A atriz Wendi McLendon-Covey interpreta uma ginecologista que acaba se tornando diretora do hospital que dá nome à série crédito: Reprodução
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Que atire a primeira pedra quem nunca precisou lidar com um chefe que se achava muito melhor do que realmente era. Nem mesmo a atriz Wendi McLendon-Covey, de 56 anos, que vive a deslumbrada Joyce Henderson na comédia "St. Denis Medical" – cuja segunda temporada chega ao Brasil pelo serviço de streaming Universal+ nesta segunda-feira (27/7) – escapou dessa sina trabalhista.
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"Já trabalhei para esse tipo de pessoa", afirma ela, em entrevista à reportagem. "É aquela pessoa que está sempre tentando te motivar, mas ela mesma não acredita mais no que diz e quer sair correndo e gritando do prédio, mas não pode (risos)."
A atriz americana diz que se diverte muito com as maluquices de sua personagem, uma ginecologista que acaba se tornando diretora do hospital que dá nome à série. Não passa um episódio sem que ela deixe seus funcionários doidos com algum pedido completamente fora da casinha.
Joyce é o que o na linguagem das redes sociais se convencionou chamar de "delulu", ou seja, uma pessoa delirante. Wendi, no entanto, deixa claro que acredita que a própria personagem tem ao menos um pouco de noção do que se passa ao seu redor.
"Ela sabe que não é tão boa assim, mas ela precisa fingir que é", explica. "Joyce tem que manter uma fachada para todo mundo; caso contrário, não vão respeitá-la. Acontece que ela não gosta de mostrar vulnerabilidade."
A personagem chegou a ser comparada a Michael Scott, o inconveniente chefe vivido por Steve Carell na versão americana de "The Office" (2005-2013), mas a atriz deu seu próprio tempero, pegando inspiração da própria vida para sua composição. "Me baseei muito nessas mulheres com quem já trabalhei", reforça.
O que Wendi observou nelas foi agridoce. "É uma alegria ter uma 'família do trabalho', especialmente quando você não tem uma família em casa", conta. "E a Joyce não tem. Ela está na casa dos 50, ainda paga o financiamento estudantil e o hospital é tudo o que ela tem."
"É meio triste, mas a gente conhece essas pessoas que, quando piscam os olhos, 20 anos se passaram", completa. "Só aí ela percebe: 'Caramba, esqueci de ter uma vida pessoal'."
A atriz conta que é muito fácil entrar na personagem, devido ao visual recorrente, que combina roupas de trabalho e um cabelo armadíssimo. "Ela é profissional sem ser cara, porque ela não ganha tanto dinheiro assim", explica, elogiando os caracterizadores da série.
"No minuto em que eu visto aqueles terninhos e coloco aquele cabelo dela, eu sei exatamente quem eu sou", diz Wendi. "Começo a me mover como a Joyce, falo como ela e seguro minha caneta de um jeito específico."
Se na primeira temporada vimos a diretora lidando com a escassez de recursos, tentando conseguir mais verbas para o hospital, ela agora começa os novos episódios tentando inaugurar uma maternidade no local, não sem muita confusão antes, claro. Enquanto isso, a vida pessoal da personagem também vai ganhar mais holofotes.
A série “Jeannie é um Gênio”, lançada originalmente nos Estados Unidos em setembro de 1965 pela rede NBC, arrebatou gerações com seu gênero fantasia e comédia. Hoje, o clássico pode ser visto em streaming, no catálogo da Sony no Prime Video, mantendo viva sua magia e curiosidades que marcaram época.
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O escritor Sidney Sheldon criou o seriado, que permaneceu no ar por cinco temporadas entre 1965 e 1970, somando 139 episódios, e cuja proposta inicial era competir diretamente com “A Feiticeira”.
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A ideia nasceu do filme “Um Gênio Entrou Lá em Casa” (The Brass Bottle, 1964), dirigido por Harry Keller, que inspirou Sheldon a transformar a premissa em uma sitcom repleta de charme e imaginação.
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Barbara Eden, hoje com 94 anos, foi a única atriz loura testada para o papel de Jeannie, a protagonista. Sheldon preferia uma morena inicialmente, mas dentre as testadas, Barbara mostrou ser a melhor escolha. A presença carismática da atriz definiu a identidade da personagem para sempre e o tom da série.
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A famosa garrafa de Jeannie era, na verdade, um frasco de licor Jim Beam, estilizado para se tornar um dos objetos mais icônicos da TV. Criado como modelo exclusivo de Natal, foi levado a Sheldon pelo diretor Gene Nelson. Ao longo dos anos, 12 exemplares foram usados, primeiro na cor verde e depois em versões rosa e púrpura.
