O Dia da Indústria e o ponto de inflexão do setor no país
O setor pede urgência nas ações coordenadas de governos e iniciativa privada para reduzir o custo interno (custo Brasil) e garantir a defesa comercial
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Celebrado em 25 de maio, o Dia Nacional da Indústria evoca a memória de Roberto Simonsen, falecido em 1948. Mais do que uma efeméride, a data marca um profundo momento de inflexão para o setor. Dados do IBGE apontam que a participação industrial no PIB despencou de 27,4% em 2010 para 20,4% no último ano. Essa retração de sete pontos percentuais em quinze anos acende o alerta máximo para um forte processo de desindustrialização. Uma análise histórica da FIESP revela um cenário ainda mais grave: a indústria de transformação encolheu de 36% em 1985 para meros 11% em 2021. Essa perda de competitividade vem de longe, mas ganhou força destrutiva após a crise de 2008. Esse esvaziamento corrói o próprio desenvolvimento do país.
A atividade industrial gera empregos de melhor remuneração, agrega valor às nossas riquezas naturais, estimula o avanço tecnológico e é o celeiro para fixar e reter talentos, o setor pede urgência nas ações coordenadas de governos e iniciativa privada para reduzir o custo interno (custo Brasil) e garantir a defesa comercial das indústrias brasileiras. Para as fábricas brasileiras, o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que em dois anos já destinou R$ 653 bilhões para 428 mil projetos, busca articular financiamento e inovação, mas precisa ser acelerado e ampliado com rapidez. Para o governo brasileiro, “a indústria de transformação voltou a ser um dos principais motores do crescimento econômico brasileiro”.
Embora o NIB e o programa Brasil Mais Produtivo tenham alavancado investimentos no setor industrial, um dos setores básicos da indústria nacional, o siderúrgico, enfrenta desafios que exigem atenção do governo e de entidades representativas. A Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) afirma, em nota, que “salvar a indústria nacional é, afinal, garantir o progresso do país”. E os números mostram a urgência dessa tomada de consciência sobre a gravidade do problema.
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As importações brasileiras de aço saltaram de 2,3 milhões de toneladas em 2017 para quase 6 milhões de toneladas em 2024. A fatia dos importados no consumo aparente subiu de 12% para 23% no período. No segmento de aços planos – insumo essencial para automóveis e eletrodomésticos –, a invasão externa atingiu o patamar mais elevado registrado em toda a década. Essa invasão do aço chinês ocorreu depois que a crise imobiliária na China, que teve início em 2021 e reduziu a demanda interna, forçando o país asiático a despejar o excedente no exterior. No primeiro trimestre de 2025, a presença chinesa nas nossas importações de aços planos laminados atingiu 91,5%. O impacto nas usinas nacionais é relevante: as siderúrgicas brasileiras operam hoje com uma capacidade ociosa de 34%.
O Instituto Aço Brasil calcula que o país poderia produzir mais 17 milhões de toneladas de aço, volume que supera em quase três vezes toda a quantidade que atualmente é importada. Conforme Marco Polo de Mello Lopes, presidente do instituto, a indústria nacional perde espaço por competir em condições desiguais. Sofre com o custo Brasil e juros elevados, enquanto enfrenta concorrentes estrangeiros altamente subsidiados. “A perda de participação da indústria de transformação no PIB é resultado da combinação de fatores internos – como juros elevados e perda de competitividade sistêmica – e, mais recentemente, com um ambiente externo cada vez mais adverso, marcado por excesso global de capacidade e por políticas exportadoras agressivas, em especial na Ásia”, afirma Marco Polo.
O processo de desindustrialização prolongando gera um dano geracional para o setor industrial. Segundo a ABM, com a contração de vagas de emprego e a queda dos investimentos, os jovens deixam de enxergar na engenharia metalúrgica uma opção de carreira, com a fuga de cérebros comprometendo a formação de pesquisadores. “Ao importar manufaturados, o Brasil abre mão de empregos, de arrecadação e do desesenvolvimento de novas tecnolgias”, afirma, em nota, o presidente da ABM, Horacídio Leal. Sendo assim, o melhor mesmo para o Dia da Indústria, data instituída pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, por meio do Decreto nº 43.769, o melhor frisar o apelo feito pela entidade: “Salvar a indústria nacional é, afinal, garantir o progresso do país”.
No campo
66,7 milhões
de sacas de café devem ser colhidas na safra 2026, com alta de 18% sobre a colheita passada, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
Voando
A aviação doméstica brasileira registou recordes no mês passado e no acumulado do primeiro quadrimestre do ano, com 8 milhões de passageiros em abril e 33 milhões de viajantes entre janeiro e abril, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De janeiro a abril deste ano, 33.735.228 de passageiros voaram pelo Brasil. Número 6,5% maior que os 31.663.888 registrados no mesmo período de 2025 e o maior desde 2000
Etanol em queda
O preço do litro de etanol acelerou a queda após o aumento da oferta e registrou o menor valor em 2026, chegado a R$ 4,48 na média nacional, segundo levantamento Veloe/Fipe. Na comparação com a última semana de abril, o litro do etanol recuou 3,83%. No mesmo período, gasolina comum e diesel S-10 tiveran reduções moderadas, de 0,27% e 1,27%, respectivamente. A acomodação do preço do S-10, ocorre com maior uso de biocombustível
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