CASO HENRY BOREL

Socos e afogamento: filha de ex de Jairinho detalha torturas

Bastante emocionada, testemunha relatou ao II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro uma série de agressões que teria sofrido ainda na infância

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Bastante emocionada, Kaylane Pereira, de 18 anos, filha de Natasha, ex-namorada do ex-vereador Jairinho, relatou ao II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (28/5), uma série de agressões que teria sofrido ainda na infância durante o relacionamento da mãe com o réu. O depoimento ocorreu no quarto dia do julgamento pelo assassinato do menino Henry Borel.

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Segundo Kaylane, Jairinho costumava buscá-la em casa com a promessa de levá-la para comer, mas os encontros acabavam acontecendo em um local que ela hoje acredita ser um motel. Era nesses momentos, quando os dois estavam sozinhos, que as agressões ocorriam.

Violências descritas no depoimento

A jovem detalhou as agressões à juíza: socos, "mocas", torções no braço, cabeça batida na quina do quarto e afogamentos na piscina do estabelecimento, quando Jairinho teria pressionado sua barriga com o pé até ela tocar o fundo. Em ao menos uma ocasião, Kaylane precisou usar gesso no braço. Dias após o episódio da piscina, foi levada a um hospital com dores abdominais.

Ela disse que as violências aconteceram mais de cinco vezes, mas não consegue precisar o número exato, e que na maioria dos casos não deixavam marcas visíveis no corpo.

Ameaça emocional silenciou a vítima

Kaylane contou que nunca revelou os episódios à mãe porque era ameaçada emocionalmente pelo réu. "Se eu contasse o que acontecia, a mãe ficaria muito triste, choraria e eu seria a responsável por isso", descreveu o raciocínio imposto por ele. Jairinho também dizia que, se ela não existisse, o casal teria uma vida melhor, e que a menina atrapalhava o relacionamento.

A jovem disse que só passou a se lembrar de mais detalhes depois que o caso Henry Borel veio a público. A primeira lembrança que retornou foi a cena da piscina. Ao fim do relacionamento entre a mãe e o ex-vereador, o medo se intensificou: quando via o carro branco de Jairinho chegando, ela corria para perto de outras pessoas e chegava a vomitar. "Cada vez que eu conto a história, eu revivo, eu sinto de novo", disse ao tribunal.

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A defesa de Monique Medeiros optou por não questionar Kaylane, justificando o estado emocional da testemunha. A sessão desta quinta-feira começou com cerca de uma hora e meia de atraso após uma jurada passar mal, e também marcou o retorno do advogado Fabiano Tadeu Lopes, principal defensor de Jairinho, que havia se afastado após sofrer um infarto no sábado anterior.

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