A uma semana do primeiro turno das eleições, o candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) publicou neste sábado (26/9) um vídeo nas redes sociais em que reafirma o compromisso com a disputa ao Planalto. A publicação ocorre em meio a rumores de que o candidato poderia desistir da disputa presidencial para apoiar Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno.
No vídeo, o ex-governador constrói uma narrativa de continuidade da trajetória política depois de dois mandatos como governador de Minas Gerais e encerra a mensagem defendendo que chegou a hora de “mudar o Brasil”.
A possível desistência passou a ser discutida com mais força nos últimos dias. Segundo perfis de política, o Novo deve anunciar até segunda-feira (28/9) se mantém Zema na corrida presidencial, a depender de pesquisas internas. A eventual saída seria acompanhada de um apoio a Flávio Bolsonaro.
Segundo a CNN Brasil, Marina Helena, candidata do Novo a deputada federal por São Paulo, declarou apoio ao senador no primeiro turno depois de conversar com Zema e receber autorização para manifestar publicamente sua posição. Outro integrante do Novo citado nesse movimento é Sebastião Coelho, candidato ao Senado pelo Distrito Federal, que também passou a defender apoio a Flávio no primeiro turno.
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Em Minas Gerais, o candidato ao Senado Marco Antônio “Superman” Costa também defendeu publicamente o apoio a Flávio, movimento que provocou divergências com a direção estadual do Novo.
‘Nunca desistir’
No vídeo publicado neste sábado, Zema começa contando que sempre teve aversão à política e que decidiu entrar na vida pública diante da situação de Minas Gerais e do país em 2018.
“Sabe aquela pessoa que sempre detestou políticos? Essa pessoa era exatamente eu. Mas lá em 2018, não dava mais para poder ficar calado, para poder ficar esperando”, afirma.
Na sequência, ele relembra o cenário encontrado no estado e menciona o decreto de calamidade financeira feito durante o governo de Fernando Pimentel (PT). Zema também cita o ambiente político nacional daquele período, marcado pela Operação Lava Jato e pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
“E aí, eu resolvi entrar na disputa. Ninguém acreditava, ninguém apostava, e contrariando tudo e todos, eu venci”, diz. Zema destaca ainda ter sido, segundo ele próprio, o primeiro governador eleito em Minas Gerais sem apoio da classe política.
Ele também menciona a decisão de não morar no Palácio das Mangabeiras durante o período em que esteve à frente do governo estadual. “Era para mim ter passado os meus 7 anos e 3 meses de governo governador aqui nesse palácio, mas eu optei por morar numa casa comum, porque a minha visão é que governador não deve ser tratado como imperador”, diz.
Outro ponto citado no vídeo é a retirada de fotografias de políticos de repartições públicas. Para Zema, a medida simbolizaria a ideia de que os governantes não são proprietários do poder. “Político não é dono do poder, político é sim empregado do povo”, afirma.
Na sequência, Zema faz um balanço de sua passagem pelo governo de Minas. Ele afirma que enfrentou o “sistema”, cortou privilégios e colocou “ordem na casa”. “Minas saiu do chão, Minas voltou a crescer, o mineiro voltou a ter orgulho do seu estado”, declara.
O candidato reconhece, porém, que ainda existem questões a serem resolvidas. Em seguida, cita a reeleição em primeiro turno em 2022 como uma demonstração, na avaliação dele, de que era possível derrotar adversários tradicionais.
Zema então amplia o discurso para a disputa presidencial e critica a situação econômica e social do país. “Porque país nenhum tem futuro quando quem governa é rico e o povo é pobre e é miserável, como ocorre aqui no Brasil”, diz.
Zema já declarou apoio a Flávio no segundo turno
A aproximação com Flávio não começou com os rumores desta semana. Na quinta-feira (24/9), Zema declarou que apoiaria o senador caso ele chegasse ao segundo turno contra Lula.
Em entrevista à Jovem Pan Campinas, o candidato afirmou que “quem estiver contra o PT terá o meu apoio”. Questionado especificamente sobre Flávio, confirmou que manteria a mesma posição.
Segundo a CNN Brasil, Zema e Flávio vêm se aproximando nos últimos dias, enquanto integrantes do Novo discutem a possibilidade de ampliar o apoio ao candidato do PL para o primeiro turno.
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Apesar das articulações, Zema permanece oficialmente candidato à Presidência. A publicação feita neste sábado não menciona Flávio Bolsonaro nem faz referência à possibilidade de desistência.
