Páscoa: chocolate amargo pode ajudar a prevenir pressão alta e trombose
Ingestão de chocolate amargo pode reduzir o risco de hipertensão essencial, um tipo de pressão alta que é multifatorial e não tem uma causa identificável
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Com a proximidade da Páscoa, é hora de saber escolher certo o chocolate para comemorar. Existe um debate entre os cientistas a respeito dos benefícios atribuídos ao chocolate amargo, principalmente se eles não dizem respeito apenas ao cacau. Mas um novo estudo publicado na revista Nature descobriu que a ingestão de chocolate amargo foi significativamente associada à redução do risco de hipertensão essencial bem como à associação sugestiva com a redução do risco de tromboembolismo venoso.
“A hipertensão essencial se caracteriza por um quadro multifatorial sem qualquer causa identificável. Ela é uma doença cardiovascular, que é inclusive silenciosa e uma das principais causas de morte no Brasil”, explica a endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), Deborah Beranger.
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“Já a trombose é o entupimento de uma veia do nosso corpo pela formação de coágulos sanguíneos. A depender de qual veia aconteceu esse entupimento podemos chamar de trombose venosa profunda (quando é uma veia mais profunda) ou tromboflebite (quando se trata de uma veia mais superficial). Quando esse coágulo sanguíneo se desprende da veia, ele corre pela circulação e frequentemente impacta o pulmão, o que chamamos de embolia pulmonar, a grande complicação de uma trombose venosa profunda e uma causa importante de morte súbita”, explica a cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Aline Lamaita.
A médica endocrinologista explica que as evidências disponíveis indicam que os flavonoides presentes nos chocolates amargos, incluindo procianidina, catequina e epicatequina, podem melhorar a função endotelial, promover a vasodilatação e prevenir a agregação plaquetária, aumentando a liberação de óxido nítrico.
“Os flavanoides também são conhecidos por terem potentes atividades antioxidantes e anti-inflamatórias. Acredita-se que todas essas atividades dos flavanoides sejam os principais fatores que contribuem para um sistema cardiovascular saudável”, diz a Deborah.
“Já foi identificado também que os chocolates com maior concentração de cacau têm ação vasodilatadora, melhoram a função vascular e contam com atividades antiplaquetárias, prevenindo a formação de placa de gordura dentro das artérias”, explica Aline Lamaita. As médicas explicam que esses benefícios são alcançados com uma ingestão diária, em adultos jovens e saudáveis, de 20g de chocolate de cacau mais alto (90%).
As doenças cardiovasculares são a principal causa de incapacidade e mortalidade em todo o mundo e são os principais contribuintes para a carga global de doenças. O número total estimado de casos de doenças cardiovasculares foi de 523 milhões em 2019.
No trabalho, os cientistas obtiveram dados resumidos do estudo de associação genômica sobre a ingestão de chocolate amargo no site da Unidade de Epidemiologia Integrativa MRC (Universidade de Bristol). Os dados incluíram 64.945 participantes com ascendência europeia. Eles analisaram os dados para determinar a relação causal entre a ingestão de chocolate amargo e os riscos, em pacientes geneticamente predispostos, de 12 doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, doença coronariana, infarto do miocárdio, hipertensão e tromboembolismo venoso.
“A relação entre consumo do chocolate amargo e prevenção de doença só foi positiva para os casos de hipertensão e tromboembolismo venoso. E, mesmo assim, não é aconselhável confiar apenas no chocolate para prevenir as doenças. É bom lembrar que o chocolate deve ser consumido sempre com moderação, pois é um alimento fonte de gordura e rico em calorias. No geral, recomendamos até 30g diariamente”, diz a endocrinologista.
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“Uma boa alimentação, bons hábitos de vida e principalmente a atividade física ajudam a prevenir as duas doenças. E em alguns casos, os pacientes precisam de medicamentos”, reforça Aline.