Cineasta descobre que é neta de Charles Manson
Sophia Maddox soube da ligação familiar com um dos criminosos mais famosos dos Estados Unidos após exame de ancestralidade
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Imagine descobrir que é neta de um dos maiores criminosos da história e líder de uma seita. É o que aconteceu com a cineasta Sophia Maddox, de 26 anos. Ela fez um teste de DNA para saber mais sobre a própria ancestralidade e descobriu que o avô biológico era ninguém menos que Charles Manson, um dos criminosos mais conhecidos da história dos Estados Unidos.
Charles Manson foi um criminoso norte-americano que liderou a seita conhecida como "Família Manson", responsável por uma série de assassinatos que chocou os Estados Unidos em 1969. Embora não tenha executado pessoalmente os crimes, ele foi condenado por ordenar as mortes de sete pessoas, entre elas a atriz Sharon Tate, que estava grávida de oito meses. Preso em 1971, passou o restante da vida na prisão e morreu em 2017, aos 83 anos.
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A revelação de Maddox aconteceu ao lado do pai, Daniel Arguelles, que também desconhecia a própria origem. "Fiquei, obviamente, muito arrasada", disse ao New York Post.
Ela relembrou que começou a chorar assim que recebeu o resultado. "Fiquei atônita, soluçando. Meu pai apenas acariciava minhas costas e me abraçava, dizendo que não éramos nada parecidos com ele. Mas foi um tanto traumático”, contou.
A descoberta deu origem ao documentário "My grandfather Charles Manson" (Meu avô Charles Manson), disponível no Hulu. Codirigido por Sophia e Alexandra Orton, o filme acompanha a jovem enquanto tenta entender quem foi seu avô, investiga a história da família e enfrenta as consequências emocionais da revelação.
Um encontro que mudou gerações
Segundo o documentário, Daniel Arguelles nasceu em 1959, quando a mãe, Darlene, tinha apenas 17 anos. A mulher conheceu Charles Manson em um ponto de ônibus, quando ele usava o nome "Charlie Dear". Os dois tiveram apenas um encontro, sem que ela soubesse quem ele realmente era.
Décadas depois, exames de ancestralidade revelaram que Manson era o pai biológico de Daniel.
Medo da herança genética
Após descobrir a ligação familiar, Sophia conta que passou a refletir sobre possíveis heranças genéticas. Ela afirmou que avaliações psicológicas descartaram qualquer transtorno psiquiátrico em seu caso, mas admite que pensa no assunto quando imagina formar uma família.
Segundo a cineasta, caso os futuros filhos dela desenvolvam transtornos como depressão, ansiedade, bipolaridade ou hipomania, ela acredita que haverá recursos para ajudá-los. "Tenho esperança, pois contamos com ferramentas e terapeutas", afirmou.
Ela acrescentou que, caso alguma condição seja transmitida às próximas gerações, elas terão o apoio necessário para lidar com isso.
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Entender não é justificar
Ao longo do documentário, Sophia visita locais importantes da trajetória de Manson, incluindo a Indiana Boys School, instituição para jovens infratores onde ele foi internado aos 14 anos e onde, segundo relatos históricos, teria sofrido e também cometido abusos sexuais.
Ela faz questão de esclarecer que investigar a infância e os traumas do avô não significa tentar justificar seus crimes. "Acho que outras pessoas podem projetar isso em mim, mas não acredito que encarar como foi a vida dele signifique justificar quaisquer ações”, apontou.
Para ela, compreender as origens da violência é uma forma de tentar interromper ciclos de abuso. "Acho que, para acabar com ciclos de abuso, é preciso olhar para a raiz do problema”, refletiu.
Apesar da ligação biológica, Sophia afirma não sentir qualquer identificação com Manson. "Eu não podia viver em segredo. Não gosto de mentir para as pessoas. Isso realmente pesa no meu coração”, ponderou.
Criatividade como ponto em comum
Embora rejeite qualquer associação com os crimes do avô, Sophia admite perceber uma característica compartilhada pela família: a criatividade. Antes de se tornar um dos criminosos mais conhecidos do mundo, Charles Manson sonhava em seguir carreira na música e chegou a conviver com integrantes dos Beach Boys.
O pai dela também cantava, atuava e trabalhou como modelo. Ela acredita que herdou essa facilidade artística. "Foi difícil não ver as semelhanças", afirmou.
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Sophia contou ainda que, durante muito tempo, acreditou não ter talento para aprender violão. Quando finalmente decidiu tentar, percebeu que tocar o instrumento acontecia de forma natural. "Agora, é algo que me traz conforto. Acho que essa é uma lição que tirei de tudo isso”, apontou.