Durante muitos anos, viajar de avião era um privilégio reservado a uma pequena parcela dos brasileiros. Hoje, esse cenário vem mudando. Com maior acesso ao crédito, possibilidade de parcelamento e planejamento financeiro, a classe C passou a ocupar um papel de destaque no turismo nacional e se tornou um dos principais motores do crescimento do setor.

Dados do Ministério do Turismo, com base em pesquisas da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que a intenção de viajar entre as famílias de menor renda cresceu significativamente. Em uma das sondagens do órgão, a intenção de viagem das famílias com renda de até três salários mínimos aumentou 78%, enquanto na faixa seguinte de renda o crescimento foi de 24,5%.

Estudo da Serasa Experian, divulgado pelo Ministério do Turismo em julho de 2025, identificou que o Brasil possui mais de 19 milhões de pessoas com perfil viajante, ou seja, consumidores com potencial e interesse em adquirir produtos turísticos. O levantamento mostra que 22,5% desse público possui renda entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por mês, enquanto 17,1% recebem até R$ 2 mil, evidenciando que viajar deixou de ser um hábito restrito às famílias de maior renda. A pesquisa revela ainda que 38,6% desses brasileiros conseguem reservar até R$ 1 mil mensais para gastos com turismo, comportamento que explica a crescente procura por viagens planejadas, parceladas e adquiridas com antecedência.

O perfil traçado pelo Ministério do Turismo também confirma uma característica observada diariamente pelas agências: o planejamento é a principal ferramenta desse novo turista. Segundo o Sebrae, citado pelo Ministério, as famílias da classe C pesquisam preços, organizam o orçamento com antecedência e enxergam nas agências de viagens uma forma de garantir segurança durante todo o processo. 

É exatamente esse comportamento que a empresária Pryscila Bastos Cunha acompanha há quase 13 anos à frente da agência mineira BCTur.

Turismo para todos

Quando decidiu abrir a empresa, Pryscila tinha um objetivo claro: democratizar o acesso às viagens.

Ela conta que sempre se incomodou ao ver consumidores de menor poder aquisitivo recebendo pouca atenção no mercado.

"Eu queria criar uma agência que atendesse todo mundo. Muitas pessoas nem sabiam que era possível comprar uma viagem por meio de uma agência, parcelando ou pagando em boleto. Viajar parecia algo muito distante da realidade delas."

A aposta deu certo.

Hoje, além dos clientes das classes A e B, a classe C continua sendo o principal público da agência e também o mais fiel.

"Esse continua sendo meu xodó. Tenho clientes que fizeram a lua de mel conosco há mais de dez anos. O filho já cresceu e eles continuam viajando todos os anos."

Viajar virou projeto de vida

Empresária Pryscila Bastos Cunha está há quase 13 anos à frente da agência mineira BCTur

Arquivo Pessoal

Ao contrário da ideia de que famílias de renda média compram viagens por impulso, Pryscila afirma que o comportamento predominante é justamente o planejamento.

Segundo ela, muitos clientes passam quase um ano pagando um pacote turístico. Assim que retornam das férias, já iniciam o pagamento da próxima viagem.

"Eles entenderam que viajar é possível. Basta organização financeira. Acabam uma viagem e já começam outra."

Esse comportamento acompanha uma tendência identificada pelo Ministério do Turismo. Segundo o órgão, a facilidade de parcelamento e o planejamento financeiro foram fatores decisivos para ampliar o número de brasileiros viajando pelo país. Atualmente, a classe C responde por cerca de 20% das vendas de grandes operadoras de turismo, percentual muito próximo ao da classe A.

O Nordeste continua sendo a porta de entrada

Quando chega a hora da primeira viagem de avião, o Nordeste continua sendo o destino preferido.

Porto Seguro lidera a lista por reunir passagens competitivas, ampla oferta de hotéis e excelente custo-benefício.

