria das coisas que aprendemos para um casamento não deu certo. 

O casamento é uma instituição social e, como tal, reflete valores e práticas de uma sociedade adoecida: ganância, jogos, inveja, competições, luta pelo poder, valorização excessiva da imagem, possessividade, esperteza e assim por diante.

Só que o amor é o contrário de tudo isso: é cooperação, brincadeira, admiração, partilhamento do poder, valorização do corpo, generosidade e sabedoria.

A maioria de nós confunde amor com casamento. Pessoas incapazes de amar, ou que amam errado, podem casar mil vezes e jamais serão felizes em suas relações. É impossível uma árvore má dar bons frutos.

Imaginaremos uma pintura famosa na parede de nossa casa, com certeza ela estará com uma moldura em torno dela. O amor é a pintura das relações e o casamento é sua moldura social. O amor é o centro e o casamento é a periferia. 

Gastamos muita energia em preservar e aperfeiçoar o arcabouço externo da relação: ter casa, ter carro, ter filhos, ter dinheiro, ter recepções, ter uma boa imagem etc., e inventamos pouco na competência amorosa. É óbvio que a moldura é importante.

Valoriza a pintura e permite sua inversão social, mas, ninguém teria vontade de pendurar em sua sala de visitas uma moldura vazia ou com uma pintura muito malfeita. 

Quando os religiosos falam que o casamento é divino, é sagrado, eles estão falando do casamento de coração para coração, da comunhão dos corpos e das almas, do amor e não da instituição social. E para que o verdadeiro casamento aconteça é necessário repensar no amor que aprendemos.

Reaprender a amar é a única saída para a sanidade das relações íntimas: casamento, relação pais e filhos e a relação de amizade. São inúmeros os comportamentos que nos encaminham para a harmonia da convivência e são muitos também os que nos afastam desse caminho. Separar o joio do trigo é o desafio. 

O primeiro inimigo do casamento é a idealização. Idealização do próprio casamento e do parceiro. Querer que o outro seja da maneira que imagino que ele deve ser. A mente perfeccionista impossibilita a percepção de quanto é bom conviver com alguém, mas alguém humano. Características boas e ruins acabam aflorando na intimidade.

Se não houver compreensão e magnanimidade nos parceiros para acolher a luz e, sobretudo, a sombra do outro, o casamento se torna um palco de tortura. 

O perfeccionista lamenta compulsivamente o que falta no casamento, em vez de usufruir até a última gota o bom que existe naquela relação. Consequência de querer um casamento perfeito ou, em outras palavras, um cônjuge perfeito é a criação de um outro grande inimigo: a crítica.

Nada mais destrutivo para a convivência do que estruturá-la no julgamento negativo. Podemos olhar alguém que escolhemos para partilhar nossa existência de duas formas. Encará-lo, enfatizando suas qualidades, seus talentos, seu lado bom ou priorizar no olhar, sem defeitos, suas incompetências e o seu lado ruim. 

No primeiro caso, estamos desenvolvendo nossa capacidade de admiração e isso cria uma cumplicidade que coloca ambos do mesmo lado. A relação se torna construtiva e facilita ao admirado a consciência do seu próprio crescimento. Seria, mais ou menos, exercitar Santo Agostinho quando dizia: “Condene o pecado, mas ame o pecador”. No segundo caso, o da crítica, os parceiros estão automaticamente em lados opostos

Ao criticar alguém eu o nomeio inimigo inferior e escravo. O criticado, em geral, assume uma postura defensiva e revida com a mesma moeda. Está criado o descasamento, a distância, o esfriamento e o desamor. Casamento não é um tribunal, é um lugar para o exercício conjunto da própria humanidade, no mais alto das suas glórias e no mais baixo de suas mazelas.


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