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A temporada de estreia foi exibida em preto e branco, afinal, a NBC não acreditava que a série iria vingar. Contudo, o resultado foi um grande sucesso e logo veio a migração para o colorido, o que ampliou o encanto visual da série e destacou ainda mais os cenários mágicos. Assim, é comum achar a primeira temporada colorizada.
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O ator Michael Ansara, marido de Barbara Eden, participou de alguns episódios, trazendo curiosidade extra para os fãs que acompanhavam o casal também fora das telas. Em algumas ocasiões, ele podia ser visto como um gênio azul.
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Durante a primeira temporada, aliás, Barbara engravidou de seu único filho, Matthew Ansara, e a produção precisou adaptar figurinos e cenas para manter a continuidade nas gravações. Uma das artimanhas para encobrir o fato era o uso de um véu sobre a barriga da personagem.
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A atriz Evelyn Moriaty também atuou como Jeannie em algumas situações, mostrando como a produção explorava alternativas criativas para manter o ritmo da série. Suas aparições ocorreram as cenas em que Barbara Eden contracenava “consigo mesma”. A dublê também era a stand-in de Marilyn Monroe.
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As filmagens eram realizadas nos mesmos estúdios de “A Feiticeira”, prova da atmosfera mágica compartilhada entre duas das maiores sitcoms da época. Enquanto as externas ocorriam no Ranch Blondie Street, as internas se davam no Sunset Gower Studios, em Hollywood. A casa, aliás, continua igual quase 50 anos depois.
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A trilha sonora inicial foi substituída pela versão que conhecemos, composta por Hugo Montenegr e que se tornou inseparável da identidade da série. Um ritmo bem marcante com uma combinação que mistura elementos de jazz e influências de músicas de lounge.
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Larry Hagman, intérprete de Tony Nelson, teve problemas que impactaram bastidores. Revelou ter atuado bêbado, além do vício em LSD e maconha. Em 1995, precisou de transplante de fígado devido ao excesso de bebidas. Depois, passou a detestar seu personagem, e segundo Barbara, em razão do roteiro, ao qual ele considerava fraco.
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Além de Barbara Eden e Larry Hagman, o elenco principal contou com Bill Daily e Hayden Rorke; destes, Hagman (Tony Nelson), Daily (Major Healey) e Rorke (Dr. Bellows) já morreram: Hagman em 23/11/2012 aos 81 anos; Daily, em 7/9/2018, aos 91, e Rorke, em 19/8/1987, aos 76.
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O figurino rosa de Jeannie foi uma escolha pessoal de Barbara, que acreditava que a cor transmitia delicadeza e ao mesmo tempo força feminina. Para ela, a cor representava aspectos lúdicos enquanto que o marrom conferia ousadia à sua personalidade. Contudo, nos capítulos em preto e branco, a vestimenta era verde.
Divulgação/Purepeople
No Brasil, a série estreou em 1966 pela TV Paulista, tornando-se logo um sucesso de público com seu humor inocente e encantador. Desde então foi exibido em diversas emissoras, entre elas TV Excelsior, Record, Band, Tupi, Rede TV, Rede 21 e Warner Channel. Alguns episódios puderam ser assistidos também pelo YouTube.
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Dois filmes foram lançados após o fim da série, mas nenhum contou com a participação de Larry Hagman, o que deixou os fãs com certo sentimento de ausência. A saber, “I Dream of Jeannie: 15 Years Later” (1985) e “I Still Dream of Jeannie” (1991).
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A Hanna-Barbera Productions criou uma versão animada inspirada em Jeannie, ampliando o alcance da personagem para o público infantil. A transmissão se deu entre 1973 e 1975.
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Barbara Eden continua ativa e querida pelo público, participando de eventos e entrevistas, além de se mostrar bastante presente em suas redes sociais. Assim, alimenta contato com fãs e mantém viva a memória da série e de sua personagem inesquecível.
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"O namorado idiota vai pedi-la em casamento na segunda temporada -vamos ver como vai ser isso", adianta Wendi. "Ela namora um cara bem descartável e bem inútil, mas que está sempre lá quando ela liga. Para ela, essa parte [romântica] tem que ser fácil porque ela não faz muito esforço."
Mesmo com esse relacionamento em vias de passar para outro nível, Joyce não parece muito realizada no quesito amoroso. "Você começa realmente a sentir o quanto ela é solitária e como ela está questionando as escolhas de vida que fez", continua a atriz. "Por mais que ela esteja tentando fingir que está bem, dá para perceber que a armadura cai um pouco."
Já gravando a terceira temporada (prevista para estrear em novembro nos Estados Unidos), Wendi diz estar feliz de poder voltar ao papel que espera continuar fazendo por muitos anos. "Amo interpretar a Joyce, é difícil deixá-la para trás", afirma. "Eu provavelmente seria amiga dela; reviraria os olhos para tudo que ela diz, mas seria amiga dela."