Depois aparecem Maceió e Natal.

"O cliente normalmente começa por Porto Seguro. No ano seguinte conhece Maceió. Depois faz a primeira experiência em um resort e, aos poucos, vai aumentando o nível das viagens."

Segundo Pryscila, um dos hotéis mais procurados é o Coroa Vermelha, em Porto Seguro.

Embora seja classificado como hotel, ele oferece estrutura semelhante à de um resort, com recreação infantil, gastronomia variada e bom padrão de serviços por um preço acessível.

O sonho da primeira viagem internacional

Depois de conhecer o litoral brasileiro, muitos clientes descobrem que viajar para fora do país não custa muito mais do que um pacote nacional.

Por isso, Argentina e Chile lideram entre os destinos internacionais.

Além dos preços competitivos, a facilidade de viajar apenas com a carteira de identidade reduz custos e elimina uma das principais barreiras para quem nunca saiu do Brasil.

"Hoje conseguimos montar uma viagem para Buenos Aires praticamente pelo mesmo valor de alguns destinos nacionais."

Na sequência aparecem Punta Cana, Cancún e Curaçao, beneficiados pelo aumento da oferta de voos internacionais saindo de Belo Horizonte.

Segurança pesa mais do que preço

Se antes muitos consumidores buscavam apenas o menor preço na internet, a pandemia mudou esse comportamento.

Segundo Pryscila, milhares de pessoas enfrentaram cancelamentos, remarcações e dificuldades para conseguir atendimento quando compraram diretamente em plataformas digitais.

"O cliente percebeu que não compra apenas uma passagem. Compra segurança."

Ela explica que o trabalho da agência vai muito além da emissão dos bilhetes.

Inclui escolha dos voos, orientação sobre documentação, acompanhamento das conexões, check-in, suporte em casos de atrasos e até assistência durante a hospedagem.

"O cliente pesquisa muito hoje. Ele chega bem informado. O que faz diferença é ter alguém que conheça o destino e esteja disponível quando surgir qualquer problema."

O novo consumidor é mais informado

A internet e a inteligência artificial também transformaram o perfil desse viajante.

Na avaliação da empresária, o consumidor chega às agências conhecendo hotéis, comparando preços e questionando roteiros.

Isso obrigou os profissionais do turismo a oferecerem um serviço cada vez mais consultivo.

"Hoje não basta vender uma passagem. É preciso entender profundamente o destino e oferecer soluções. A tecnologia virou uma aliada, mas a experiência humana continua fazendo diferença."

Depois dos 50, chega a hora de realizar sonhos

Outro público que cresce rapidamente é o dos viajantes acima dos 50 anos.

São pessoas que passaram décadas dedicadas ao trabalho e à criação dos filhos e que agora decidem investir em experiências.

"É um cliente que já sabe exatamente o que procura, valoriza conforto, segurança e atendimento personalizado. Além disso, costuma ter maior disponibilidade financeira para realizar viagens que antes eram adiadas."

Turismo cada vez mais democrático

Para Pryscila Bastos Cunha, a transformação mais importante do turismo brasileiro não aconteceu apenas nos aeroportos ou nas plataformas digitais, mas na mentalidade dos brasileiros.

O que antes era visto como um luxo passou a fazer parte dos planos de milhares de famílias.

"Viajar deixou de ser um sonho distante. Hoje, com planejamento, disciplina e orientação, qualquer pessoa pode conhecer o Brasil e o mundo. Foi para mostrar isso que a BCTur nasceu e é isso que continuamos fazendo todos os dias."

O crescimento da classe C no turismo confirma que viajar já não é mais apenas um símbolo de status. Tornou-se uma conquista possível, construída aos poucos, parcela por parcela, e que movimenta não apenas a economia, mas também a realização de sonhos de milhões de brasileiros.


Serviço

BCTur

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Pryscila Bastos Cunha
Contato : (31)97559-9556
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