Dupla mineira construiu mais de 100 pistas de skates pelo Brasil
A união entre um arquiteto e um engenheiro resultou na criação de pistas espalhadas por vários estadosdo país
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“Lembro a primeira vez que eu vi um colega da minha irmã sobre um skate na quadra do colégio. Olhava como se fosse uma coisa impossível de se praticar e eu, fascinado, olhava paralisado para aquilo”, conta o arquiteto Anibal Bravim de Meira, de 53 anos, lembrando como surgiu a paixão pela modalidade esportiva. Ele e o sócio, ambos mineiros, são responsáveis pela façanha de terem construído mais de 100 pistas de skate espalhadas pelo Brasil.
A dupla profícua é formada por Anibal e pelo engenheiro civil Guilherme Alano Serra Lopes, de 46, donos da empresa PDS Brasil. Amigos desde a adolescência, eles se conheceram andando de skate. Tempos depois, se especializaram e já acumulam pistas projetadas em Minas e diferentes estados, como São Paulo, Río de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Pará.
Em Belo Horizonte, eles assinam projetos nos bairros Carlos Prates, Coqueiros, Guarani e Mangabeiras, todas pistas públicas e de acesso gratuito.
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A mais recente foi criada em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o arquiteto, é a maior pista de Minas, com 3.700 m². Ao custo de R$ 12 milhões e viabilizada pela prefeitura do município, a pista foi inaugurada no final de março e fica no Parque Linear Sarandi, entre os bairros Cabral e Ressaca.
Todo esse sucesso profissional está atrelado à febre que o skate vivencia no Brasil, muito em função da skatista Rayssa Leal, fenômeno que conquistou a audiência brasileira durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, realizados em 2021, quando ela tinha apenas 13 anos.
Ao todo, o Brasil contabiliza 8,5 milhões de praticantes da modalidade, segundo a Confederação Brasileira de Skate (CBS).
Amizade sobre pranchas
Os criadores de pistas de skate se conheceram em competições de skate e sessões de treinos ou viagens que tinham a modalidade esportiva como foco principal. Guilherme Alano relembra que já naquela época eles compartilhavam o interesse em projetarem pistas e como fariam para que a paixão pela modalidade se tornasse palpável para outras pessoas.
“Discutimos muito sobre pistas de skate. Qual era boa? Qual era ruim? E começamos a viajar nessas ideias de como projetar uma com qualidade. Dentro desses papos, surgiu a vontade de colocarmos em prática como parceiros de empresa”, recorda o engenheiro.
Ele diz que a paixão pela modalidade surgiu no final da década de 1980, com o crescimento do esporte no país, fruto da exibição das competições pela televisão, o que fez com que ele desenvolvesse o gosto, começasse a praticar e se profissionalizasse.
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A carreira de Anibal Bravim como arquiteto veio com a ajuda da irmã, também arquiteta, que pagou o curso de Autocad para ele.
“Fiz o curso, aprendi e comecei a dominar os modelos em 3D também. A minha irmã não deu continuidade na carreira de arquiteta, mas eu permaneci”, afirma. “Soube por meio do Orkut de uma competição nos Estados Unidos. Resolvi me inscrever. Enviei um modelo que havia feito para mim e ganhei a competição”, rememora o arquiteto.
A partir disso, o projetista começou a desenhar pistas de skate, mas não assinava os próprios desenhos, em decorrência da ausência de formação superior, o que fez com que ele fosse atrás da graduação em arquitetura. Em seguida, ele se associou ao amigo engenheiro, ex-parceiro de pistas.
Expansão da modalidade
O país do futebol tem visualizado a popularização do skate como prática esportiva no Brasil. A inserção da modalidade street e park nas Olimpíadas de 2021 em Tóquio, no Japão, somada ao surgimento de alguns fenômenos brasileiros (Rayssa Leal e Raicca Ventura), fez com que o esporte ganhasse destaque.
No entanto, o esporte carece de incentivo para se desenvolver. “Falta muita coisa. Incentivar atletas é similar ao exemplo de construir, pois é necessário apoio aos skatistas, do mesmo modo que necessitamos de investimentos para desenvolver pistas pelas cidades”, avalia Bravim.
Rayssa Leal, de 18, é um dos principais motivos para o desenvolvimento da modalidade recente. Ela foi medalhista de prata em Tóquio, quando tinha 13, e ganhou o bronze em Paris, na França, quando estava com 16, ambos na modalidade street. Esse sucesso precoce trouxe fãs para a modalidade.
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Guilherme Alano destaca o quanto esse sucesso da Rayssa impactou no cenário da modalidade no Brasil. Ele ainda comenta que acompanhou de perto a “Fadinha” – apelido da skatista após viralizar vídeo dela aos 7 anos, com roupa da personagem Sinho, da Disney, andando de skate – durante uma competição no Ibirapuera, em São Paulo, e o clima dos torcedores no local o fez lembrar de outro ídolo do esporte nacional.
“Grande parte do público que estava no evento não era de gente do skate, eram pessoas que estavam ali para ver a ‘Fadinha’. O clima era de final de Copa do Mundo”, conta. “O brasileiro deposita uma torcida e um amor pelo nome da Rayssa Leal que é impressionante. A última pessoa que eu vi em vida com esse poder, tirando do mundo do futebol, foi o Ayrton Senna”, finaliza o engenheiro.
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*Estágiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck