O que diria JK se deparasse com o Capivarã na Pampulha?
Provavelmente seria: "em 1958 devolvi o espelho d’água. Em 2026, vejo o sonho navegando de novo… "
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Em 15 de janeiro de 1958, o presidente Juscelino Kubitschek subiu ao palanque às margens da Lagoa da Pampulha para inaugurar a nova barragem que devolvia à Belo Horizonte o seu espelho d’água restaurado. A represa original, que ele próprio havia inaugurado como prefeito quinze anos antes, fora destruída por uma catástrofe imprevisível em 1954. Cumprindo à risca a promessa feita exatamente um ano antes ao povo mineiro, JK discursou com a emoção característica de quem via na Pampulha não apenas uma obra de engenharia, mas o símbolo de uma cidade moderna, bela e viva:
“Mais do que ninguém, sofri a mágoa de ver tão cruelmente mutilada a obra que inaugurara há quinze anos, como prefeito desta bela capital [...] Uma catástrofe imprevisível ferira, no seu âmago, esta admirável criação urbanística a que a nova arquitetura brasileira deu todos os seus primores e cujo harmonioso conjunto continua a despertar a admiração do mundo civilizado.”
Ele destacou que nada fora poupado para dar à represa “segurança, eficácia e beleza”, mobilizando “todos os recursos da ciência e da engenharia”. E, com o orgulho de quem cumpria prazos impossíveis, concluiu: “Aqui estou, à hora marcada, no dia aprazado.” A Pampulha voltava a brilhar — e JK, como sempre, via no presente o embrião de um futuro ainda mais grandioso.
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Capivarã
Se JK estivesse vivo em 2026, ele certamente estaria de novo à beira da lagoa, desta vez com o vento no rosto e o sorriso largo de quem vê um sonho completar o ciclo. Imagine a cena: o ex-presidente com toda a energia visionária, embarcando no Capivarã, o catamarã turístico que, desde 27 de dezembro de 2025, devolveu a navegação à Lagoa da Pampulha após mais de 50 anos de silêncio nas águas.
Com capacidade para cerca de 30 passageiros, guia a bordo contando a história dos monumentos de Niemeyer, Burle Marx e Portinari, e nota média de aprovação de 9,8 entre os primeiros 1.240 visitantes, o passeio já virou o novo cartão-postal vivo de Belo Horizonte.
Numa visão hipotética, JK tomaria o microfone do guia e, com a mesma voz firme e otimista de 1958, diria algo assim:
“Meus amigos mineiros, olhem só para onde chegamos! Em 1943 eu sonhei com esta lagoa como centro de lazer e turismo de uma Belo Horizonte moderna. Em 1958 reconstruí a barragem em tempo recorde para que o espelho d’água voltasse a brilhar. E hoje, em 2026, vejo o Capivarã cortando estas águas limpas, levando famílias, turistas e jovens para admirar de perto a Igreja de São Francisco, a Casa do Baile, o Museu de Arte… tudo que a nova arquitetura brasileira criou com tanto amor.
Eu sempre disse que o Brasil não pode parar. A Pampulha não parou! Depois de décadas de espera, a navegação voltou — e voltou melhor: com segurança, com respeito ao meio ambiente, com orgulho do nosso patrimônio da UNESCO. Isto aqui não é só um passeio de barco. É a prova de que, quando o povo e o poder público caminham juntos, o sonho vira realidade em tempo recorde.
Cinquenta anos em cinco? Não… aqui foram cinquenta anos de paciência e agora, em um só ano de operação-piloto, já estamos navegando de novo! Parabéns, Belo Horizonte. Parabéns, Minas. O Brasil que eu sonhei está vivo nas águas da Pampulha. E eu, se pudesse, embarcaria agora mesmo para dar mais uma volta e dizer: missão cumprida… e o melhor ainda está por vir!”
A retomada da navegação com o Capivarã — projeto-piloto da Prefeitura em parceria com a Marinha do Brasil — não é apenas um atrativo turístico. É o fechamento poético de um ciclo iniciado por JK: da represa funcional à lagoa de lazer, da poluição à recuperação, do silêncio à alegria de navegar novamente diante dos ícones modernistas que ele ajudou a eternizar.
Se Juscelino Kubitschek pudesse ver o Capivarã deslizando sereno pelas águas cristalinas da Pampulha em 2026, ele provavelmente piscaria o olho e diria, com aquele sotaque mineiro inconfundível: “Estão vendo? Eu não prometi em vão. A Pampulha sempre soube que um dia voltaria a navegar… e o Brasil, junto com ela.”
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Como fazer o passeio?
Para embarcar no passeio do Capivarã, a população e os turistas devem retirar os ingressos gratuitos com antecedência pela plataforma Sympla (link disponível no site da Prefeitura de Belo Horizonte ). Os bilhetes são liberados toda terça-feira, a partir das 12h, para os passeios da semana (quinta a domingo), com limite de até 2 ou 4 ingressos por CPF, dependendo do lote. O embarque acontece no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) Veveco, na Avenida Otacílio Negrão de Lima, 855, na orla da Pampulha, próximo à Casa do Baile — chegue com pelo menos 15 minutos de antecedência.
Durante cerca de 1 hora de navegação (saídas às 10h, 13h e 15h), você vai apreciar uma vista privilegiada do Conjunto Moderno da Pampulha, Patrimônio da UNESCO: a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Museu de Arte da Pampulha, o Iate Tênis Clube, o Mineirão e o Mineirinho, tudo narrado por um guia turístico que conta a história, a arquitetura de Niemeyer e o legado de JK. É uma experiência única, tranquila e emocionante, que reconecta as pessoas com o cartão-postal de Belo Horizonte de uma perspectiva que só a água oferece.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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