Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

O custo alto da ilegalidade para a indústria brasileira

A sonegação, contrabando, falsificação de produtos são, na economia brasileira, um setor que custa R$ 107 bilhões ao ano, não gera emprego e não paga imposto

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A arrecadação de impostos no Brasil bate sucessivos recordes a cada mês, resultado do crescimento da atividade econômica, da maior eficiência no recolhimento de tributos e de eventos extraordinários. Em abril, foram arrecadados R$ 278,8 bilhões, um recorde para o mês, que levou o recolhimento de tributos e impostos no acumulado deste ano chegue a R$ 1,05 trilhão até o mês passado. Mas no lado oposto a sonegação fiscal, motivada pela alta carga tributária e o complexo sistema arrecadatório, também cresce e apenas no ano passado foi estimada em R$ 415 bilhões. E isso com a Receita Federal realizando ações de fiscalização contra a sonegação, evasão e falta de recolhimento de tributos que somaram R$ 233 bilhões em 2025.

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A sonegação, o contrabando, a falsificação de produtos são, na economia brasileira, um setor que custa R$ 107 bilhões ao ano, não gera empregos, não paga impostos e contribui para a baixa produtividade no país e sufocam o potencial de inovação da indústria nacional. Esse custo bilionário para a indústria nacional foi calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na nova Sondagem Especial Brasil Legal. Mas essa conta é quase invisível, porque apenas o crime causa prejuízos diretos à indústria de R$39.1 bilhões ao ano. O que leva a outros gastos da ordem de R$ 68,5 bilhões com segurança privada e aparatos de proteção. No Brasil, prevenir o crime custa mais caro do que a perda do próprio roubo. E o ruim desse fato é que a economia brasileira e o estado normalizaram o ambiente criminoso que movimenta bilhões de reais todo ano.


De acordo com o estudo, uma em cada três indústrias do país foi arrastada para alguma estatística criminosa nos últimos dois anos. A consequência imediata bate direto no caixa. Para metade das empresas atingidas, o tombo na receita bruta é o principal dano. Logo atrás vem a perda dolorosa de participação de mercado para concorrentes que jogam sem regras. Embora grandes marcas chamem mais atenção, o impacto econômico é muito desproporcional com os pequenos.


As pequenas empresas perdem 0,6% de seu faturamento anual com a ilegalidade; as médias, 0,8%. Para quem opera com margens enxutas e crédito escasso, esse confisco informal pode ser a diferença entre a continuidade do negócio e a falência. “Com estruturas financeiras mais enxutas, menor capacidade de diluição de custos fixos e acesso mais restrito a crédito e instrumentos de proteção, os pequenos negócios tendem a ser mais afetados, principalmente por meio da concorrência desleal”, diz o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira.


Segundo a radiografia dos delitos que sugam a indústria brasileira, o roubo de carga lidera as queixas das grandes indústrias. O Rio de Janeiro mostra bem o estrago dos roubos de cargas: em 2025, o estado registrou uma média de oito caminhões atacados por dia, com um rastro de R$ 314 milhões em perdas, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Mas, para além do roubo, desviando cargas para o varejo ilegal, há toda uma manufatura, que ocupa dezenas de galpões para fabricar prosutos sem conformidade técnica. São milhares de itens, de roupas a bebidas, passando por brinquedos e calçados que são vendidos simulando marcas famosas mas ignorando regras de segurança, qualidade e rotulagem.

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A saída para esse quadro, apontada por 77% dos empresários ouvidos pela CNI, exige uma maior presença do Estado através de fiscalização. Fortalecer as polícias estaduais contra o crime local e blindar fronteiras com a PF e a Receita são passos urgentes, na visão dos empresários. Enquanto a segurança jurídica e física for artigo de luxo, o custo Brasil continuará cobrando seu preço mais alto de quem produz.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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